quinta-feira, 9 de junho de 2011

QUARTA-FEIRA PARA CORAÇÕES FORTES. IGUAIS AO MEU




Cara, mais uma vez coloquei meu jovem coração à prova numa quarta-feira de futebol. Pura loucura! Com fone no ouvido, acompanhava a CBN. Narração do Osvaldo Pequetito Reis. Jogo Galo 0 x São Paulo l, na Arena do Jacaré.
Na televisão, eu torcia, só com imagens, pelo sucesso de Marcelo Pacote Oliveira no comando do Coritiba diante do Vasco da Gama. Decisão da Copa do Brasil. Afora a amizade que me une ao mineiro Pacote e admiração que tenho pela extraordinária pessoa humana, existe no fundo do espírito aquela chama de ser contra tudo que a Globo é a favor. Nessa decisão, visível era a preferência global pela conquista vascaína. Motivos óbvios. Ambos são cariocas.
Tudo bem! Viu-se uma das partidas mais eletrizantes dos últimos tempos. O Vasco havia vencido o primeiro jogo por l a 0 em São Januário e Ricardo Gomes – outro técnico fora de série, longe daquela leva de trogloditas famosos – planejava fazer um gol logo no início. Dessa forma, aumentaria a vantagem do Vasco. Aconteceu: l a 0 para desespero do Coxa. A maré virou e o Coritiba fez 2 a l, depois sofreu 2 a 2. Acabou marcando um lindo gol, o terceiro, que, no entanto, não lhe deu o titulo. Que droga, quebrei o roteiro da Trincheira de hoje. Tinha que continuar escrevendo sobre Galo x São Paulo. E a narração do Pequetito.
Pequetito não tem dó do ouvinte. Os bons e inesquecíveis narradores como Vilibaldo Alves, Jota Júnior, Hamilton Macedo, pra ficar por aqui, nos meus amigos, faziam na transmissão a mesma coisa: davam o colorido do impossível. Na narração de Pequetito centenas de gols são perdidos, milhares de defesas realizadas, dezenas de pênaltis não marcados.
Do outro lado, o ex-candidato a cardíaco transporta-se para as arquibancadas do estádio, se junta à enlouquecida massa torcedora. Vê o jogo que Pequetito narra. Com certeza não é aquele que ocorre. Impossível tamanha velocidade e proezas, apenas vistas na criatividade de quem nasceu pra ser locutor esportivo. Que desde neném nunca usou bicos, mas microfones celestiais que os reis magos da ilusão deram-lhe de presente.
Por tudo que acompanhei com Pequetito, assentado ao seu lado, via rádio, na cabine da Arena do Jacaré, onde jamais estive além de espiritualmente. Estive nesta quarta, arrebanhado pelas emoções incontidas que Osvaldo Reis – meu companheiro de bancada no Jogada de Classe da TV Horizonte, às segundas, quartas e sextas-feiras – botava no microfone da CBF e despejava diretamente em meu espírito de homem de rádio.
Aqui eu via os sonhos, passava por baixo do arco-íris pra buscar numa das pontas dele, trancado no baú, o sentimento imortal da transmissão de futebol pelo rádio que nem as tevês portáteis haverão de sangrar, em que pese valorizadas pela Globo, com interações sarcásticas, mostrando-as nas mãos dos jovens afortunados, nos camarotes e cadeiras especiais.
O rádio é o companheiro ideal do estádio, das arquibancadas e fora deles. Nos taxis, nos carros, nas obras, dos ascensoristas domingueiros e notívagos, dos solitários. Principalmente de quem gosta, além do coração, da alma, acompanhar uma partida de futebol com a imaginação efervescente dos narradores.
Osvaldo Pequetito só não me deu passe livre para o andar de cima, porque os doutores Carlos Eduardo e Rodrigo botaram um coração novinho no meu peito.
A derrota do Galo, nas circunstâncias contadas pelos companheiros da CBN, não pode servir de buzinaço para os rivais. Não me venham com aquela história que a enganação acabou no exato momento em que o Galo pegou um adversário mais credenciado.
