domingo, 1 de janeiro de 2012

POPÓ FOI EMBORA PRIMEIRO. SACANAGEM

NOS MEADOS DOS ANOS 90, recebi convite pra deixar a Band MG onde estava desde 82 e levar o Minas Esportes pra Manchete. O Carlos Valadares havia recebido convite da mesma emissora como narrador nacional. Conversamos aqui e decidimos montar uma sociedade. Chamei a turma da Band, mas ninguém topou, apesar de a maioria ter ido pra lá pelas minhas mãos. Paciência. Começamos nova turma, com Odilon Amaral, Flavinho, Afonso Alberto, Alberto Decat, e Orlando Augusto. Valadares apresentava e eu comentava. A rapaziada fazia noticiário ao vivo.
Ficamos poucos meses na Manchete que estava em crise financeira. Que não nos atingia, mas atingia a parte técnica com constantes greves. Foi tempo suficiente entretanto pra gente agitar a mesmice da época. Promovemos o Verão Vivo na orla da lagoa em Lagoa Santa, de onde transmitíamos eventos quase ao vivo. Como era isso. Uma equipe de motoqueiros à nossa disposição, levava e trazia as fitas. Botamos umas 15 mil pessoas por dia na beira da lagoa.
Os problemas se avolumaram e decidimos mudar: aceitamos a proposta da Record que iniciava suas atividades em Minas. Uma enorme aventura. Não tinha público, e imagem ruim na Capital. Aos poucos, como fiz na Band, viajando pelo interior, por recomendação dos diretores da época, coloquei a imagem da Record em várias repetidoras municipais.Brigamos na Justiça com os bispos e ganhamos. Queriam nos tirar do ar pra botar um pastor, Não respeitaram o contrato vigente. Através de liminar ficamos no ar mais seis meses e aí fizemos acordo com eles. Durou uns cinco anos e então cresceram os olhos e eu decidi pular fora. Valadares, diante disso, saiu também. Nossa amizade cresceu mais ainda. Tempos depois ficamos um anos no ar no canal comunitário 13. Aí desistimos de vez dessas empreitadas. Tentamos entrar na Internet. Valadares montou um site com rádio, tevê e jornal. Mas em Lagoa Santa e mudou-se pra la. Eu tinha minha casa em Lagoa, no Condomínio Condados - ainda tenho - mas nenhuma disposição de mudar. Passei a colaborar para o jornal do Valadares e até cheguei a fazer alguns jogos com  ele pela sua rádio FM.
Entre nós, nos chamávamos de Popó e Palmerindo. Personagens do Chico City.  Gozações do tipo: " você se se esqueceu da coluna, ô Palmerindo" - que era eu. E eu respondia, gozando tb: "esqueci nada Popó, já mandei. Vc é que não sabe mexer com internet. Chame o Franklim, que é cobra no assunto."
Quem chega ao  Ipatingão, na entrada principal, encontra a placa alusiva a primeira transmissão ao vivo daquele estádio. Fizemos nós, pela Record, a decisão de uma Taça Belo Horizonte que acompanhamos do princípio ao fim. Sempre com um jogo ao vivo.Criamos na Record também a Copa Futebol Dente de Leite, transmistida do Independência por quatro anos, revelando jovens talentos. Vários estão por aí nos profissionais.
Otrodia, liguei pra sua esposa Maria José atrás de informações, porque o celular dele não atendia. Ela me revelou que a situação estava gravíssima. Há 60 ele estava internado no Madre Tereza. Dias antes eu havia falado com ele. Em razão dos problemas que tive há dois anos, com infecção hospitalar, tenho evitado - e ainda tenho trauma - de visitar hospitais. Além do que peguei uma gripe que me acompanhou por vários dias e sabia que minha visita causaria problema. Entreguei pra Deus e fiz como Valadares sempre fazia: rezei pra São Judas Tadeu por sua recuperação.
Como faço todos os anos nesse período entrei de férias totais.  Quem me deu a notícia foi o Orlando Augusto, lá de Natal-RN. "Perdemos o nosso Bocão, Flávio". Não levei aquele choque da surpresa, porque esperava por essa infausta notícia. Maria José me preparara antes. No Jogada de Classe mandamos um abraço pra ele, sabendo que não o receberia porque já estava entubado.
Os mais novos, não aqueles da geração de Odilon Amaral e Flávio Junior, e outros que minha memória falha não me permite lembrar quais, sabem o que representa uma perda como essa. Seus amigos estão desolados e são vários, dentre eles eu me incluo.
Mais um que sobe fora do combinado, conforme a vontade D'Ele. O time é enorme.
Que Deus olhe pelo nosso Bocão, apelido que  lhe deu Osvaldo Faria, na Itatiaia, e pelo meu particular amigo Popó. Nas minhas lembranças, Luiz Carlos Valadares, não deixarei nunca de reclamar dessa sua caduquice de partir tão cedo. Apenas com 63 anos. E quantos projetos, certamente, se a saúde nos permitisse, haveríamos de fazer juntos? Vá pelas mãos de São Judas, amigo.

3 comentários:

  1. Justa homenagem que vc faz ao grande Carlos Valadares lembrando dessa época saudosa da imprensa mineira quando vocês criaram o Manchete Esportiva Minas e depois foram pra Record. Lembro que na Manchete vcs conseguiram o furo de transmitir direto de Assunção no Paraguai a final da primeira Copa Conmebol quando o Galo foi campeão, numa época em que conseguir essas imagens era muito difícil e vcs transmitiram com exclusividade. Tenho essa partida gravada até hoje. Pena que não foi o Valadares que trasmitiu. Acho que ele era candidato a algum cargo público naquele ano e estávamos em véspera de eleições. A partida foi narrada pelo Ronan Ramos (poderia ter sido também narrada pelo Bebeto "Que delícia!", grande narrador da turma que vcs tiveram a competência de formar). Saudades de Carlos Valadares...

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  2. Edgard Araujo Pereira4 de janeiro de 2012 22:46

    Parabéns Flávio, por esta justa homenagem ao seu grande amigo Valadares. Também conviví com Carlos Valadares, eu o conhecí em São Paulo há mais de trinta anos por intermedio de um irmão meu que era do Jornal da Tarde. No ano de 84 voltamos a nos encontrar ao nos tornarmos vizinhos em BH. Quis o destino que voltássemos a sermos vizinhos em Lagoa Santa onde nós nos
    tornamos parceiros em um programa de esportes que ele comandava para a sua rádio SUPER FM (a voz de Lagoa Santa)que era transmitido ao vivo todos os sábados a tarde do "Restaurante Riviera" que eu e meu amigo Roberto Diniz tinhamos em lagoa. Este programa tinha tambem a participação de Flávio Anselmo, Roberto Arantes(o Beto bom de bola), dirigentes dos clubes amadores da cidade e convidados. Me lembro que após o término do programa ficavamos a mesa ouvindo Valadares contar fatos e histórias pitorescas da sua trajetória jornalística, ê saudade desse figuraça chamado, Luiz Carlos Valadares.

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  3. Carlos Valadares foi um grande ídolo para mim. Parabéns pelo post.

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