quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

MULHERES, SEJAM BEM VINDAS TAMBÉM AO FUTEBOL

A Arena do Jacaré já tem lotação completa no clássico desde quarta-feira. Os mais entusiasmados dirão: “que beleza, a China Azul quebrou de novo o recorde de público na Arena de Sete Lagoas.” Tal entusiasmo eu teria no Mineirão. Colorido pelas torcidas dos dois times, mesmo após a vergonhosa campanha que ambos fizeram no Brasileirão. No entanto, uma sensação de alívio me chega como o minuano gaúcho bem de leve, ao ver as arquibancadas – tanto nos jogos do Galo, como da Raposa – solidárias mulheres, de todos os padrões sociais, torcendo junto dos seus maridos e filhos.
Outras jovens, belas e reluzentes, sozinhas ou acompanhadas, trazendo-nos a esperança de que nem tudo está perdido.
Houve certa época que as mulheres fugiram dos estádios, aqui e em todo País. Apenas as mais fanáticas, heranças da família, arriscavam ir às arquibancadas, sufocadas e/ou protegidas por seus parrudos parceiros nas torcidas organizadas. Parceiras em todas as obras e de convivência com as violências predominantes. As mocinhas assustadas freqüentavam as cadeiras especiais.
Novos tempos, novas medidas, estatutos especiais, cadeiras no lugar das arquibancadas, e as mulheres voltaram ao convívio das massas. Ali é o melhor lugar de ver o jogo e torcer por seu time prefiro. As emoções fortes vêm no calor dos gritos, dos esbarrões sem propósito e dos suores que democratizam o futebol.
A Arena do Jacaré, tão criticada, permitiu convívio maior das mulheres com o futebol. Aposto, entretanto, que o governador Tonico Anast-azia nem sonhou com tal possibilidade. Entre os inúmeros erros que cometeu contra o futebol mineiro este ano, acertou, sem querer, neste detalhes.
No meu livro “Marias Chuteiras”, eu presto diversas homenagens às mulheres discriminadas com o apodo de “marias chuteiras”. Por quê? Não existiriam antes, “as marias gasolina”, ou as “marias do radinho”, cada qual atrás do que lhes apetecia no momento, a fugir das duras e cínicas regras da sociedade de então?
Agora, por exemplo, eu me revolto contra a imprensa machista que quase inocenta Mancini e Paraíba, ex-São Paulo e agora no Sport do Recife, indiciados por crime de estupro.
Em favor da atitude dos agressores, a imprensa machista informa que “moças de bem não freqüentam tais festas”. Conferiram a lista de presentes. Outro absurdo: eram moças de programa; foram para a festa atrás de sexo. Mas sexo forçado? O estupro é considerado quando uma das partes não admite, ou não quer, fazer sexo e se submete à força à vontade do outro. Seja homem, ou mulher.
Cabe aos machões que freqüentam tais festas saber controlar-se e respeitar a vontade alheia. Aqui a lei é condescendente. Se o acusado tem dinheiro, retaguarda, escapa das punições, nem tão fortes assim. Façam uma besteira dessa nos Estados Unidos, que se metem a exemplo de democracia para fundo, atacam os pequenos, são arrogantes, porém fazem cumprir suas leis. Duras leis, por final.
Nas manchetes dos programas, a discriminação está presente: “fulano é preso em balada regada a bebidas e mulheres”. Peraí, qualquer festa tem bebida, mulheres/homens, música e, às escondidas, o pó branco.
Por que não dar manchete de outra forma: “moça estuprada em festa regada a bebidas e homens”?
Ao ver mulheres frequentando arquibancadas, analisando futebol, entrevistando, apresentando programas esportivos – ainda que as remunerações sejam aquém às dos homens – penso comigo: realmente existe algo no ar. Efeito Dilma? Talvez. Patrícia Amorim presidente do Flamengo. Nem tanto, no passado outras ocuparam os mesmos cargos.
Mulher nas arquibancadas é um passo gigantesco pra educar o animalesco mundo das torcidas organizadas, que, graças a Deus, me parece escasseia ou se educa.
Mais do que os textos das leis que as autoridades fingem aplicar, esse pessoal macho das torcidas precisa mesmo é de mulher. Fina, educada, cheirosa e fanática. Que nem saiba o nome do goleiro de seu time do coração.
Boca suja de Luxemburgo no caso RG10. Após escrever sobre civilidade no futebol graças a maior presença do sexo feminino nos estádios e da esperança que dirigentes como Patrícia Amorim, presidente do Flamengo, trazem pra gente, descubro aqui nos meus alfarrábios, uma matéria que copiei do site Globo.com e colei nos meus documentos pra comentar qualquer dia.
Numa de suas entrevistas coletivas, no Ninho do Urubu, a intimidade de Ronaldinho Gaúcho foi um dos temas de Vanderlei Luxemburgo. Por causa daquele vídeo que ficou poucas horas no ar no youtube, colocado por um usuário chamado de “radiologia9”. Nele, um homem de boina, identificado pelo responsável como sendo RG-10 aparece em cenas muito íntimas. O youtube tem como política remover vídeos que contenham cenas consideradas impróprias.
No entanto, Luxemburgo banalizou o episódio, com bom humor e palavras rasteiras. Para os jornais onde esta Trincheira é publicada, recomendo o corte dos termos rasteiros de Luxemburgo. Para os leitores que a recebem ou a leem no meu blog, vou manter o linguajar. Perguntado se viu o vídeo, Luxemburgo respondeu:
- Eu sou manja rola? Vou ficar manjando rola, vigiando jogador? O problema é problema particular de cada um. Cada um tem a sua maneira de ser. Não sou manja rola de ficar sabendo se ele está no quarto do hotel tocando punheta (risos). Tem que sair da frente que essa porra espirra. - disse Vanderlei Luxemburgo.
No fim da coletiva, Luxemburgo ainda perguntou aos jornalistas presentes quem tinha visto o vídeo publicado na internet.
- Me deixa eu fazer uma pergunta pra vocês? Quem viu o vídeo do Ronaldinho? Qual o tamanho?
Questionada se o suposto vídeo indiscreto de Ronaldinho Gaúcho era prejudicial à imagem do Flamengo, a presidente Patrícia Amorim disse, via a assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre o assunto antes de o próprio Ronaldinho Gaúcho comentar o caso.
Viram como mulher é sagaz e o homem, bobo da corte.

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