terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A EMOÇÃO ME FEZ OMITIR NOMES E EVENTOS.

Ao trazer pra Trincheira as emoções provocadas pela morte de Carlos Valadares dada por Orlando Augusto lá de Natal, cometi o pecado da omissão de fatos e nomes. Graças a Deus temos amigos de longa data que me fizeram recuar no tempo e acertar tudo. O leitor Gustavo. BH mandou a mensagem abaixo.

"Justa homenagem que vc faz ao grande Carlos Valadares se lembrando dessa época saudosa da imprensa mineira quando vocês criaram o programa Manchete Esportiva Minas e depois foram pra Record. Lembro que na Manchete vcs conseguiram o furo de transmitir direto de Assunção no Paraguai a final da primeira Copa Conmebol quando o Galo foi campeão, numa época em que conseguir essas imagens era muito difícil e vcs transmitiram com exclusividade. Tenho essa partida gravada até hoje. Pena que não foi o Valadares que trasmitiu. Acho que ele era candidato a algum cargo público naquele ano e estávamos em véspera de eleições. A partida foi narrada pelo Ronan Ramos (poderia ter sido também narrada pelo Bebeto "Que delícia!", grande narrador da turma que vcs tiveram a competência de formar). Saudades de Carlos Valadares..".


Fato verdadeiro. Com apoio do diretor João Veras, fizemos este jogo e outros do Mineiro, como a estréia do Cruzeiro em Uberaba, com Renato Gaúcho e tudo mais. Debaixo de muita chuva. Valadares candidato a vereador, também, ficou de fora.

Na relação do pessoal que apresentei na coluna de ontem, omiti, inexplicavelmente, o nome do Bodinho Kleiton Borges. Não era da turma dos meninos porque havia trabalhado comigo na Rádio Capital.

Os repórteres juniores eram Odilon Amaral e Flavio Jr. Os seniores Afonso Alberto, Kleiton Borges, Orlando Augusto, no Atlético, América e Cruzeiro. O produtor era o saudoso Alberto Decat. Nosso cinegrafista era o saudoso Milton Moreira – um artista – morto num acidente de carro quando se dirigia pra Patos de Minas a fim de cobrir um jogo do Atlético contra o Mamoré.

O ajudante de estúdio o nosso querido Maguila.

Foi Maguila quem me lembrou no velório que Dimara Oliveira estava certa. Valadares passou pela Band Minas por um ano e meio com os Campeões do Ringue. Não sei como pude me esquecer deste evento. Valadares chegou a levar-me num programa pra que eu fosse o comentarista do projeto. Não deu certo. Fracassei.

A luta livre foi um grande sucesso de audiência na TV que Valadares trouxe de São Paulo onde apresentava o programa na Record. Acabou lá e ele trouxe a trupe toda pra Beagá. Aqui botou o Maguila como o gorila de um soco demolidor. Daí nasceu a ideia de fazer Maguila um lutador de boxe famoso, contraponto daquele já famoso de São Paulo.

Mas isso é outra história, outra peripécia de Carlos Valadares.

Só gostaria de acrescentar estas participações dele, entre muitas outras internacionais, em Copas do Mundo, pela Globo, pelo SBT, Olimpíadas, Fórmula Um na Poderosa, antes de Galvão Bueno, a famosa reportagem no Fantástico, com Nelinho chutando a bola do gramado pra fora do Mineirão. E mais coisas e coisas.

Valadares não era desse mundo, quem conviveu com ele, foi seu amigo e sócio, como eu fui com o prazer de curtir sua bela família de Maria José, esposa: Franklin, Dani e Flavinha; seus pais, suas irmãs carinhosas com o mano caçulinha, pode afirmar que ele foi cedo demais, com apenas 65 anos. Só a saudade dele não nos basta.

O local de seu velório, na Av. Afonso Penal, 2152, foi bem escolhido. Uma casa histórica, construída por um político de Montes Claros, já falecido. O imóvel é tombado pela Prefeitura. O casal que a construiu de volta de uma viagem a Buenos Aires, onde ficou conhecendo a famosa Casa Rosada, sede do governo argentino, decidiu transformar sua mansão numa réplica, pelo menos na cor. E passou a chamá-la, também, de Casa Rosada, como ficou conhecida. Aí os donos atuais, os mesmo do Crematório Renascer, resolveram chamá-la de “Funeral House”. Esdrúxulo. Valadares merecia Casa Rosada, sei disso.

Suas cinzas segundo pediu ao Maguila, - sem confirmação da família – mas numa demonstração de amor à Lagoa Santa, onde viveu maravilhosos anos de sua vida, na orla da lagoa, serão espalhadas no meio exato da lagoa.Antes ela estivesse limpa e saneada pra receber as cinzas do meu amigo. Não digo sempre que amigo meu não tem defeito? Valadares não tinha e merecia uma lagoa santa e limpa.
Ora,ora,ora, meu caro Carlos Valadares.

2 comentários:

  1. Amigo, Flavio!

    Não sei explicar como me senti ao saber que Valadares havia falecido. Ele me deu a primeira oportunidade de ter uma coluna esportiva minha publicada em jornal e ele não me perguntou se tinha curso superior, que time torcia, apenas pediu que escrevesse e mandasse para o email dele.

    Quando recebi o jornal pela internet e vi minha coluna, com um parabéns no conteúdo do email, fiquei em um misto de choro de alegria e riso por não acreditar no que havia lido.

    Os conselhos que ele sempre me deu foram e sempre serão de grande valia para minha futura carreira. Entrei na faculdade pela Uni-BH e agora vou batalhar muito, mas Carlos Valadares tem grande parte na força que ele me deu.

    Não fosse você para me apresentar o jornal, talvez nem o conheceria. Obrigado, amigo Flavio e vamos sempre lembrar com carinho do nosso Carlos Valadares.

    Adorei suas duas colunas! Perfeitas, como sempre!

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  2. Eu disse num outro blog e reafirmo aqui que o Valadares foi o mais importante narrador de tv que Minas Gerais já produziu. Ele se projetou e se manteve nacionalmente por mais de 20 anos nos mais importantes canais de tv do Brasil. Pouquíssimos profissionais podem dizer que possuem em seu currículo a narração de duas copas do mundo pela Globo, mais quatro pelo SBT e Record. Seu nome é intrinsecamente ligado à difusão da luta livre no Brasil, sendo seu mais importante divulgador. Galvão Bueno o contratou para as transmissões de luta livre na Rede OM não em vão. Era a voz oficial daquela mistura de show e esporte. Fez isso tudo mesmo não sendo nem do Rio, nem de São Paulo. E o fez sem esquecer das origens, onde, junto com o Flávio Anselmo, teve diversas iniciativas em prol do esporte mineiro. A história fará justiça à importância que Carlos Valadares teve pro esporte e pra comunicação de Minas Gerais. Um reconhecimento que acredito que ele não teve em vida.

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