segunda-feira, 20 de junho de 2011

PAI JOEL QUER O BOPE NA TOCA DA RAPOSA




(Fotos de Marcos Michellon/EM/DA Press)

No seu primeiro dia na Toca da Raposa II, sempre alegre, brincalhão, o técnico Joel Santana não abandonou suas famosas metáforas ao apresentar as metas que já traçou para o Cruzeiro: a) não se referiu à conquista do título brasileiro, mas à uma busca constante da vaga para Libertadores; b) não prometeu milagres, só muito trabalho; c) garantiu que no futebol tem mestrado e doutorado; d) e, finalmente, garantiu que o BOPE chegará à Toca da Raposa: “Agora vai ser igual aquele filme brasileiro que faz sucesso no cinema, o Tropa de Elite; e aquela música: o bicho vai pegar”.
Este é o estilo Joel Santana. Tem a malícia necessária pra não prometer título à torcida, porque pegou o avião no ar. Pelas projeções dos analistas, contas já apresentadas ao Papai Joel, o Cruzeiro para atingir os 71 pontos do Fluminense, campeão ano passado, terá que fazer 69 dos 99 pontos em disputa. Ou seja, aproveitamento de 68%.
É coisa demais, ainda sem levar em conta que o campeonato do ano passado teve pontuação abaixo do esperado pelos analistas. Quer dizer que o campeão terá de conseguir mais que 71%, calculam-se para 2011.
O São Paulo disparou na frente com l5 pontos, quatro a mais que os outros times e os azuis ainda nem saíram da G-4 do Mal com apenas três pontos.
Joel evitou fazer projeções em sua chegada, mas garantiu que sacudirá o elenco e o colocará de novo na briga. Há tempo para se fazer uma grande campanha: “Vamos ver, conto com os meus soldados. Vou conversar com eles. Um clube como esse; vocês da imprensa não vieram aqui à toa. O clube é notícia. As coisas ainda estão nebulosas no campeonato. Agora vamos ver quem é quem.”
Logo se vê que o estilo chorão, pra baixo, derrotista, do ex-treinador Cuca foi exorcizado. Sem grandes vôos de arrogância ou vôos rasos de humildade submissa Joel Santana afirmou que “não vim para ser mais um ou para fazer aventura, não vim jogar conversa fora. Ficar prometendo que sou isso, sou aquilo. Não adianta ficar prometendo muita coisa e encostar para tomar café. Time é trabalho, vamos ver se eu acerto. Vocês vão ver no meu treino o que vai acontecer no jogo. Vim para trabalhar”.
Conversa e alto astral. Com essa linha de comando, ele espera reerguer o time no Campeonato Brasileiro a partir do jogo de sábado, às nove da noite, na Arena, contra o Coritiba, de Marcelo Oliveira que, também, faz péssima campanha no Brasileiro.
Malandro velho não dá murro na ponta de faca. Joel prometeu que “de início, vamos ter o primeiro contato com os jogadores. Futebol são 30 jogadores; há uma desconfiança no início, já fui jogador também. A gente não fica fazendo muita promessa não. É arregaçar as mangas, ir para o campo e trabalhar. Teremos um jogo duríssimo contra o Coritiba, que é uma bela equipe, já vi jogar e precisamos vencer. Não sou homem de promessa, sou de trabalho”.
A discriminação de parte da imprensa nacional e no pedaço das Geraes que gosta de acompanhar a opinião lá de fora, surge da sua idade: 62 anos. No Brasil, uma pessoa nessa idade, na opinião geral, tem que esperar a aposentadoria dos 65, pegar um terço e ir rezar. Com 30 anos de carreira – 25 menos do que eu - Joel disse ter “mestrado e doutorado” em futebol. Tem realmente. Eu tenho também Mestrado e Doutorado, não no papel, mas na prática de jornalismo esportivo. Nada mudou. Apenas somou-se uma arrogância inusitada e inexplicável em certos atores que gostam de se rotular “o cara, que tem a cara do Brasil”. Nem com a miséria e a pobreza de espírito que domina este País ele, no entanto, não chega a tais arrepios.
