sábado, 20 de fevereiro de 2010

MEIO QUILO E O ÓRGÃO DE ENTRE FOLHAS

A RECOMENDAÇÃO do técnico que examinava a lentidão atual e inexplicável do meu micro fez com que eu saísse atrás de arquivos antigos, já lidos, salvos e repetidos. Lembrei-me de uma conta Yahoo que desativei quando deixei um jornal da Capital e na qual chegavam os mais estapafúrdios recados. Só então, ao abri-la, lembrei que a dita estava na rede Genteminha, da rapaziada de Caratinga.

CURIOSO, fui abrindo algumas das 2.500 mensagens antes de deletá-las e interessei pelo bate-papo do meu amigo Wagner Martins, poeta, proseador e escritor, exilado voluntariamente nos santos ares de Sabará, devorando ora-pro-nóbis com costelinha, no almoço e no jantar. Que inveja! Sua interlocutora, a conterrânea Cristina Zopelar.

DECIDI botar a Trincheira na luta reclamada por Wagner, que até cita meu nome. E com ela convocar caratinguenses ilustres e importantes, fora da Santa Terrinha, como Ziraldo e sua Turma do Pereré, via Pedro Tatu Vieira; Zélio, meu ídolo no Sampa; Ruy Castro, que com certeza receberá a coluna via alguém; a jornalista Miriam Leitão; o maior cantor do Brasil, Aguinaldo Timóteo, professor Augusto Ferreira Neto, enfim todos aqueles defensores da cultura tupiniquim e de Caratinga, especificamente.

CLARO que aqueles que não deixaram o solo abençoado por São João Batista têm responsabilidade, também. Sylvio Abreu, Maxs Portes, Marilene Godinho, Edras, Camilinho, o secretário Juarez, os irmãos Leitão e até a turma que tem enganado com a história do novo Hospital Regional, sobre o qual falarei em outra oportunidade.

TRANSCREVO a seguir os assuntos:

WAGNER fala em sua mensagem a Cristina do órgão importado que se encontra em precárias condições na Matriz semi-destruída de Entre Folhas, hoje cidade, mas há alguns anos, distrito de Caratinga. Conheci o equipamento há uns quatro anos ao visitar EF em companhia de meu saudoso irmão Zito.

A IGREJA tem belíssimas pinturas de um artista local, Salvador Mantuano. Antes de Ney Franco, nome de destaque na arte do futebol nacional. EF teve Meio Quilo, que curti muito na TV Itacolomi e cheguei a trabalhar com ele pouco tempo na emissora. O meu mano Fábio Paceli, câmara da Itacolomi, conheceu bem o Meio Quilo.

NA PAPO de Wagner Martins e Cristina Zopelar se vê o desatino de pessoas que querem ajudar sua pobre cidade e não conseguem apoio.

O POETA de Sabará diz que o órgão é uma raridade “e me parece que temos somente três similares no Brasil ou em Minas. Sei que Mariana tem um”, informa ele. Do meu lado fiquei sabendo que existe outro em Congonhas.

EM QUALQUER outra cidade de prestígio a Fundação Roberto Marinho já teria tomado dinheiro do Governo pra se promover na restauração desses bens históricos.


NÃO CUSTA lembrar que o deputado federal Mauro Lopes nasceu lá. Tanto que a estrada entre a Rio-Bahia e Entre Folha anda um brinco. Mas, como cultura não dá voto, tá escondida no bolso traseiro do político e de outros que por lá arrecadaram alguns votinhos nas épocas devidas e não voltaram mais, como o tal de Marcelo Siqueira

ESCREVE mais proseador: “eu não tenho muitas vontades mais de ficar me preocupando com Entre Folhas não, porque, não gostam muito de minhas opiniões lá não; mas acho uma grande maldade, não reverenciarmos pessoas como o Fausto Meio Quilo e o Salvador Mantuano.”

“Fizeram um absurdo ao desmancharem o teto da igreja com aquelas obras de arte de Salvador. Aquilo poderia ter sido restaurado. Certa vez um cara escreveu um livro sobre Entre Folhas, gastou vários capítulos falando da construção da igreja e não fala uma linha de Salvador Mantuano. É um absurdo isso”.

CRISTINA presta outras lamentáveis informações: “sei sim da importância histórica do Órgão da Igreja Matriz, lindo, e não sabia que está nestas condições, você se esqueceu do sino da torre. Acho que os 2 foram doados pelo Vaticano à Paróquia de EF , se não me engano pelo Papa João XXIII”.
WAGNER Martins sugere que seja aberta campanha pra resgatar a memória de Fausto Meio Quilo, de Salvador, salvar o órgão da Igreja, reconstruir o templo.

ONDE podemos chegar, amigos, sem depender dos políticos, e conseguir tais verbas? Nada é impossível com a força cultural que Caratinga tem no País.

