quinta-feira, 22 de outubro de 2009

PORCO SUJOU A PRÓPRIA ÁGUA

PORCO SUJOU A PRÓPRIA ÁGUA

É comum a Imprensa recomendar ao time grande pra tomar cuidado no enfrentamento contra qualquer pequeno “porque porco magro, também, suja a água”. Pois é, em Santo André, o Porco – apelido do Palmeiras – que já esteve gordo neste Campeonato Brasileiro e tem emagrecido a cada rodada da reta final, teve seu quarto jogo sem vencer: um empate e três derrotas. A última, diante do Santo André (2 a 0), botou lenha, gasolina, álcool e gás na competição.

Os dois gols de Nunes, o futebol de Camilo, ex-Cruzeiro, e a sorte e a competência do goleiro Neneca fizeram a festa de milhões de torcedores, afora dos palmeirenses. Até quem não está G-4, como Flamengo e Cruzeiro mandou acender velas em comemoração. A diferença de quatro pontos pode ficar reduzida a apenas um, se o Galo fizer o papel dele contra o Vitória no Mineirão neste sábado.

Imagino como será a festa no estádio da Pampulha, transmitida por todas as rádios de Minas Gerais, inclusive as sofridas emissoras do interior, se o cartola da Ademg, Dirceu Pereira, deixar.

Noite de quarta-feira negra para o Verdão e para o Botafogo. Este no Brasileiro, caiu, por enquanto, pra zona de rebaixamento. Na Copa Sul Americana, perdeu de 2 a 1, em Assunção, para o Cerro Porteño. No entanto, os cariocas que enfrentam o Flamengo domingo podem sair, de novo do buraco negro, caso vençam – o que espera a torcida cruzeirense – o clássico.

No torneio continental, existe o consolo: o gol na casa do adversário deu-lhe a vantagem: se vencer por apenas 1 a 0, na volta, classifica-se.

Na Liga dos Campeões da Europa, o goleirão Dida fez tudo pra estragar a festa dos brasileiros do Milan no Santiago Bernarbeu. Levou dois frangos. O primeiro horroroso, coisa de principiante. Quem se encarregou limpar a barra de Dida e de trucidar (3 a 2) o poderoso Real Madrid foi o menino Pato, autor de dois gols de oportunismo, e Ronaldinho Gaúcho, enquanto teve fôlego.

Falando em goleiro, me veio à lembrança o nome de outro goleiro que brilhou no Cruzeiro, além de Dida e Raul. Quando por aqui aportava este filho do Sodico, por volta de 63, o Cruzeiro acabara de dar um drible no Atlético (genialidade de Felício Brandi): roubou-lhe o goleiro Fábio.

Não era alto, tinha 1,70 e pesava 69 quilos. Mas de uma qualidade impressionante.

Fábio Arlindo Medeiros nasceu em Porciúncula, pequena cidade do interior fluminense, em 11 de novembro de 1940. Jogava no Operário local e foi indicado ao Atlético. Chegou e tomou conta da posição que andava carente, após a saída de Marcial. Ficou pouco mais de dois anos em Lourdes: em 1963, Felício Brandi que tinha em mente fazer um grande time pra inauguração do Mineirão (em 1965) tratou de tirar Fábio do Galo. Deu uma confusão dos diabos!

A troca debaixo dos panos trouxe problemas incontornáveis para Fábio e ele foi emprestado ao Vasco, em janeiro de 1964. Voltou em 1965 para integrar o grande time que Felício. Aí chamou a atenção do São Paulo. Naquela época, era fácil vir aqui em Minas e levar nossos craques para o eixo Rio/São Paulo.

Em janeiro de 66, Fábio foi jogar no São Paulo, numa troca envolvendo o atacante Marco Antônio e de quebra veio um menino de 18 anos, paranaense, chamado Raul Guilherme Plasmam.

