quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ESTANDARTE DO SANATÓRIO GERAL

Não quero nem saber: só quero um lugar na janela numa das Kombis da Coelhomania. Das muitas Kombis em que se transformaram as gozações de antes e que encherão o Estádio Independência de gente enlouquecida e vestida de verde-e-branco, como quer Gegê Angelino, pitaqueiro galista infiltrado na torcida do Coelho.

Sábado o estandarte do sanatório geral lembrará os velhos corsos. Desceremos todos à pé pelo Viaduto da Floresta e faremos o carnaval temporão do único título nacional que o futebol mineiro conquistará em 2009.

Como diria Chico Buarque, “cada paralelepípedo da cidade do seu Lacerda na noite de sábado vai se arrepiar; ao lembrar que nesse trecho passaram pés imortais, que aqui, também, se sangraram aos nossos pés e que por aqui sambaram em festa nossos ancestrais”.

Que me desculpe o Poeta, mas bateu-me a saudade de Rômulo Paes, de Celso Garcia. Adaptei alguns trechos do imortal “Vai Passar”. Fazer o quê? Não dá pra criar outro específico em comemoração à conquista. Só se Paes e Garcia estivessem vivos.

Repito: não quero nem saber. Estou na euforia dos tresloucados, raptado pela ilusão de que o Coelho receberá, na realidade, o caneco da Copa Fifa. E não tem esse valor o título prum time que ninguém dava mais nada por ele, exceto sua valente e brasileira torcida? Brasileira por nunca desistir.

No sanatório geral não existe ceticismo, posto que nem otimismo há. Há que ser, quem dele participa, a própria imagem do Bem. É preciso estar Bem com a vida. Na imagem atual do América: de bem com a vida.

Se o querem ressurreto, porque o mataram fora do tempo, que incrédulos não matem agora o objetivo: o Coelho chegou lá. Está na Série B. Suas duas mãos seguram o caneco da competição e não tem como o ASA de Arapicara mudar o curso da história.

Sabem por quê? Porque alguns veteranos – permito-me citar quatro – tidos como acabados, mortos e sepultados, voltaram à vida em nome do amor ao América. Ressurretos, portanto, também. Evanilson, Irênio, Euler, Welligton Paulo, americanos da gema, e o goleiro Flávio, por adoção, não permitirão que o sanatório geral cante até o alvorecer do domingo.

Filho do Vento retorna pra não perder a festa: sem jogar desde 18 de agosto por causa da artroscopia no joelho direito, Euller voltou aos treinos com bola porque não quer ficar fora da decisão de sábado. Aí tá o espírito da coisa; nada toma esse título do Coelho.

Evanilson fez a parte dele, marcando um dos gols em Arapiraca. Levou o terceiro cartão amarelo e terá de ajudar fora de campo, junto do grupo. O técnico Givanildo de Oliveira pede humildade e vê a partida como complicada; acha que os alagoanos morrerão pelo resultado. Que o Coelho morra, também. Que morramos todos e ressuscitemos aos gritos no sanatório geral da conquista.

PITACO: “A sorte do Cruzeiro é que Ricardinho levou bomba nos exames médicos: só tem uma perna, a esquerda” gozação de atleticano anônimo jogada no meu blog: www.flavioanselmodepeitoaberto.blogspot.com Faça dele a sua Trincheira, também.

Calado, calado, conforme reclamei ontem aqui na Trincheira, Alexandre Kalil tira leite da pedra: renovou o contrato de Celso Roth por mais um ano. Meu Deus, que milagre é esse que o Urso Pardo tem feito? O Galo não estava falido, salários e dívidas atrasados? Me ensina, Kalil, me ensina, como transformar esperanças em ouro puro!


Dia 11 de outubro, 29ª rodada é o dia esperado. Gostaria que tudo corresse de acordo pra que Atlético x Cruzeiro entrem em campo com todos as suas estrelas. Fábio num gol, Carini no outro; Tardelli de um lado, Kleber do outro; Correa versus Fabrício; o xerife paraguaio Benitez e o ex-atleticano Caçapa; e, principalmente, as duas fantásticas pernas esquerdas no meio-campo, nas camisas 10: Ricardinho e Gilberto. Imperdível.

Ricardinho provou da emulação: parte da Massa foi recebê-lo em Confins o que não acontecia há anos. Disse que conhece a força da torcida do Galo jogando contra; vai conhecê-la agora a favor ou contra. Dependerá apenas dele e de seu talento.

