terça-feira, 3 de janeiro de 2012

DENTRO DAQUELE HOMÃO, UM ENORME CORAÇÃO

Remoer este assunto torna-se desgastante e cansativo. Remoer saudade é penoso. Vive-se com ela. Guarda-se o lugar da pessoa afastada, seja a sua cadeira na mesa de jantar, o vazio no bar que frequentávam nos finais do dia, as fotos da viagem, as alegrias do sucesso, a tristeza das trombadas. A vida corre e somos obrigados a correr com ela, sem a pessoa afastada. Volto ao assunto da morte de Carlos Valadares porque amigos comuns fazem seus registros bondosos comigo e com ele. Justo com ele, desnecessário comigo. Fiz o que me restou do longo tempo de convívio com ele.
No velório, ao saber das colunas que escrevi que serviram pra comunicar a tantos a morte do amigo, Maria José e seus filhos Franklin, Dani e Flávia, demonstraram interesse em guardar tudo que se falou do triste episódio.
As minhas colunas estão aí, no blog. E as manifestações provocadas pelo que escrevi repasso à família e aos demais amigos dele, ou àqueles que não conheceram tão fascinante profissional – pessoalmente, claro, pois a imagem e o trabalho do jornalista Carlos Valadares atravessaram as fronteiras das Geraes e alcançaram todo Brasil.

MARQUINHOS MATOS – caratinguense morador em Brasília-DF - Flávio, Imagino a sua emoção ao falar da perda de seu grande amigo Carlos Valadares. Tive o privilégio de desfrutar por pouco tempo deste convívio, lembra? Com meu violão fomos até sua residência em Lagoa Santa e lá cantamos juntos todas as 8 músicas que eu sabia tocar, e ao lado de sua esposa Maria José. Passamos por momentos de muita alegria. Pena que foi embora fora do combinado”.

Resposta: E ele não se esqueceu. Sempre me pedia pra te levar à casa dele, outra vez, pra nova rodada de velhos boleros e sambas da boa época. Em tempo: Marquinhos é um exímio violonista. Nada de apenas 8 músicas.

AFONSO ALBERTO TEIXEIRA DOS SANTOS – BH

“Meu amigo Flavio, Como vc estou muito triste com o que o nosso Valadares fez. Foi embora muito cedo, sendo que tínhamos ainda muita coisa para fazermos juntos. Como faço todos os dias, leio a sua crônica logo que vc me envia. Flávio como sempre vc coloca no papel tudo que o seu coração pede. Foi assim quando outro grande amigo nosso se foi o inesquecível Elmer Guilherme e agora com o nosso também inesquecível Valadares.
Flávio, quando estive no velório, também vi o radinho com sintonia fixa na Itatiaia. Até aí tudo bem, mas quando vc diz que foi a emissora que ele começou, vc se equivocou. Como vc Flávio, eu também tive e tenho o privilegio de ter passado pelas minhas mãos vários companheiros que hoje são grandes cronistas esportivos. Um exemplo forte e que iniciou comigo e com o Valadares é o Márcio Doti.
O Valadares era balconista da antiga Bemoreira Ducal e o Márcio Doti era fiscal do Instituto de Pesos e Medidas. Eu formei uma equipe para trabalhar com futebol, iniciando com um programa de Esportes parecido com o “Bateria Esportiva”, vc se lembra dele não? Este programa iniciou em 1966 quando o Cruzeiro foi campeão em São Paulo vencendo o Santos por 3 a 2 no Pacaembu. Meu amigo já se vão 42 anos. Flávio, estou lhe dizendo isto, não por vaidade, sim por orgulho.
Este orgulho me enche de certeza de que também nas grandes amizades, como a minha e a do Valadares, saem também grandes profissionais. Exemplo o nosso querido BOCÃO. Que Deus o tenha recebido e dê a ele também a oportunidade de continuar ajudando lá de cima seus amigos aqui em baixo. Obrigado Flávio por vc ter lido com paciência o que coloquei. Mas a Itatiaia projetou o nosso amigo, mas foi a Radio Congonhas que o descobriu e estimulou para ele virar o jornalista que foi. Flávio sou um grande fã que vc tem. Jornalista como vc tem que ser perpetuado, com a caneta na mão, agora computador vc é imbatível. Também me orgulho muito de já ter trabalhado com vc e principalmente ser seu amigo. Um grande abraço”.