Fábio esteve entre os 40 selecionados para o Mundial de 1966, mas foi cortado. Campeão paulista em 1967, retornou no ano seguinte para o Galo. Depois andou pelo Sport do Recife e encerrou a bela carreira. Em 82 jogos no Cruzeiro, este Fábio tomou 51 gols.

O atual, Fábio Deivson Lopes Maciel, nasceu em Nobres/MT, no dia 30/09/1980. Mede 1,88 e pesa 89 quilos. Está no Cruzeiro desde 2005 e veio pra resolver a lacuna deixada por Gomes, campeão da Tríplice Coroa em 2003 e negociado com o futebol holandês. E como resolveu!

Sem dúvida, o grande ídolo da torcida. Mas atravessou alguns pantanais assombrados pra chegar onde chegou no time da Toca da Raposa e no coração do torcedor.

Esta questão já pouco importa. Fábio faz um Brasileiro sem nenhum grande erro. Discute-se uma falha sua no jogo tal, ou naquele outro, mas não há como contabilizar os momentos extraordinários em que tirou o Cruzeiro do sufoco. Tem crédito para mais uns cinco anos.

Fábio começou a carreira em 1995, no infantil do União Bandeirante-PR. Passou a frequentar com constância as seleções de base brasileiras. Em 1999, veio emprestado para o júnior do Cruzeiro, com o passe valendo U$ 800 mil, após destacar-se no Mundial Sub-20. Em 2000, virou reserva de André, nos profissionais.

O Cruzeiro não topou investir aqueles poucos dólares em Fabio (se arrependimento matasse, né Zezé?) e ele foi devolvido ao futebol paranaense. Ficou pouco tempo. O Vasco o levou para São Januário. Não me lembro exatamente, mas parece que entrou na Justiça contra o clube e Eurico Miranda o colocou na lista negra – graças a Deus.

Foi contratado pelo Cruzeiro, em 2005, numa transação enrolada. Os mineiros deram uma grana alta e mais o passe em definitivo de Alex Dias; o Cruz de Malta ficou, ainda, com 40% do goleiro.

A perda da Libertadores este ano doeu mais em todo mundo por causa de Fábio. Fez uma excelente competição e por causa disso voltou à Seleção Brasileira. Somou 16 convocações.

Fábio ganhou os seguintes títulos: Copa do Brasil de 2000, Brasileiro de 2000, Copa Mercosul 2000, Campeonato Carioca de 2003 e Mineiro de 2006. Com a Seleção foi campeão Sul Americano sub-17, em 97; Mundial sub-17 no mesmo ano e da Copa America em 2004, no Peru.

Este excepcional atleta fez 296 jogos pelos celestes e sofreu 341 gols. Então, direis: “você tornou a Trincheira mais informativa?” Nada disso. Nem pesquisei.

Os números dos dois Fábio me foram fornecidos pelo boa-praça Marcone Barbosa, da Assessoria de Imprensa do Cruzeiro, a meu pedido. A intenção é homenagear Fábio sem babação de ovos. Também tenho direito à tietagem.

Me passou pela cabeça a ideia de comparar os números destes dois ídolos cruzeirenses: o atual de maior prestígio e números melhores; e o primeiro, o garoto lá de Porciúncula, sem a mídia de hoje, vive na lembrança de quem gosta do futebol jogado com arte.

Não me falem mais que Celso Roth é retranqueiro, medroso, depois da afirmação incisiva que fez no programa Arena Sportv: “O Atlético vai ser campeão". Nenhum treinador comedido, medroso, falaria com tanta ênfase em defesa de seu time.

Quando muito diria, com singeleza que uma cínica ética exige nessas ocasiões, que, se os outros times bobearem, se o Palmeiras não parar de tropeçar como aconteceu pela quarta vez em Santo André, o Galo chega lá. E chega mesmo.

PITACO DE FAIXA: "Estamos trabalhando para ser campeões" de Celso Roth no mesmo programa do Sportv.

