quinta-feira, 14 de julho de 2011

ANSELMO RAMON SUMIU NA TOCA...



De repente, a luz do garoto Anselmo Ramon apagou-se. Justo no momento que ela começava a brilhar e ele deixava o casulo e se preparava pra alçar voo. Cuca já confiava no futebol do rapaz ao pedir demissão. Veio Joel Santana que, com certeza, não o conhece bem e preferiu apostar nos medalhões Brandão, Thiago Ribeiro, Wallyson e Ortigoza.
O experiente Papai Joel esqueceu-se da metáfora árabe: “cavalo ganhou uma vez, sorte; ganhou duas vezes, olho no cavalo; ganhou três vezes, aposte no cavalo”.
Ah, direis: quantas vezes Anselmo Ramon ganhou ou quantos gols fez pra Joel apostar nele? Por isso que se trata, ainda, de uma metáfora. Caso fosse realidade, o Senador já o teria passado nos cobres pro futebol europeu.
O que não pode é ser ignorado e encostado como outros tantos garotos foram. Brandão e Ortigoza, por exemplo, têm tanta moral com os treinadores que vêm e que vão que basta qualquer um deles fazer um lance perigoso, uma assistência, numa partida inteira e ganha a camisa titular ou um lugar no banco de reserva.
Anselmo Ramon já fez tudo isso, fez gol, caiu nas graças da torcida e no esquecimento da Comissão Técnica.
Que nem escrevi sobre o argentino Farias. Cuca perdeu a paciência com ele e o mandou treinar à parte. Ganha sem trabalhar duro. O novo treinador já testou Ernesto Farias? Vou lembrar ao Joel Santana, na época jogador doVasco da Gama, um episódio promovido pelo técnico Orlando Fantoni e o zagueiro Abel, hoje técnico Abel Braga, do Fluminense. Fantoni deixou o América daqui, após uma campanha brilhante no Brasileiro, e foi para São Januário. No primeiro dia de trabalho viu Abel sentado na arquibancada, desconsolado. Havia brigado com a diretoria e fora afastado do elenco. Tio Orlando foi até ele, fingindo que ignorava o assunto. “Que houve, meu filho? Porque você não trocou de roupa pra treinar?” Abel respondeu: “A diretoria me afastou, falei demais”. Fantoni colocou o braço no ombro do zagueiro e falou incisivo: “No time mando eu, e você será meu capitão e homem da minha confiança. Poderá falar à vontade que vou ouvir sempre”.
Abel trocou de roupa, foi treinar, virou capitão do Vasco, gritou e esbravejou o quanto quis como líder da equipe. Quando veio treinar o Cruzeiro, Abel sempre lembrava deste fato. Orlando Fantoni, o Tio Orlando, que Deus o tenha. Ótimo caráter! Meu amigo. Fantoni trabalhou comigo na Rádio Guarani como comentarista. Relatou-me o fato diversas vezes. Tantas que até decorei as palavras. (sic)
Quero dizer: às vezes a solução que se busca está ali de lado, ignorada. Joel Santana é quase da minha idade. Quando chegar no meu patamar terá mais experiência ainda.

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