PARA QUEM ainda não sabe – Ziraldo, a Turma do Pereré, Zélio, Aguinaldo, professor Augusto, Ruy, e talvez Miriam, sabem – o anão Meio Quilo ou como informa Wagner “o Fausto Quinzum, o Palhaço Meio Quilo, fez parte da história do Cinema Novo”.

“FOI DIRIGIDO pelo grande Nelson Pereira dos Santos; contracenou com os maiores astros do cinema nacional, como Jofre Soares, Henriqueta Brieba, Hugo Carvana, Chico Anísio, Milton Morais, Dorinha Duval, Walter Dávila, Wilson Grei, Emiliano Queirós, Daniel Filho entre outros.”

“NEM uma ruazinha em Entre Folhas ou Caratinga – sua terra natal – a reverenciar sua memória. Fosse eu prefeito de uma dessas cidades, mandaria fazer uma estátua dele e a colocaria na praça principal”, reclama Wagner.

FINALMENTE, ele lembra aos homens de memória curta, como somos todos, que “Fausto, o Meio Quilo, fez a alegria de uma geração de crianças e moços. Era anunciado como atração do Circo do Carequinha: "O Circo do Carequinha, com Fred, Zumbi e Meio Quilo".

COM CERTEZA, meu caro Wagner Martins, - como me rotula minha netinha Ana Flávia de 4 aninhos – “letrozeiro” de primeira ordem, é preciso que façamos algo.

5 comentários:

  1. o luxa disse: depois que eu sair do cruzeiro,eles nao ganharao mais nada! e o luxa o que ele ganhou depois que saiu do cruzeiro.

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  2. Flávio, sua crônica ativou minhas saudades. Realmente tantos filhos ilustres nossa Caratinga gerou, mas pode tirar desta lista o Rui Castro (Ruizinho, para mim), das inúmeras entrevistas dele que li e vi, ele se declara carioca, diz que nasceu em Minas (sequer cita Caratinga) por acaso. E pensar que cheguei a brincar com a irmã dele, Ana Maria, que faleceu ainda criança - éramos na época vizinhos, foi ainda em 1959 quando fui morar com meu avô - Tãozinho Villela - para estudar o "infantil" no colégio das irmãs.
    O que os políticos não fazem, abre espaço pro povo fazer. Preservar a memória cultural não rende voto, não interesa a nenhum político, isso é coisa pra nós, simples mortais.
    Margareth Villela
    margarethvillelaamaral@gmail.com

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  3. Boa noite, Flávio.
    Por vezes, recebo de um torcedor cruzeirense a sua coluna e sempre percebo o quanto fala com o coração, porém, coração de cruzeirense. Creio que, por ser um formador de opinião, deveria antes de tudo não escancarar sua volumosa predileção pelo seu Cruzeiro, mas se atesse a reconhecer o mérito, quando este existir, dos adversários que o enfrentam. No último jogo do Atlético e Cruzeiro, o galo mineiro deu um banho de bola na raposa e somente você, cético que me parece às vezes, comentar o contrário, como se em Minas existisse apenas o seu dileto clube. A opinião de todos aqueles que assistiram ao jogo é reconhecidamente de que o Atlético foi bastante superior. Por causa de sua visão sempre unilateral, pedirei ao amigo que envia-me suas crônicas e comentários, que pare de fazê-lo, pois uma das coisas mais irritantes é ler matérias de torcedores que enxergam apenas uma cor de uniforme, o que não deveria ser uma insignia sua, por achar que você mostra-se, antes de tudo, um respeitado comentarista do mundo da bola que rola em nossa glorioso Estado - nossa querida Minas Gerais. Seja menos parcial das próximas vezes, senão correrá o risco de ficar lendo sozinho suas próprias matérias, ou mesmo somente por aqueles, como você, cegos de carteirinha. Saúde e sucesso para você.

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  4. Obrigado, Flávio, muito obrigado mesmo. Precisamos de toda a força necessária e possivel para conseguir manter de pé aquilo que temos e que não nos fora dado por favores impagáveis, ou por meios escusos. Nossa memória cultural, esteja onde estiver, é algo sublime, é coisa incomprrensivel, é fato expontâneo, que não se fabrica em formas, ou em gabinetes. Chegaremos lá, agora com seu reforço fica ainda melhor. O melhor de tudo isso, é que, como se diz no mundo do futebol, temos um belo banco de reservas nos dando suporte.
    Precisamos encontrar o Carmélio Mantuano, filho de Salvador, que é Procurador da Fazenda Nacional, por certo aposentado hoje, e com expressiva influencia no mundo do Direito, por onde estiver. Com o meu abraço

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  5. Este livro que vc está lançando hoje no Marilton's pelo título deve estar homenageando as moçoilas torcedoras do time azul calcinha.
    "Divinas Marias" , que coisa gay. É algum jabá?
    Vc não tem capacidade alguma de escrever um romance ou qualquer obra literária séria.

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