sexta-feira, 21 de outubro de 2011

BRASILIA - Da janela do apartamento do mano Fábio, na SQS 108, em Brasília, me sinto como numa cidade do interior das Geraes. Minha Caratinga, talvez. O tempo é agradável, faz um friozinho gostoso, e me reintegro a esta cidade que me agrada bastante. Como visitante. Morar aqui exigiria várias mudanças no meu perfil psicológico. Por exemplo: usar carro sempre nos deslocamentos diários. A vida daqui é bem mais cara do que a de Beagá. O costume tribal é necessário pra suportar o isolamento. No meu ramo, jornalismo, só se ganha bem no setor político. O comentarista político, em qualquer veículo, tem vida mansa. Futebol, nem pensar. Os brasilienses gostam do esporte, mas seus corações estão longe do DF. Eles torcem por times do Rio, São Paulo, Beagá e de outras capitais.

Brasília encanta os visitantes. Melhor, ainda, se eles vierem com empregos fixos no Governo Federal, em qualquer área. Na política, apesar de excelentes, podem ser temporários. Duram, às vezes, quatro anos na Câmara ou oito no Senado. Quiçá  durem menos. Mas em compensação, existe o candidato que chega sem nenhum voto, sem currículos de competência, de conhecimento da matéria, sem cultura, enfim sem nada. Bastam-lhe dinheiro ou prestígio pra conseguir vaga como SUPLENTE de Senador, de preferência que o candidato tenha DNA – data de nascimento avançada – interessante para o suplente.

O clima que se respira em Brasília, no momento, é agradável. No calor, entretanto, é sufocante. Próprio do cerrado. Atualmente, é bom, repito, mas irrespirável no segmento político. Os novos escândalos na República atingem o Ministério dos Esportes, respingam sobre a Copa do Mundo escandalosamente cara que o Brasil promoverá em 2014. Os aproveitadores, em busca de fortuna rápida, através do dinheiro alheio, ou público, atacam e embrutecem as obras de preparação do Mundial. E a fome deles é enorme, a ponto da gente perguntar: vale a pena um país de o terceiro mundo promover este evento enriquecedor da Fifa, das confederações e de pessoas especiais?

Envolve tantas pessoas especiais, escolhidas a dedo, que talvez seja tão interessante financeiramente como ter uma cadeira no Senado; ter uns 50 funcionários nos quais você não gasta um tostão de dinheiro seu; e mais carro, passagens aéreas, tarifas dos Correios gratuitas; e poder, ainda que sejam senadores biônicos que não tiveram nem os próprios votos.

Brasília encanta os visitantes; permite que eles respirem um clima agradável, como o atual, mesmo que certos políticos tentem torná-lo nada nobre.

Em tempo: a abertura da Copa das Confederações será aqui em Brasília. As semifinais deste torneio caça-níquel serão nas capitais de Minas e do Ceará. A abertura do Mundial será em São Paulo que nem estádio ainda tem. As semifinais serão em BH e São Paulo. E a final, como se esperava, no Rio de Janeiro. Que Deus nos ajude!!!

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