O comprimido de Neosaldina que eu recomendaria pra dor de cabeça do técnico Adilson Batista saiu do próprio departamento médico do Cruzeiro: Soares, Thiago Heleno e Athirson, entre outros chinelinhos, devem ser vetados pro jogo contra o Palmeiras, dia 23. Se o técnico celeste pensa de outra forma, cá de minha parte pra torcida é alívio mesmo esse pessoal fora dos gramados.

O Thiago Ribeiro tem uma cara tão boa, tão simpática, que fica até chato pra gente criticá-lo. O saudoso Aluisio Martins diria: “Esse moço carregou água pra mãe dele, morro acima numa distância enorme pra merecer ganhar dinheiro com futebol”. Ou seja; gente boa parece ser, mas precisa mostrar no gramado que, também, é bom de bola,

A atuação de Ribeiro em Porto Alegre foi boa, acima da média, pouco abaixo de Gilberto. Nada, porém, que me fizesse entusiasmar com seu futebol. Tem que melhorar em vários quesitos técnicos: chutes a gol, assistência, último passe, drible e ferocidade dentro da área. O gol que fez, cansei de fazer.

Interessante a instabilidade do time de Emerson Ávila. É o perfil do seu presidente, xerox perrelista Itair Machado. O Tigre leva de cinco do lanterna e ganha (2 a 0) do Bragantino, time tradicional e forte do interior paulista; que já foi vice-campeão paulista com Wanderlei Luxemburgo.É vero que a partida foi no Vale do Aço, mas pesou mesmo a ameaça que paira sobre Emerson: ou ganha ou machado do senhor Itair lhe cairá sobre a cabeça. Horrível este!!!!


Mensagem do leitor Bruno Silva: “Prezado Flávio. Bom, acompanho sempre seus comentários, e gostaria de dar minha opinião sobre a atual situação de meu Clube Atlético Mineiro. Acompanho o Galo desde os 7 anos (tenho 28), e assisti de perto o incontestável domínio do Cruzeiro nos últimos 15, 20 anos. Ao ponto de meu filho aos 10 anos já me "esfaquear" ao ir para o outro lado. Coisa normal, porque de fato o time de lá nos últimos anos vem com melhores resultados. Porém, com esta administração do Kalil, que achei no início não daria certo, por ele ser extremamente centralizador, nos dá novas esperanças”.

“Como por exemplo, uma emissora vai sair de uma crise financeira sem melhorar sua programação e aumentar sua audiência, ou uma loja com dificuldade vai superá-la sem investir em bom atendimento variedade de produtos? No futebol, a mesma coisa, O Atlético só vai superar sua crise financeira investindo no seu maior produto, o futebol. Assim, o público aumenta, o olha que para isto não é preciso muita coisa, os patrocínios e novas competições aparecem. Só não entendo como vários dirigentes não enxergaram uma coisa tão obvia há mais tempo. O time pode não dar certo, mas o caminho está sendo trilhado, com organização e enxugamento do clube, e investimento no futebol. Que 2010 seja o início de um novo ciclo em Minas Gerais”.

Resposta: seja bem vindo, também, meu amigo e não deixe nunca de prestigiar minha Trincheira e o meu blog www.flavioanselmodepeitoaberto.blogspot.com

Um comentário:

  1. Caro Flávio Anselmo;
    Ao postar que o título do Coelho será "o único título nacional que o futebol mineiro conquistará em 2009", é exercício de futurologia ou provocação ao amigo Alexandre Kalil (que como você disse na coluna de ontem, o elogia a ponto de dizer que não pode se afastar do jornalismo, pois assim não teria com quem brigar...?)? Sei que, como você já disse aqui em seu blog antes, por mais que seja cruzeirense, na hora de exercer sua profissão não torce; por isso mesmo não entendi a frase. Quando digo que não entendo é pelo fato de, como membro isento da imprensa que sempre foi (sim, o acompanho há mais anos do que pensa... Minas Esporte com Chico Maia,anos 80...era muito legal...),imaginava que estaria acreditando que o GALO é capaz sim de chegar ao título, ainda mais com diferença tão pequena para o líder, de apenas 4 pontos. Fora as contratações FANTÁSTICAS, culminando com a de Ricardinho. Então, caríssimo, se puder me explicar o sentido da frase acima, ficaria muito grato.
    Ah, não precisa me dar as boas vindas, pois leio seu blog todos os dias já (como todo material de qualidade que se preze, não fico sem, oras!); é só o primeiro POST.
    Grande abraço,
    Renato Mello.

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