terça-feira, 6 de outubro de 2009

TÉCNICO DE CONTRATO LONGO, MITO OU REALIDADE

Eu tinha posição definida quanto à validade de contratos longos para os técnicos. Fatos positivos fundamentavam tal teoria, aliás defendida pela maioria absoluta dos pitaqueiros da mídia. Já não tenho mais essa convicção. Ou pelo menos não a tenho com a mesma intensidade do início do ano. Tudo por causa de Palmeiras, São Paulo, principalmente; e mais Coritiba, Atlético Paranaense e Vitória, que mudaram de treinador, e ganharam vida nova. Os números comprovam como Murici Ramalho e Ricardo Gomes, para citar os dois, desmentiram a velha teoria.

Celso Roth entra nessa lista. Aportou na Cidade do Galo uma semana antes da estréia no Brasileiro contra o Avaí (2 a 2), lá em Floripa. No seu primeiro jogo, venceu e não levou: fez 3 a 0 no Vitória, pela Copa do Brasil, e saiu nos pênaltis.

Não havia, naquele tempo, quem acreditasse na campanha de hoje do Galo (exceção, talvez, pra Alexandre Kalil). Nem Roth que assumiu a vaga de Leão sob o signo do desastre: lutar pra não cair. Depois, focou a Sul Americana. Por fim, por uma vaga na Libertadores. Atualmente, com todo direito, sonha com o título.

Murici deixou o São Paulo sem esperança, depois de várias conquistas. O Palmeiras despencava com Luxemburgo e fez a troca: levou o irascível treinador, mas ganhador. Sem Murici, os sãopaulinos acreditaram no impossível: o sucesso de Ricardo Gomes. Este não tem nenhuma marca importante no futebol tupiniquim. Ambos acertaram.

Outros exemplos positivos: o Vitória entrou em decadência com Paulo César Carpegiani e buscou Wagner Mancini. Subiu. Está em oitavo lugar. O Flamengo, em franca ascensão, convocou de novo o ex-craque Andrade, humilde, de fala mansa, mas que o grupo respeita. Tá em sexto lugar.

Coritiba e Atlético Paranaense que estavam atolados no buraco negro convocaram o jovem Ney Franco e o veteraníssimo Antônio Lopes. Foram recuperados e estão quase livres do descenso. A fórmula do Cruzeiro, no entanto, há dois anos com Adilson Batista desgastou-se após a perda da Libertadores.

Bom, alguém pode rebater que os números dizem o contrário. O Cruzeiro paga agora o preço de ter esnobado o Brasileiro em razão da Libertadores. No returno, sua campanha tem sido boa. Como boa? Com 50,96% de aproveitamento?

Dos 17 confrontos que disputou depois da derrocada continental – se é que se deve considerar derrocada o vice-campeonato – os celestes tiveram sete vitórias, cinco empates e cinco derrotas. Convenhamos, campanha ridícula. Bem abaixo da tradição da equipe que a Fifa coloca entre as 10 mais ganhadoras do mundo.

Este time remendado e descaracterizado a cada partida, fez apenas 27 gols e levou 25. Grande parte deles no terceiro tempo, como aconteceu em Floripa, domingo passado.

O Internacional foi outro time que jogou a toalha quanto ao trabalho longo do treinador. Tite estava no cargo há quase dois anos e caiu agora, porque a fase não corresponde aos investimentos. E antes que a vaca vá, em definitivo, pro brejo com chifre, berrante e o pião de boiadeiro juntos.

PITACO: Ou o Adilson Batista renova os conceitos atuais e acabe de vez com as invenções que rotula de “situações de jogo” ou a gente terá de aceitar que o melhor é trocar já pra começar os preparativos de 2010.

A Seleção Brasileira, já classificada para o Mundial da África, bem que ter dado um refresco para os times brasileiros. Que nada! Dunga manteve a convocação dos “brasileiros” e vários times têm problemas sérios nessa rodada intermediária que começa nesta quarta-feira à noite.


São jogos importantes que poderão mexer com os dois G-4: o do Bem e o do Mal. Fiquemos de antena ligada nos seguintes confrontos: Atlético Paranaense x Grêmio; São Paulo x Coritiba; Fluminense x Corinthians; Vitória x Flamengo; Internacional x Náutico. Interessam a dupla mineira.

Nesta quinta-feira, a rodada se encerra e tomara que seja de maneira auspiciosa pra nós: Cruzeiro x Goiás, no Mineirão; Palmeiras x Avaí, no Palestra Itália; Botafogo x Atlético, no Engenhão. Se fizermos nossa obrigação, poderemos colher bons frutos. Até a Raposa atrás das uvas maduras.

PITACO DE OURO: “Sou um comentarista de ouro. Se derreter dá um anel” do companheiro do Jogada de Classe, Marcelo Bechler, uma das boas revelações da crônica esportiva mineira.