Quando Emerson Leão ainda era treinador do Galo, a Trincheira, ainda publicada no jornal do deputado Vitório Medioli, informou que Alexandre Kalil estava atrás do goleiro uruguaio Carini. A informação chegou-me, via Wilson José, o repórter mais bem informado de Beagá.

Fora disso, é estultice certos meninos pretenderem assumir a paternidade de tudo que acontece nessas bandas. E como sou bobão lá do São João do Caratinga, não puxo o “esse”, nem torço pelo Flamengo, ignoro como se consegue fazer uma entrevista “exclusiva” com alguém que dá entrevista todos os dias na Cidade do Galo.

Pitaco do óbvio: Além da obviedade da informação sobre exclusividade, visto que o dito atleta, naquele momento, só falava mesmo pra dita emissora, dona da exclusividade nada exclusiva. Ainda vou entender: sou da roça, mas não sou bobo.

Um abraço para o ex-prefeito de Caratinga, Ernane Campos Porto, que, também, é da roça e não é nada bobo. A partir de hoje passa a receber no escritório esta perigosa Trincheira e, com certeza, estará disposto a acessar o blog – www.flavioanselmodepeitoaberto.blogspot.com e pitacar a vontade. Afinal, foi craque no Nacional de Muriaé.

4 comentários:

  1. Grande Flavio, em relação ao Fábio, julgo tratar-se do melhor goleiro em atividade pelos campos brasileiros, só perdendo para o Julio Cesar da Inter.Só o professor Dunga não enxerga isso (ainda bem,pois assim não desfalca o Cruzeiro).Ele é duzentos vezes melhor que Helton,Doni,Vitor e até que o querido Gomes(outro idolo azul).
    Gostaria de comentar tb sobre o Adilson Batista.Acho que a diretoria celeste tem que fazer um esforço para tentar manté-lo.Dois motivos me levam a pensar assim.O primeiro é a inquestionável qualidade dele.Sabe muito,estuda a adversario,muda o jogo,enfim trata-se de um grande tecnico.O segundo é a total falta de bons nomes no mercado.Tirá-lo e trazer quem? Levir,Geninho(argg),Cuca,Leao...Ou seja, as popções são fracas e eventuais nomes que podem substituí-lo à altura como Mano Menezes e Muricy, dificilmente virão.Portanto, mesmo não conseguindo a classificação à Libertadores, penso que o Adilson deve ser mantido para 2010.
    Um grande abraço.

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  2. Estou vendo é a torcida arco-iris desesperada, indo ao shopping oi comprar camisa do vitória, fluminense, goiás, flamengo, são paulo, palmeiras, inter, corinthians e coritiba. Além de terço, mais milho para rezar ajoelhado e aspirina com recomendações na bula: Isso não é um pesadelo!
    Mas é assim, quem não tem time que torça pros outros.
    Nada como um dia após o outro, né Zezé Perrela?

    Marcelo Andrade

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  3. "OLÁ AMIGOS DA BOLA...."

    PARABÉNS PELO BLOG E UM ABRAÇO A TODOS DO SÓ ESPORTES, QUE OUÇO TODOS OS DIAS.

    PARA APOIAR AINDA MAIS O GLORIOSO SÓ TA FALTANDO O GRITO, MODIFICADO, QUE QUERENDO OU NÃO, TRAZ BOAS LEMBRANÇAS DOS IDOS ANOS DE 2006: ÔÔÔÔÔÔ..VAMOS SER CAMPEÕES GAAAAALOOOOOOO!!!

    ABRAÇOS!

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  4. Rumo aos 9 pontos e a liderança. Botafogo (outro freguês alvinegro todo empolgadinho com a importantíssima Sulamericana e cansado), Barueri (em SP, nossa torcida manda e o Mengão tá detonando todo mundo desse estado lá dentro do campo deles) e Santos (timinho do ex-ótimo treinador, jogo no Maraca, onde ninguém vai conseguir bater o time de melhor futebol hoje no país).

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