terça-feira, 31 de maio de 2011

LÁ SE VAI OUTRO AMIGO: PAULO ROBERTO



Na estrada entre Poços de Caldas e Alfenas, parte da equipe de esportes da Rádio Capital ali formada por Andorinha, ao volante; Vilibaldo Alves, Paulo Roberto e por mim, chefe das feras na época, curtia a paisagem bela, dos cafezais em flor. Tínhamos transmitido o jogo do Galo no domingo e nesta segunda mudávamos o pouso, diga-se de passagem, por insistência de Vili e contra a opinião de Paulo, pra transmitir outro jogo do Campeonato Mineiro na quarta-feira. A discussão corria na base da brincadeira sobre o pão-durismo de Vili que quis trocar o Hotel Nacional de Poços por um de Alfenas, com diária pela metade. Pra botar fim no acalorado bate-papo, elogiei o cafezal em flor. Paulo Roberto, sentado no banco do carona, sempre reservado para ele, me cortou: “Que isso, chefe? Não é flor e a geada forte da noite que cobriu de branco os pés de café”.
Vili retrucou, rindo: “Você não sabe nada de cafezal, Pé Podre. Isso não é geada p. nenhuma”. Aos 60km, no seu melhor estilo, Andorinha ouvia tudo, calado. Até que não agüentou mais. Jogou o carro para o acostamento, pulou a cerca e arrancou um galho do pé de café coberto de flores. Botou na cara de Paulo Roberto: “Isso é geada, Paulo Roberto?” Mas o extraordinário e polêmico repórter não tinha hábito de perder nenhuma discussão. Devolveu na hora: “ Só se aqui cafezal dá flor, por isso é o melhor do Brasil. Lá na minha terra, Serro, café não dá flor”. Não adiantou nada que afirmar que o café de Caratinga, um das melhores bebidas do País, dá flor e muita.
Assim era Paulo Roberto Pinto Coelho, cuja morte eu soube somente quando cheguei a Beagá, após três dias na Santa Terrinha. Já tinha passado até o enterro. Lamento muito.
Fizemos juntos várias viagens ao exterior. Trabalhamos na Guarani. Aqui me tornei o seu chefe. Depois na Rádio Capital. Aqui ele me chefiou e depois assumi a chefia. Estivemos juntos no Mundialito de 80 em Montevidéu e na Copa de 82, na Espanha. Aos 71 anos, debilitado pelo diabetes, Paulo Roberto subiu para o andar de cima. Mais um reforço espetacular para a equipe de cronistas esportivos que o Pai Eterno chefia por lá. E pra nós aqui, velhos dinossauros, apenas saudade dessa turma de fazer inveja. Assim seja!
Não sei como o Chico Maia conseguiu a foto daquela equipe da Rádio Itatiaia com PR na meia-esquerda. Roubei a obra e peço desculpas. Mas a memória jornalística, apesar de tantas fotos que PR participou, em plena atividade, nenhum ficou registrada no Google.

Um comentário:

  1. Caro Flavio Anselmo,

    Agradeço a voce e a todos os amigos e cronistas esportivos de Minas e do Brasil pelo carinho que meu pai PAULO ROBERTO PINTO COELHO recebeu em sua despedida.Papai sempre dizia" O DIA QUE EU FOR O TIME ESTARÁ FORMADO"
    Januario-Diretor,Kafunga e Oswaldo-comentaristas, Vilibaldo-locutor, "EU-PAULO ROBERTO" e Pinguim reportagem de campo.

    "VAMO QUE VAMO TAMO QUE TAMO"
    "ESQUENTANDO A TURBINA DO SEU RADIO"
    "PAULO ROBERTOOOOO.... OIIIII "

    Que papai do céu tome conta deles.

    Abs
    Luiz Eduardo C Pinto Coelho

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