Tomara que minha língua se queime, mas o Galo não terá ataque contra o Botafogo. Os desfalques de Diego Tardelli, 14 gols, servindo à Seleção até o dia 14, e Eder Luis, 10, com um rombo no tornozelo direito presente de Xandão, do Barueri e costurado com 16 pontos, farão a tranqüilidade da defesa botafoguense.

O colombiano Renteria, que a Trincheira chegou defender para o lugar de Eder Luís, quando este estava mal, jogou quatro vezes e não rendeu nada. Alessandro, que deixou o Cruzeiro pra fugir da reserva, no Galo mostrou que é mais farofeiro do que fazedor de gols. Por favor, me desmintam...

O técnico Estevam Soares reserva o Botafogo com uma equipe mista mineira pra vencer o Galo. Tá cheia de jogadores conhecidos por essas bandas. Vejam: o goleiro Jefferson, o lateral Alessandro, o beque Wellington, os volantes e meias Fahel, Léo Silva, Lúcio Flávio e Reinaldo.

Suas perdas, no entanto, também são pesadas: Victor Simões e Leandro Guerreiro, com terceiro cartão.

Por que se preocupar com a possibilidade da volta de Kleber contra o Goiás se não há nenhuma garantia de que ele esteja, realmente, recuperado da caspa, digo, pubalgia que o atacou após a perda do torneio continental? A preocupação tem que ser com quem, realmente, mantém compromisso com o Cruzeiro: Henrique. Ele passou mal em Floripa.

Sem Henrique e Fabrício, este desfalque certo por causa do terceiro cartão, apesar de o Goiás ter problemas bem maiores na defesa, Adilson estará preso em perigosa teia de aranha. Meu receio é que ele cisme de inventar, de novo, Jonathan de volante. Há tempos sonha em transformá-lo num novo Ramires.

Outros riscos: contra o Goiás, a Raposa começa a escalar a equipe que enfrenta o Galo na segunda-feira, dia 12, feriado. Isso porque seis rapazes de sua turma estão dependurados com dois cartões: Gilberto, Thiago Ribeiro, Elicarlos, Fabinho, Kleber e Jancarlos. Este carta fora do baralho.

Dos famosos repatriados, Fred é a grande decepção. Não joga e é acusado de ser o responsável direto pela ruptura no elenco do Fluminense, causadora dos estragos no Brasileiro. A esperança do técnico Cuca é que Fred jogue contra o Corinthians tudo o que deixou de jogar até agora no tricolor pelo alto salário mensal de R$ 400 mil, dos maiores no futebol tupiniquim.

Tem que fazer tudo em 45 minutos, porque seu fôlego atual não dá pra mais.

Corinthians insiste em acertar logo com o lateral esquerdo Júlio César, do Goiás, destaque do time de Hélio dos Anjos na competição. Segundo o diretor Mário Gobbi, Júlio César, realmente, interessa ao Timão, porém nada tá fechado.

Motivo simples: Júlio César pertence ao Cruzeiro que o emprestou ao Goiás até dezembro. Porque Adilson Batista quis assim.

Ao assédio corintiano, os azuis respondem que depende de Adilson a quem Perrela propôs mais três anos de contrato. Adilson não respondeu nada. Se ele ficar, Júlio César será do Timão.

Um comentário:

  1. Daylton - São José dos Campos - SP6 de outubro de 2009 14:50

    Estimado Flavio,
    Sua análise foi perfeita, e vejo que vc já está no barco daqueles que quererm o Adilson fora do outro barco, o Cruzeiro. Não por que o Adilson seja um técnico ruim, nada disto. Ele não precisa provar nada, é um bom técnico, tem muito futuro, é dos melhores. Já até falam que o Inter fechou com Mario Sergio até o final do ano, por que o Adilson irá para o Beira Rio em janeiro.
    Porem, no Cruzeiro, o Adilson ja completou um circulo e faz tempo. Ele continua fazendo leituras de jogo que só ele vê. Quem sabe, da área técnica a gente não veria um jogo diferente igual ao que só ele vê?
    Mas duvido que outro no lugar dele substituiria um armador (unico do time) por um zagueiro ou um volante marcador, com o time vencendo o jogo, aos 35 min do segundo tempo. Contra o Vitoria e Avaí, deu no que deu, perdeu 4 pontos. Faz as contas, com 36, estariamos com 40 em sétimo lugar.
    Renucniar ao meia de criação para escalar 4 volantes marcadores (dentre eles um meio a meio, o Gilberto)é o que ninguem vem fazendo nos outros times. Palmeiras, o lider, nao joga sem dois meias de criação, São Paulo idem, até o Galo... só nosso professor gosta de chamar o adversario para cima de sua defesa. Faz as contas, contra o SPaulo e contra o Palmeiras no mineirão. São mais 6 pontos desperdiçados porque o jogo era nosso, perdemos na hora que o time nao conseguia manter a bola na outra metade do campo. Com 46 pontos estariamos no G4, em quarto.
    São apenas suposições... mas o que seria o futebol se elas nao jogasse?
    Um abraço
    Daylton

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