Os cursos de Joel foram obtidos na experiência em 28 trabalhos diferentes, seja no Brasil ou no exterior, não fez mudar seus métodos. “Eu sou à moda antiga, tenho hábitos antigos. Meu jeito é esse, não posso mudar. A prancheta faz parte da história. Como vou jogar fora um método que me deu oito títulos cariocas, Mercosul, Brasileiro, e outros torneios?”.
Apesar de alguma rejeição, pequena é verdade, entre os torcedores, Joel acredita num bom público contra o Coritiba, horário ingrato de sábado à noite. A era Papai Joel que começou na segunda-feira tem data pra terminar: 31 de dezembro.
Espero que termine bem, com sucesso, e que Joel renove seu contrato por mais um ano, tempo suficiente pra colher frutos melhores deste trabalho recém iniciado.
Mano Meneses, na sua primeira coletiva dentro da fase de preparação para a Copa América, jogou água fria na fervura: botou a Argentina como favorita à conquista do título porque joga em casa. Numa análise lógica, o técnico da Seleção Brasileira está certo, porém poderia até como incentivo aos seus atletas dizer que Brasil e Argentina dividem o favoritismo. E acrescentaria: se eles têm à torcida, nós temos os craques.
A tréplica poderia vir pela atual forma de Lionel Messi, o melhor do mundo. Sem abaixar a cabeça, Mano responderia: “é apenas um contra os nossos 11 craques”.
E ponto final: a entrevista seria repercutida na Argentina e nós chegaríamos sem mostrar medo, sem vê-los como favoritos, sem a projeção do segundo lugar, mas o bicampeonato da Copa América, a ser disputada entre 1º a 24 de julho na Argentina.
Mano também falou da equipe titular do Brasil. Segundo ele, será a base do grupo que foi utilizado nos sete amistosos da Seleção. Foram quatro vitórias, um empate e duas derrotas. De cara rebateu a possibilidade de usar três zagueiros. –“Dessas variações todas citadas, menos uma. Não vamos jogar com três zagueiros ou três defensores. Vamos jogar com uma linha de quatro. As outras maneiras são variações normais de jogo. Você fica com três atacantes e na parte defensiva com dois. Isso vai acontecer mais em função do que estamos conseguindo fazer em produção de equipe. Quando você quer propor o jogo, você precisa se sujeitar menos aos adversários”.
Primeiro erro de Mano : jamais, nunca. Inexistem. Jamais ou nunca beberei desta água. Sábios conselhos que nossos avós passaram aos nossos pais e estes pra gente. Na parte que me cabe, já botei a bola pra frente e ensinei isso para os meus filhos que, por seu turno, têm mostrado aos seus filhos, minhas lindas netinhas, que jamais, nunca, são palavras extintas, feias, inverdades.
Sobre o tempo de preparação, antes da estreia contra a Venezuela, Mano acredita que. , por isso mesmo, esta será a partida mais dura do Brasil. Depois virá o Equador, cinco dias depois. Então estaremos mais em conta pra enfrentar o Paraguai. Ainda dentro da coletiva, Mano acabou desmentindo o que havia afirmado com relação ao favoritismo da Argentina, por causa de uma pergunta bem colocada de um repórter carioca:
Os argentinos são favoritos, da mesma forma que o Brasil é favorito na Copa de 2014, em casa?”
Respondeu Mano Meneses: “Se analisarmos o fator local, se considerarmos o jejum que eles atravessam em termos de conquista, eles fizeram um planejamento para fazer o melhor. Mas isso é mera teoria. A competição começa no dia 1º e só aí vamos ver quem é o favorito de fato”.

Um comentário:

  1. Este Pai, ou Papai, Joel devia ser Vovô Joel, que nem voçe. seu Anselmo, que fica babando no ovo da garotada. Menino não ganha campeonato, tremem na hora de decidir o caneco. O cruzeiro tinha de manter Cuca, que você fez o favor de ajudar a sair da Toca da Raposa.

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