quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O POETA BAIXOU NA TRINCHEIRA

Talvez tenha sido a primeira vez que Paulinho Pedra Azul e este locutor que vos escreve, como dois mineiros do interior, bebedores de cachaça da roça, tenham trocado uns assuntos com mais delonga. Foi no Bar do Alexandre, terça-feira última, por ocasião da noite de autógrafos que promovi no Bairro Santo Antônio. Paulinho e eu temos várias coisas em comum, dentre elas somos moradores deste bairro espetacular (Santo Antônio). No mais temos alguns empates; em outros casos, levo de goleada dele.



A inspiração de Paulinho, por exemplo, transcende ao mundo dos mortais e voa como passarinho lá no sertão de Pedra Azul. A minha inspiração é canhestra, bate nas cercas de bambu dos antigos quintais e ressoa por ali mesmo. Dei azar, ainda: brinquei com Paulinho sobre compormos algo tão bonito quanto o que ele faz.



O rapaz de Pedra Azul me revelou que só é letrista nas suas parcerias. Como faço? A única coisa que imagino poder construir numa parceria são letras sem pé nem cabeça.



Ansioso, Paulinho Pedra Azul esperou pela chegada do filho Gabriel Azzi Moraes, nascido de sua relação com Isabel Cristina – a Cris – menina caratinguense, cujos pais Chico Azzi e Luzmar eram vizinhos e amigos de meu saudoso irmão mais velho, Zito e de sua Zita, ainda lá na Santa Terrinha, saudável e bela.



Pasmem: como escrevi na coluna de ontem, confirmei pessoalmente que Gabriel quer ser treinador de futebol. Coisa de louco: nos dois desvios da lucidez - poeta e técnico de futebol - preferiu a última. E sabe das coisas, o jovem de 19 anos.



Papeamos bem, acompanhados por Alexandre dono do ambiente e de sua incomparável picanha. Paulinho tornou-se, por instante, Paulinho Caratinga e eu me tornei Flávio Pedra Azul.



Queríamos entrar o máximo possível no quintal do outro, sorver nossas origens, porque nada melhor existe.



A opinião de Gabriel Azzi, que tem certificados de cursos da Fundação Wanderley Luxemburgo e do Milan, da Itália, vem abaixo. A Trincheira hoje está ocupada por ele, filho do poeta, cantor e gente da melhor qualidade, Paulinho Pedra Azul.



Senhoras e Senhores, com vocês Gabriel Azzi Moraes: “Flávio, tomei a liberdade de responder o e-mail, como se ele tivesse sido enviado apenas para mim. Como eu gostei da coluna, vou comentá-la, pois quando o assunto é futebol eu fico horas e horas ouvindo, sem o menor tédio”.

“Realmente amanhã (hoje) o coração atleticano estará dividido, mas ver um jogador do Atlético com a camisa canarinho me faz lembrar a época em que Marques e Guilherme fizeram a dupla de ataque da Seleção Brasileira tempos atrás em um amistoso”.



“Quisera eu ter visto "O Rei", Reinaldo, com a amarelinha. Acho que seria demais pra mim! Se o futebol de hoje me empolga, imagina o da década de 80”.

“A formação com 3 zagueiros também me assusta. Oxalá o jogo contra o São Paulo se repita e aquele futebol vistoso apague os números que fazem mais parte do futebol no Brasil hoje, do que os craques que decidem jogo”.



“Com essa "Queima de estoque" de jogadores tão jovens para o exterior, nós temos que avaliar a tática para saber quem é favorito no gramado do "Gigante da Pampulha". Que dureza não?”

“Já a dança das cadeiras neste esporte maravilhoso, me causa mais arrepios do que um time com 3 zagueiros e dois volantes "Carregadores de Piano". Demitir o Ney Franco em pleno campeonato é como demitir o pintor da nossa casa na "primeira mão de tinta".



“Desse jeito trabalho nenhum evolui e jovens que sonham em ser treinadores de futebol (assim como eu), ficam cada vez mais empolgados para correr atrás do sonho (risos!)”.

“Falamos do Adilson Batista na mesa do bar do Alexandre. Esqueci de comentar que admiro muito ele, assim como o Muricy, principalmente por serem trabalhadores e honestos. Acho que isso no futebol é defeito! vai saber, né?”



“Minha admiração veio quando assisti ao treino do Cruzeiro e vi o Adilson marcar (literalmente) o Thiago Ribeiro na Toca II, ensinando o outro Thiago, o Heleno, a marcar o adversário na área. Disso ele entende!”



“Só é complicado ensinar o Thiago Ribeiro a acertar o gol! (risos). Me lembro de quebrar várias vezes a lâmpada da casa da "Dona Izabel Cristina", imitando o "Capitão América" do Grêmio (Adilson), chutando a bola para fora do campo com aquela raça que só ele tinha.



“Ele será um dos grandes! Assim como o meu ídolo e gênio já citado por você, Telê Santana foi. Deste você sabe falar muito melhor do que eu!”

“Concordo com você em gênero, número e grau. Realmente meu pai é um dos grandes no que faz. Além do coração do mesmo tamanho da competência artística. Espero um dia orgulhar ele tanto quanto ele me orgulha”.



“Quem sabe no prêmio "Técnico do Brasileirão" eu não possa dedicar o prêmio a ele e a minha mãe? Que são os motivadores da minha ideia maluca de ser treinador de futebol. Trabalho assim como ele trabalhou, para chegar lá!”



“E com a mesma dedicação e paciência que sua conterrânea teve para me criar”.

“Concordo totalmente com suas palavras na coluna em que meu nome foi citado e me deixou muito feliz. Assino embaixo ! Muito obrigado, e já me desculpe pela ousadia de comentar!”



“É que o futebol me deixa com vontade de escrever, mesmo não sendo um bom escritor.
Um abraço do mais novo amigo e correspondente virtual”.





Resposta: nada a acrescentar, Gabriel, ainda vamos falar muito de futebol e eu vou falar muito de você, do Adilson, do Ney, e de outros jovens talentos – são tantos! – que sonham em mudar a cara do futebol brasileiro e vão conseguir. São bons. Estarei vivo, se Deus quiser, pra ver isso.



E você, leitor, entendeu agora porque gosto de publicar as mensagens que recebo. Em O TEMPO, sem nenhuma explicação lógica, fomos proibidos disso. Tá bom. E pra encerrar: Gabriel é atleticano e Paulinho Pedra Azul é cruzeirense.

Um comentário:

  1. O time do Cruzeiro parece estar voltando para os trilhos ao acabar com a "Kleber dependência", que por sua vez, tornava o time muito previsível. Já o galo, apos o desmanche do meio campo, voltou a ser um time comum, ou seja, cheio de cabeça de bagre... O América tem que terminar o ano com um titulo para honrar sua torcida sofrida. O salto alto que o time usou em Guaratinguetá, não combina com verde esperança do Coelho.
    Um abraço e obrigado pela oportunidade.

    Eduardo Cruz

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