Como afirmaram os alvinegros no primeiro tropeço dos rivais azuis, após uma longa sequência de resultados positivos no Mineiro e na Libertadores.
O placar de l a 0 para o São Paulo não disse o que aconteceu na partida. Basta mostrar aquele “peixinho” de Léo Silva que foi como violento chute na trave; ou trechos da pressão exercida pelo time de Dorival Júnior no segundo tempo.
A bola atleticana não quis ir às redes. Azar. Certos dias isso acontece, realmente.
Marcus Salum não gosta de deixar a coisa acontecer. Ao segundo tropeço do América nas três partidas iniciais do Brasileiro chamou seus “rapazes” para uma conversa fechada no meio-de-campo. Não quis informar sobre o que se discutiu,mas confirmou que, apesar dos prejuízos em Sete Lagoas, o Coelho volta pra casa.
A despeito do que já fizeram Atlético e Cruzeiro confirmando que apresentarão em breve a conta do fechamento dos estádios da Capital às autoridades à procura de ressarcimento, Salum mostrou o balanço financeiro do grande prejuízo que seu clube teve nesta história.
O apressado fechamento do Independência causa cerca de R$25 mil reais de prejuízo por partida ao Coelho. Além de pagar para jogar em Sete Lagoas, o clube perde receita na falta de aluguel do estádio para Atlético e Cruzeiro e outros eventos.
Não comentou sobre a informação de corredor palaciano de que o Independência deixará de ser administrado pelo Coelho e voltará ao comando da ADEMG. Adeus a tais receitas, portanto. Disse Salum:
“Estamos sendo prejudicados pela falta do Independência. Além dos gastos que temos pra jogar em Sete Lagoas, deixamos de arrecadar cerca de 4 milhões de reais por ano em bilheteria e aluguel do estádio para Atlético e Cruzeiro. Ninguém até agora nós ajudou em nada. Não sei se o Governo de Estado procurou os outros clubes, mas sei que o América não foi procurado por ninguém. Só escudo falar que o governo vai ajudar, mas até o momento nada. Eu estou calado, sou muito cobrado, mas também sei cobrar”.
Estou à espera do dia em que os três grandes da Capital chegarão a faca no pescoço do governador Anast-azia. Não pode ser antes que ele pague nosso aumento de 10% ou faça algum documento, referendado pela Assembleia Legislativa como ocorreu no caso do pessoal da Segurança Pública. Inativo, também, é filho de Deus. Só não faz greve.
De qualquer maneira, a grana que Atlético, Cruzeiro e América pretendem pedir ao governador como ressarcimento da besteira pela demolição dos dois estádios da Capital sairá do nosso bolso, dos impostos altos e das taxas exorbitantes que pagamos à Prefeitura e à bela Cidade Administrativa do dr. Aécio e do professor Anast-azia.
Aliás, a decisão americana que apoiei no início em realizar alguns jogos em outras capitais para fugir dos prejuízos da Arena do Jacaré provocou reações diferentes em seus torcedores.
Paulo Hamacek, de BH, torcedor de carteirinha do América está p.da vida com tudo que tem acontecido. Guardo minha boca pra comer minha farinha. Ele não: solta o verbo. Afirma que “depois das 11 retumbantes contratações do America , qualquer mudança que o Mauro Fernandes queira fazer , não redundará em nada . Bem feito para ele , que concordou com o Presidente ou gestor “.
“Por que jogar em M.T. para 3mil torcedores ? Para um clube de 3 mil torcedores essa era a hora de contratar 4 bons jogadores ( dispensando os 11 contratados e mais uns 5 do plantel ) , economizando , inclusive ,e melhorando a qualidade do time . Custa-se tanto para subir , poder aumentar seus torcedores , etc , para jogar tudo por terra por decisões erradas . É uma pena”, lamenta Hamacek .

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