sexta-feira, 2 de setembro de 2011

NOSSOS CAMINHOS SÃO ESPINHOSOS

Nos espinhosos e tenebrosos caminhos que América, Atlético e Cruzeiro trilham no Brasileiro/2011 nada foi plantado por acaso. Podemos manter a postura defensiva contra a CBF, os árbitros, a Rede Globo, enfim os “inimigos” de sempre, gerados em nosso espírito provinciano. Ou até mesmo de torcedores, numa tentativa de esconder ou minimizar a realidade. Os nossos próprios clubes plantaram tudo de ruim que lhes é devolvido. Apenas colhem os frutos de seus fracassos de início de temporada.
Bom, nem é preciso ir ao início da temporada. O Cruzeiro, por exemplo, colhe os frutos da sua esfomeada árvore, comedora de dinheiro. Acerta em 30% das boas contratações que fez, porém no papel de sócio-minoritário dos direitos econômicos dos atletas.
O América acreditou na varinha mágica. Um treinador chega, dá um toque e o time passa a jogar. Saiu de Mauro Fernandes, caiu no delegado Antônio Lopes, que arrasou o quarteirão inteiro com esculhambações públicas nos atletas e, por fim, recorreu ao milagreiro de sempre, Givanildo Oliveira.
Trocou os pneus do avião no ar.
Desacreditar o elenco do Coelho é fácil; é só analisar a campanha do time, segurando a lanterna da competição há várias rodadas. Talvez, o maior furo não foi visto até agora: a zaga é fraca. Foco de brucutus entre dois alas bons, principalmente Marcos Rocha. Enganou-se com o entusiasmo de repórteres e narradores que gritam mais, numa exagerada vibração, sem transmitir a realidade. O time veio despreparado por Mauro Fernandes pra uma competição nacional.
Erro então? Da diretoria, claro. Que me desculpe o amigo Salum, todavia diversos alertas, além de nossa torcida, foram feitos. E ele, melhor que nós, sabe disso: jogar a segunda divisão, difícil pacas, é uma coisa. Enfrentar a Série A, equilibrada do jeito que está é outra totalmente diferente.
O primeiro sonho do Coelho em sua volta à Série A deveria ser permanecer nela. Nem passar pela ideia de título, Libertadores, Sul Americana, etc. Ficar na Série A, o que me parece impossível no momento com a pontuação que tem, era tudo que a torcida aspira atualmente. Veremos como ele se sai contra o Vasco, vice líder, na Arena do Jacaré neste domingo, às quatro da tarde.
O Galo usou e abusou do direito de errar. Começou na briga contra a CBF e a Rede Globo, indispôs o clube com poderes perigosos. Já vinha desembestado com o planejamento que deu errado na contratação de Vanderlei Luxemburgo, sem dúvida um dos melhores treinadores do País. Não deu certo aqui. Como não deram certo, também, as contratações feitas. Exemplo: Diego Souza, o melhor jogador do Brasileiro/09, veio pra Cidade do Galo e se enterrou no quintal de lá. Foi para o Vasco e voltou a jogar bem.
Quando saiu, Luxemburgo afirmou que algo estava prestes a explodir no Galo se nenhuma providência fosse tomada no plantel. Dorival Júnior chegou, detectou os problemas e mandar embora nomes importantes como Fábio Costa, Zé Luiz, Diego Souza, Ricardinho e Jóbson. Renovou a frota com caras novas. O Galo passou por bons momentos com a meninada e, de repente, naufragou de novo.
A esperança renasce com a vitória feia em Curitiba. E daí se foi feia, com um pênalti mal batido, quase defendido e assoprado pras redes? Importante é o que Galo venceu, após 11 rodadas. Ainda se encontra na zona do rebaixamento, mas com uma luz no fundo do túnel. De repente, vencer o Avaí neste sábado, na Arena do Jacaré, representará a fuga do G-4 do Mal.
A propósito: o Galo vendeu alguém importante nesse período de Alexandre Kalil, ou investiu dinheiro em caros reforços? Se eles deram certo ou não o tempo dirá. Então, vivam os empresários e viva o BMG do atleticano Ricardo Guimarães.
