quinta-feira, 19 de novembro de 2009

FALTA DE RESPEITO AO SER HUMANO

Duas classes profissionais precisam de melhor análise da opinião pública: a dos políticos e dos jogadores de futebol. Na ótica geral dos cidadãos comuns, talvez até motivados pelo sensacionalismo de parte da Imprensa, os primeiros são ladrões, corruptos e interesseiros; os outros são mercenários, sanguessugas e sem nenhum amor a profissão. A Imprensa gosta dos escândalos políticos, dos arroubos dos agentes, do ambiente circense que alguns criam. Mas nem todos são assim.

O Brasil precisa do futebol tanto quanto dos bons políticos. O futebol profissional é o sonho de milhões de jovens, e a sua qualificação hoje exige mais que o talento nato. Os futuros craques têm que ser atletas antes de tudo. Depois, homens públicos, políticos da divulgação da realidade nacional. Tornam-se produtos de exportação que trazem divisas em euros e dólares para o Brasil.

Como qualquer outro atleta de ponta do mundo, ficam milionários quando cumprem bem suas funções. Um exemplo de atleta e homem: Kaká. Não há nenhum mal em ficarem ricos na profissão escolhida. Por isso devem ser usados como exemplo e nunca como fator de inveja, ou pregação de má distribuição de rendas.

Até porquê a maioria ganha lá fora e aplica aqui no seu País. E lá não são exemplos de má distribuição de rendas. São exemplos de sucesso, que não incomoda como acontece aqui em nosso País.

Da mesma forma, ao generalizar a corrupção na política faltamos com respeito ao ser humano que, por convicção e vocação de servir, entrou na vida pública. Nem todos são ladrões ou corruptos! Existem bons e maus políticos; como em qualquer profissão.

O maior perigo que vejo nessa generalização é a pregação de que se deve erradicar o banditismo instalado no meio político com a anulação do voto, ou a justificação eleitoral. O omisso ou acomodado prefere ir pescar no dia das eleições e justificar-se depois para ficar quite com a Justiça Eleitoral.

Mau brasileiro, péssimo cidadão. O nosso voto é a arma que temos na guerra contra os corruptos. A culpa é nossa se eles infestam as casas legislativas, os palácios e as municipalidades.

Não vou votar mais, porque não existe nenhum político que mereça meu voto” é uma estultice que serve apenas para mostrar a falta de conhecimento de quem pensa assim. Uma pessoa alienada, descompromissada com os altos interesses da Nação. O cidadão honrado vota convicto de que se candidato será grande político, porque analisou antes a vida pregressa dele, sem interesses de amizade ou parentesco. Sem interesse pessoal.

No caso do futebol profissional, o melhor exemplo é o do Cruzeiro. A campanha do time que o levou à decisão da Taça Libertadores perdeu qualquer sentido. Vale agora a decepção da perda do título em pleno Mineirão diante de 60.800 torcedores.

No Brasil, vice-campeonato no futebol não tem nenhuma expressão. O ano de 2009 tornou-se uma legenda negra na história do clube. Ano em que as decepções viraram rotina.

A paixão do torcedor comum permite que ele sofra tais frustrações.

No entanto, não lhes permite execrar os profissionais que poucos dias antes idolatravam. Rotulá-los de mercenários, incapazes, insensíveis, covardes, de uma hora pra outra. O torcedor que encheu o estádio e saiu envergonhado, amolado, pensa que os atletas nem ligam pra derrota.

Que após o jogo, pegam suas famílias e vão todos jantar num restaurante de luxo, numa grande roda de amigos e companheiros, alegres e degustando o melhor e mais caro dos espumantes.

Porém, não é bem assim! São seres humanos normais. Vestem a camisa do time onde jogam; e não poderia ser diferente. As derrotas causam rombos profundos nos profissionais conscientes, como causam nos corações dos torcedores.

Nos profissionais, as derrotas servem de sinal de decadência, perda de altos prêmios, chance de chegar à Seleção Brasileira, ou de disputar um torneio continental que o mundo inteiro acompanhará.

Inclusive os grandes empresários intermediários de contratos milionários. Nenhum deles é doido suficiente pra queimar dinheiro. Na Toca da Raposa, o olhar dos atletas está ensanguentado de vergonha, de sentimento de culpa. São profissionais inconsoláveis; ninguém tem mais coragem de pedir apoio aos torcedores no atual momento.

Por isso, entendo que as críticas aos atletas que jogaram mal ou não corresponderam às nossas expectativas fazem parte da profissão. Errar o alvo de propósito e acertar o cidadão é desonesto. O atleta/cidadão merece respeito.

Faço tais colocações apesar de condenar as atitudes de Obina, Maurício e dos atletas do Fluminense e Cerro envolvidos na briga generalizada do Maracanã. Mas uso os incidentes como fundamento do estresse que eles sofrem, debaixo de vigilância constante, impedidos de errar.

Qualquer ser humano nessas condições, no fim de temporada, estará sujeito a fugir de seu autocontrole e cometer as mesmas estultices. Se eu estiver errado, que atirem a primeira pedra.

3 comentários:

  1. Flavio, parabéns pelo novo "design" do site. Um site com tanto conteúdo como o seu merecia uma aparência bacana como esta.
    É muito bom ver grandes nomes da crônica mineira na ativa e realizando um grande trabalho em prol do futebol mineiro.
    Meus parabéns e continue assim.
    Um abraço.
    Se quiser me der uma força e visitar meu twitter ficarei grato: https://twitter.com/F_F_C_

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  2. Falô Cambraia, é porque a gente tem muitos amigos por aqui. Obrigado e vou sim dar um pulo no seu twitter

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  3. Rênio de Uberlândia20 de novembro de 2009 16:20

    Falta de respeito é a tabela do campeonato mineiro que a FMF fez protegendo o Ipatinga que já caiu pra Segunda divisão e vai cair pra terceira.

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