Resposta: Afonso, a ânsia de escrever leva-nos às mais terríveis das injustiças. Sabe aquela coisa de confiar na memória já tão inconfiável? Como pude me esquecer dos programas que vcs apresentavam na Rádio Congonhas, das viagens de noite para o Rio no Dorjão, das cochiladas que quase fizeram vcs entrarem num caminhão vindo no sentido contrário, todo iluminado, achando que era um posto de gasolina? Como esquecer da invasão ao Batalhão da Marinha no Rio e das metralhadoras armadas e postas contra os “ falsos terroristas” dorminhocos? Tudo vc me contou e o Valadares confirmou. O responsável pela “descoberta” de um grande jornalista da estatura de Márcio Doti já pode olhar por céu e afirmar: Deus, eu cumpri minha parte Vc está na prateleira de meus grandes amigos e todo orgulho que te move, move-me também. Nossa vida comum já merece um livro para as novas gerações. Grande abraço, extensivo à Thereza e filhos. E netos?

ADRIANA OLIVEIRA – BH “ Flávio, fiquei muito triste ao saber da morte do Valadares. Lembro-me bem de nossa passagem pela Manchete. Ele sempre foi um gentleman comigo e com a Dimara. Grande no tamanho e no coração. Perda irreparável e pessoa inesquecível. Beijos em você e na sua família”.

Resposta: Adriana e Dimara Oliveira, as meninas pelas quais a gente teve o maior carinho no início da carreira. Adriana é tão competente quanto a mana Dimara, apenas cumpriu metas diferentes. A Didi esteve linda no velório. Cometi outra falha quando afirmei que ninguém me seguiu quando deixei a Band: Dimara e Adriana foram comigo. Didi retornou depois pra fazer sucesso na Band.

CARLOS CABRITO BRITO - BAHIA

“Querido Flávio. Pensei que 2012 começaria com notícias do "politicídio", ou seja, a morte em série dos políticos, que tanta vergonha e humilhação nos causam. Eis que nos telejornais, só notícia de morte de pessoas simples e comuns como nós e agora amigo comunica a do Carlos Valadares. Se os bons morrem logo, imagine você, amigo, o que ficará sobre estas terras das saúvas. Seriam eles, os "imorríveis" Sarney e família X Jáder Barbalho e família e por ai vai a disputa Brasil a fora?
Estamos VIVOS, Flávio, para ver sol nascer?”

Resposta: Caro amigo Carlos, não desejo e nem torço pela morte dos tais políticos, porque têm uma dívida enorme aqui na terra e devem pagá-la. Valadares não tinha dívida nenhuma. Eu gostaria mesmo é que ele estivesse vivo – com muita saúde – pra ver o sol nascer na sua bela casa de Lagoa Santa, ao lado de sua família maravilhosa.

JORNALISTA BILL FALCÃO – BH

Prezado Flávio: cheguei agora de uma pequena viagem de fim de ano e fiquei sabendo, através de um e-mail seu, do falecimento do nosso grande amigo e colega Carlos Valadares, com quem tive o privilégio de conviver durante quatro anos na TV Globo.
Além de ser um sujeito grande, Valadares era uma grande figura. Foi o único atleticano que conheci que não me enchia o saco. Ao contrário: sempre me levava pra ver os jogos do Cruzeiro que ele narrava. Arrumava lá uma "vaga" de auxiliar de alguma coisa e eu ia ver o jogo na cabine da Globo, ao lado dele.
Provavelmente foi por causa de chefes idiotas que acabou saindo da Globo. Porque eu o vi trabalhando, fazendo entrevistas etc, e ele dava um duro danado.
Mais um grande amigo que se foi. Bertrand Russell, que morreu com 98 anos, dizia que uma das piores coisas de se ficar velho é que vemos os amigos morrendo e nada podemos fazer.
Eles nos deixam sós.
Que ele descanse em paz. Foi uma das pessoas mais generosas que conheci.
Suas duas colunas, a de ontem e a de hoje, que acabei de ler, falando sobre o velório, fazem justiça ao imenso coração de Carlos Valadares”.

