segunda-feira, 4 de abril de 2011

CACHORRO MORDIDO POR COBRA CORRE DE LINGUIÇA

Não conheço Ricardinho, nem Zé Luis.
Conheço o presidente do Atlético, Alexandre Kalil. Desde quando se meteu a comandar o departamento de vôlei do clube, na gestão de seu pai Elias, com ótimos resultados práticos.

Conheço há tempos os defeitos e as virtudes de Alexandre.
O seu amor pelo Atlético herdado do pai. O gênio esquentadol e suas decisões temperamentais. Sei que erra – e errou ou errará – em diversas oportunidades no comando do clube.
Porém, nunca por omissão. Talvez a pressa de responder à ansiedade da torcida, faça Alexandre correr além do normal, cometer deslizes no lugar de acertos.
Mas nesse episódio colocou o braço na seringa alheia.
Se Vanderlei Luxemburgo e Celso Roth não tiveram peito de assumir a dispensa dos dois atletas - que chegaram a pedir , de acordo com a informação de Kalil na coletiva desta segunda-feira – Dorival Júnior teve. Afinal, custou a sua cabeça uma experiência parecida pela qual passou no Santos com Neymar.
Não existe o dito popular de nossos avós: “ Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça?”
Dorival não esperou pela segunda experiência, como seus antecessores que pediram as cabeças de Ricardinho e Zé Luis.
Enão sejamos hipócritas. Por mais que reconheçamos qualidades técnicas em Ricardinho, sabemos que seu currículo como desagregador é mais sujo que poleiro de galinheiro.
Gente de memória curta!
Ninguém se lembra daquela pesquisa de capa da Placar que mostrou Ricardinho como o jogador mais odiado do Brasil?
Não conheço Ricardinho como o conhece o repórter Jaecy Carvalho a ponto de avalizar o seu caráter. Nem faço questão de conhecê-lo, ou a qualquer outro jogador a ponto de validar sua conduta.
Ah, direis, você fez – e faz – isso com outros jogadores?
Sim, não nego. Porém sempre reafirmo que “este jogador me passa a impressão de ser excelente pessoa”, como são os casos, por exemplo, do goleiro Fábio, do atacante Walter Montillo.
Não se ouve, ou se lê, nada que os desabonem.
Portanto, na dúvida entre o que se sabe e se lê sobre Ricardinho e o que dizem Dorival Júnior e Alexandre Kalil, por causa dos antecedentes, fico com os dois últimos
Mesmo porque – aí convoco de novo a necessidade de não sermos hipócritas – Ricardinho e Zé Luis nunca foram os doces de coco da Massa como agora querem transformá-los alguns simpatizantes de última hora.
Pesam mais em favor da diretoria as justificativas da crise. O passado desagregador de Ricardinho e o futebol comum de Zé Luis não podem alicerçar qualquer movimento contra as decisões do treinador, respaldadas pela diretoria.
Ainda que saiba por longa experiência na janela do futebol nego-me a aceitar a revolta de alguns atleticanos, ou simpatizantes, ou meramente desafetos de Kalil como sendo posição da imensa torcida alvinegra. A mesma que há alguns anos exigia que Alexandre Kalil tornasse presidente do clube, ainda que não tivesse o apoio irrestrito do Conselho Deliberativo.
E que não confundam as coisas. Não remar em favor da pequena corredeira de barulho infernal não quer dizer babar nos ovos do cartola, como frisam alguns críticos.
Kalil gosta de beber a água sem quebrar o coco. Diz que as medidas não foram tomadas antes porque haveria uma partida difícil na quarta-feira seguinte, em Prudente, contra o Grêmio. Mas mandou sua assessoria de Imprensa avisar as dispensas de Ricardinho e Zé Luis, num sábado à tarde quando todos os veículos, principalmente os jornais, já estavam recolhendo seus profissionais .
Pegos de surpresos, tiveram que refazer suas gravações, suas páginas. O jogo em Governador Valadares cercou-se de , enorme expectativa não só por causa do resultado que seria importante, claro, mas também pelo alvoroço causado com o anúncio das dispensas.
Barulho desnecessário. Aqui concordo com alguns críticos. Os rapazes poderiam apenas ser afastados, como é costume acontecer, e passarem treinar à parte. De repente, aconteceria o anúncio de um acordo amigável, mesmo que a coisa não fosse assim tão amigável.
Tenho aqui comigo as declarações de Ricardinho, defendendo seu caráter impar, seu profissionalismo exemplar, sem mácula, de jogador de seleção brasileira.
De Zé Luis, dizendo-se decepcionado e até falando em aposentadoria prematura, pois apesar de seus 32 anos entende que tem ainda muito terreno pela frente. Afinal, é atleta que se cuida, voltado apenas para assuntos de família.
Também li as declarações de Kalil justificando as dispensas pedidas antes por Luxemburgo e Roth, que, entretanto, negaram fogo na hora de bater o martelo. Com os dois atletas vigiados, foi só Dorival Júnior pedir a cabeça deles pra ganhar respaldo da presidência. Dorival chamou os dois e anunciou que estavam fora de seus planos.
Kalil se queixa com razão daquela parcela da mídia que se arma com canhão pra matar pernilongos. Este episódio tem que merecer o tratamento de caso corriqueiro no futebol, tanto quanto a dispensa de treinador.
Houve o choque inicial da surpresa, daí pra frente, justificativas apresentadas, o mundo volta a girar normalmente. No futebol sempre foi assim.

4 comentários:

  1. Flavio,

    Dos blogs e twitters que acompanho, seja seus compnaheiros do jogada de classe ou até o estimado Chico Maia o qual acompnmaho de perto, acho que vocé conseguiu traduzir o veredito com serenidade, sobriedade, depois da entrevista do Kalil.Nós pobres torcedores investidos na emoção e não na razão, porque não somos profissionais do futebol, não sabemos nem 10% do que ocorre nos bastidores.
    Um abraço e saúde sempre!
    Bessas
    BH

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  2. Ontem o Álvaro Damião, da Itatiaia, participou do nosso programa na BH NEWS TV: repetiu tudo que havia dito na sexta-feira sobre os jogadores que só são profissionais para receber o salário do Atlético. Citou nominalmente Daniel Carvalho, com quem se encontrou causalmente em um pagode, com muita cerveja. No mesmo dia em que deveria estar em tratamento intensivo para se recuperar dessas contusões das quais ele nunca se recupera.

    Contou também o caso do Diego Tardelli, ano passado, quando ninguém conseguia explicar o motivo da falta de rendimento do time, no início da derrocada do Vanderlei Luxemburgo. O atacante levou um tapa de um torcedor numa boate, que o levou a nocaute.

    Ninguém contou ao Álvaro, pois ele estava na boate e presenciou o fato. Teve inclusive quer ir embora logo em seguida porque o ambiente ficou carregado também para ele, já que os torcedores começaram a questionar o porque do silêncio da imprensa em situações como essa.

    Porque alvaro damiao nao revelou isto antes? existe alguma ditadura a favor do atletico na itatiaia Flavio? Abraços

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  3. o so esportes na alvorada acabou? eu ouvia todo dia..

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  4. Bessas, obrigado pela força.
    Rosas, desculpe-me mas não me meto em briga dos outros. Nada a declarar nem a favor nem contra o caso de Daniel Carvalho.
    Sobre o programa da Alvorada FM acabou sim e não voltará. Pelo menos do meu lado

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