Assim, não consegue equilibrar o rendimento em campo e dane-se o técnico.
Vivam os empresários e viva o BMG do atleticano Ricardo Guimarães.
Com 27 pontos ganhos, em oito vitórias em 20 partidas o aproveitamento é pra lá de baixo pra quem investiu enganando a torcida com palavras de efeito e promessas de títulos. Bobagem citar todos os atletas negociados pelo Senador em momentos mais impróprios. Bons ou cabeças-de-bagre estavam integrados no grupo: Brandão, Gil, Henrique, Pablo, Ernesto Farias, Dudu, Léo Silva, WP-9, e por aí vai.
Na derrota (2 a 4) em Ipatinga para o Figueirense, claro que fiquei decepcionado apesar de os desfalques no time por suspensão, lesão e negociação. Talvez, até por desconhecimento. Joel Santana errou em usar Everton, tremendo perna de pau, e deixar o menino Gabriel Araújo – entrou aos 38m do segundo tempo – de fora. Tenho falado aqui muito sobre esse moço.
Errou em anular Sebá pelo lado direito do campo, ele que é canhoto. O rapaz se auto-anulou e prejudicou, também, o rendimento de Gil Bahia. Quem pagou o pato foi este moço, enquanto Everton era a avenida do outro lado, onde o Figueira deitou e rolou. Por que Leandro Guerreiro ficou de fora? Por que Victorino não jogou? Bobô entrou, fora de forma, e melhorou o time. Avaliações, portanto, equivocadas do Papai Joel. Nada justifica, entretanto, a cena que vi na televisão: um cruzeirense descabelado, desesperado, aos gritos, “Fora Joel”. Por que não, fora Senador?
Bem Joel é carta fora do baralho. O problema não é mais dele. É do novotreinador.
Pra que vocês vejam como age o regime ditatorial da Toca. Os cartolas falam o que bem entendem, agem como querem, e o atleta não pode nem abrir a boca. O cartola Dimas Fonseca disse à Imprensa após o jogo em Ipatinga que não gostou das declarações de Roger e se reunirá com ele pra passar-lhe um pito. Leiam o que disse Roger e vejam se há algo errado ou falta de disciplina do craque:
“Não temos casa e nos deslocamos de avião duas vezes por semana. É uma série de fatores que, chega uma hora, o time sente. Tudo tem que ser levado em consideração. Foi quase um time inteiro que ficou de fora se contarmos todos os jogadores que estão machucados. Os meninos jogaram bem, se esforçaram, mas contra um time bem organizado fica difícil”.
Neste domingo, a onça vai beber água: os azuis terão a volta de Montillo e Naldo, livres da suspensão. Ótimo! Todavia ficarão sem vários jogadores, inclusive Fabrício, na partida contra o Palmeiras em São Paulo.
Em tempo: o senador tem dito que deixará o clube sem dívidas e sem time. Venderá Montillo em breve. No final do ano sai outra leva, inclusive Fabrício.
Já espalham por aí, como é costume na província – coisa contra qual sobrevivo há 45 anos na janela, sem piscar o olho à turma inimiga – que minha defesa em favor de Alexandre Kalil me tornou atleticano. Seria um orgulho se assim fosse. Não vejo nada de errado torcer por qualquer time mineiro, ou brasileiro, ou internacional. É o direito de cada cidadão.
Como jornalista, nunca deixei de falar ou escrever o que sinto. Pode ser que eu faça certa triagem. “Aos amigos, os favores da lei; aos inimigos, a lei”, dizem os grandes juristas. Chico Maia gosta de rotular-me rancoroso: “Com o FA, se o inimigo estiver morrendo na sombra, ele puxa pro sol”. Nem tanto, mestre. Trata-se apenas de uma questão de comodidade: não existe jeito de puxar o sol até o inimigo.
Na sua última coletiva, Kalil confessou dois de seus inúmeros erros: a saída de Obina e a ida pra Ipatinga. Tem mais, muito mais. Todavia, tem acertos em demasia, que a torcida não sabe, a imprensa não divulga ou analisa porque dá próprio Ibope. Como o próprio Kalil afirmou no início de sua citada coletiva: “Isso não interessa, né?”

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