terça-feira, 29 de março de 2011

O DOMADOR DE CAVALO BRAVO

No auge de sua luta contra o câncer, que o derrotou e o matou nesta terça-feira, José de Alencar, metade Caratinga, metade muriaense, casado com uma caratinguense, inspirou-se a escrever o conto abaixo. De certa feita, ao sair mais uma vez do hospital em São Paulo, José Alencar, chamado pelos amigos de Caratinga, carinhosamente de Zé 55,seu número no Tiro de Guerra local, com as melhores das expressões que a doença era um cavalo bravo. E que estava acostumado a domar cavalos bravos na fazenda de seu avô. Presto-lhe a derradeira homenagem neste conto:

"Zé Alencar degustou o mingau de milho verde preparado por sua mãe com apetite dos 10 anos. Saiu. O sol nascia. Se bem que antes do cotidiano. Cara de sono, Zé saudou a bela Estrela Dalva, que reinava entre as outras. Brilhante e absoluta. Sentado no tamborete de madeira, enquanto tirava leite na vaca Mimosa, seu primeiro serviço do dia na fazenda, imaginou: “a estrela me diz que o dia será radioso pra mim”.
Maquinalmente, enquanto ordenhava, não perdia seu fascínio pela Estrela Dalva. Mas, com pena afastava o esfomeado bezerrinho que queria exercer seu direito nas mamas maternas: “Eu sei que ocê tem preferência , Cavaquinho, mas o que fazê? ´spera só um pouquinho”.
A mula Estrela, cruzamento do jumento Cretino e da égua Justina, esperava Zé Alencar no curral. Tinham algumas diferenças a acertar. Bicho bravo aquela égua do cão. Há dias tenta montá-la, sem sucesso. Estrela escoiceava e o ameaçava com mordidas.
Zé Alencar tomou café com pão no alpendre da fazenda, após bater uma pratada de mingau maisena na cozinha. Pegou o chapéu de palhinha, presente do pai, que deixava sempre pendurado no mourão da varanda e desceu os dez lances da escada de madeira, sob o olhar vigilante do capataz Zé Corisco, tomando seu café, calmamente, na mesa dos peões.
“Num tá cedo dimais procê ir mexer com essa mula teimosa, sô minino?” perguntou por perguntar, porque sabia que nada demoveria o destemido garoto.
“Que nada, seo Corisco. A Estrela Dalva me alumiou mais e mando o recado que hoje é meu dia de montá a mula Estrela”.
Com ares de gente grande, experiente, Zé Alencar acercou-se do curral. Pegou a corda enrolada na porteira, fez um enorme laço, rodou acima da cabeça e o atirou no pescoço de Estrela. Que habilidade: no alvo! A mula sanhuda pôs-se a pular e distribuir coices à vontade. Aí enrolou a corda na estaca cravada no centro do curral e puxou-a com calma.
Nem pensou mais em botar sela, nem cabresto na montaria. Segurou a corda com a mão esquerda e agarrou-se na crina da mula com a direita. Pulou no lombo da fera em pelo. Ela disparou, aos saltos, em volta da cerca. Zé aguentou alguns saltos até ser atirado à uma boa distância. Levantou-se, sacudiu a poeira e montou de novo. Sorriu par Estrela e desafiou:
“Você vai me derrubar quantas vezes quiser, mas eu levanto e te monto”.
A mula parece que atendeu à determinação do jovem. Rendeu-se. E se quedou vencida, mansa.
A doença/mula continuou a derrubar o menino. Até o ato definitivo. Então já não importava mais: o menino se fez homem importante e cumprira seu papel na Democracia do Brasil. Foi um vice-presidente atuante.


(Homenagem ao menino guerreiro José Gomes de Alencar, vice-presidente da República, exemplo de que este Brasil tem jeito.)

Um comentário:

  1. Flávio o Jose de A. fará muita falta a sua familia mas para o Brasil é um político a menos pois no fundo ele é como todos , não podemos esquecer que ele é um guerreiro porque tinha toda a tecnologia do mundo a sua disposição , todo tratamento custeado pelo governo federal, assim até eu sou guerreiro; queria ver ele guerreiro dependendo do SUS, veja seu caso ja exposto aqui atras do Bradescosaúde, Este homem com a pose toda tinha " uma filha de mulher de zona" , frase como ele mesmo disse em entrevista no Jô e lógico não reconheceu pois seria uma herdeira a mais e como ja sabemos todo mundo é santo mas quando é para dividir dinheiro todos mostram sua cara.
    Concluindo é um pesar para sua famlía mas para o Brasil é uma vaga a mais para quem sabe aparecer o quase impossível ( pra Deus nada é impossível ) , um político honesto.

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