Resposta: legal, Bill, grande testemunho. Com certeza foram imbecis que derrubaram Valadares na Rede Globo em pleno período de festas. Ele com incrível grandeza comandou a festa do fim de ano, o sorteio da caixinha dos funcionários, como se nada tivesse acontecido.
Com certeza, Bertrand Russell foi notável ao afirmar que a coisa ruim de se ficar velho é ver os amigos morrendo e a gente de mãos amarradas. Abraços.

MARCINHO PLACAS – BH

Parabens Flávio, faço das suas as minhas palavras. O nosso amigo Bocão que foi várias vezes em meu rancho na cidade de Três Marias para pescar, gostava de tomar um vermelho (mistura de Campari com pinga) e de contar muitos casos de futebol. Devo muito a esta pessoa com quem há 27 anos comecei a trabalhar com propaganda no Mineirão, onde estou ate hoje. Mas hoje peço a Deus e aos meus queridos pais para recebê-lo com muita alegria no lugar em que com certeza deverá ser o lugar mais lindo de possível. ORA, ORA, ORA............

Resposta: sem dúvida, Marcinho, sei da amizade que unia vocês dois. Valadares estará ao lado de seus país, dos deles e, porque não, de Milton Moreira, outro que subiu cedo demais.

JORNALISTA ALCINDO RIBEIRO – BH


Bela história, Flávio, sobre suas lutas e vitórias em parceria com o Carlos Valadares, o Popó, como vc o chamava. Trabalhamos juntos no Diário de Minas, e lá, vc deve se lembrar? Ele era o Boca de Aratanha, parecido com o Bocão, como foi apelidado pelo Osvado Faria, carinhosamente, claro. Como fazíamos todos que lidamos com ele. Compreendo sua saudade, pois senti isso quando partiu meu amigo-irmão Ary Franco, seu conterrâneo e amigo também. Mas, esta é a vida, da qual faz parte a morte. Não é verdade? Gostei de conhecer mais um pouco do seu trabalho, suas lutas pela classe, pela justiça e em defesa dos direitos. Vc é um bravo”.

Resposta: Amigo é outra coisa, Alcindo. O que seríamos de nós sem eles? Ary Franco abriu as portas do DM pra mim. Este sim, um bravo. A vantagem da amizade é a gente poder conhecer a alma alheia. Valadares aceitava toda brincadeira vinda de amigos. Certo dia, José Lino Souza Barros – outro grande amigo da gente – disse: “Dentista não cobra do Valadares por obturação. Mas por metro quadrado”. Nem lhe digo a resposta do Popó. Proibida. Obrigado por aceitar-me como seu amigo, o que me dá tremendo orgulho.

JORNALISTA JOSÉ CARLOS ALEXANDRE – Blog

“André Corrêa deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Flávio Anselmo fala de Carlos Valadares": Lamentável! Muita gente boa do nosso rádio indo embora.Vá com Deus, Valadares!”

JOÃO BATISTA – BH (Rede Catedral de Comunicação)

“Caro Flávio bonita e emocionante crônica. Conheci o Carlos Valadares e sempre o admirei, fico solidário com você. Abraço e um grande 2012. João Batista”.

Resposta: Obrigado João Batista, e aos poucos também a gente consolida uma boa amizade. Fique com Deus.

BEBETO E JÚNIA - BH

“Flávio, obrigado pela linda narrativa de uma amizade tão longa e sincera, que nosso querido tio Luiz descanse em paz”.

Resposta: Uma das melhores coisas da minha longa amizade com Carlos Valadares foi conhecer vocês, um casal maravilhoso. Tio Luiz tinha um intenso amor pela sobrinha Junia e se amarrava no facho de luz que Bebeto Que Delícia espalha por onde passa. A minha família ama vocês.

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