quarta-feira, 21 de março de 2012

FUTEBOL DESTRINCHADO EM PERGUNTAS E RESPOSTAS

Não é o que sempre ressalvo: esta Trincheira serve a qualquer pessoa interessada em discutir assuntos diversos, além do futebol sua prioridade, e, notadamente, abrir espaço a novas inteligências dispostas a quebrar o pau com os velhos mandões? Assim sendo, uso dela pra divulgar a preocupação de Marina Celeste P. de Souza, 14 anos, estudante em Paracatu. É dona daqueles cadernos de perguntas e respostas próprios na minha adolescência em Caratinga e que imagino terem sobrevivido apenas nos espíritos interioranos. Aqui nesta desabalada Capital nem se ouve falar de tais critérios de aproximação social, aproveitando a facilidade da internet.
Por isso, porque nunca abandonei a criança do interior que embala meu espírito, ainda mais na terceira idade, prontifiquei-me a respondê-la. Vamos lá:
P - Você fez jornalismo por que gosta ou por que foi o caminho mais fácil para entrar na faculdade?
R – Porque gosto. Não fiz faculdade de jornalismo. Não existia no meu tempo. Estudei na escola da vida. Passei por jornais de minha cidade, ouvi pessoas que me ensinaram muito e no peito na raça vim tentar a sorte na Capital. Fiz Faculdade de Direito.
P – Meu pai me disse que você usava o slogan “De Peito Aberto” na Rádio Guarani e na TV Bandeirantes. Não usa mais? Deixou o rádio e só atua na TV Horizonte?
R – Este bordão foi importante numa época. Osvaldo Faria, coragem pra dizer a verdade, de um lado e Flávio Anselmo, de Peito Aberto, no outro. Briga boa que durou até meus tempos de Rádio Capital. Usei, também, alguns anos na Band. Depois o achei fora de moda.
P – Quem pode ser hoje de Peito Aberto ou ter Coragem pra dizer a verdade?
R – Ninguém. Os tempos mudaram, os donos de rádio e televisão ficaram mais submissos ao mercado patrocinador e os “papagaios” menos independentes. Com medo.
P – Como está o futebol mineiro? Dá para evitar os vexames do ano passado?
R – Trabalha-se pra isso. O Cruzeiro vive novos tempos com a diretoria do dr. Gilvan do Pinho Tavares, bem diferente do longo período dos irmãos Perrelas. O continuísmo de então prejudicou o clube que está semi-falido. O América é uma boa expectativa. Desde o ano passado vem num crescente. Se Givanildo tivesse entrado antes, não desceria. No Atlético, Alexandre Kalil botou a casa em ordem, as finanças em dia, renovou o time e agregou novos valores.
P – O que será suficiente para os títulos do Brasileiro ou da Copa do Brasil virem para Minas?
R – A Copa do Brasil no seu sistema mata-mata permite que a gente seja otimista. Qualquer dos três pode vencê-la. No Brasileiro, pontos corridos, a história será diferente. Para o título com os elencos atuais, bem mais fracos que os dos times paulistas e dos gaúchos, os torcedores não devem sonhar muito. Nem mesmo com as vagas da Libertadores. Nossos times brigarão na faixa intermediária.
P – Em quais posições nossos principais times estão mais carentes?
R – O Cruzeiro precisa de laterais, volantes – os atuais são fracos, exceto Leandro Guerreiro – e de um meia que dispute a posição e faça Roger jogar. No Atlético, a torcida pede outro goleiro, o que penso ser besteira, a não ser pra compor com Renan Ribeiro; um lateral esquerdo pra brigar com Richarlyson e mais um homem de área. De atacantes vai bem: Berola, André, Wesley, Guilherme, Mancini. No meio-campo, também, tá completo. O América tem sua base e sua meninada. Dá pra buscar a elite outra vez na Segundona.
P – Nossos treinadores são qualificados para ganhar títulos?
R – Aí você me apertou, garota. Penso que não. Pode-se colocar o melhor elenco nas mãos de Cuca e ele não chega lá. Não tem espírito vencedor, com Vanderlei, Mano, Ney Franco. Cuca é treinador com característica especial: tirar times do atoleiro. Vagner Mancini, por incrível que pareça, tem título mais importante. Foi campeão da Copa do Brasil com o Paulista. Ou seja, bom pra time pequeno. Não revela ninguém, gosta de trabalhar com pseudos medalhões. Os três, prefiro Givanildo de Oliveira, ganhador e melhor deles.
P – Qual é o melhor dirigente atual do futebol mineiro?
Disparado, dezenas de cabeças à frente, Alexandre Kalil. Bom, também, Marcos Salum, porém mal acompanhado com esta quantidade de presidentes na forma de administrar do América. Gilvan Tavares promete. No episódio de Montillo mostrou personalidade e enfrentou as pressões com sucesso. Quando se livrar do estilo ZZ Senador vai mais longe.
P – Quem você indicaria de Minas para a presidência da CBF: Kalil ou Perrela?
R – Nem um, nem outro. No caso de Kalil, sou seu amigo de longa data e não desejo esta mal pra ele. O presidente da CBF não pode torcer, ainda que tenha seu clube de coração. A CBF não tem torcedores, não gera paixão. Kalil é alma, é paixão. E afora toda as maluquices que faz pelo seu Atlético é capaz, é excelente administrador. Até hoje se pergunta como o Atlético saiu do nada, das dívidas, e passou a pagar em dia, a contratar atletas caros como Guilherme, e permite seu presidente afirmar que é o clube mais rico do País?
Que mágica é essa que Kalil fez?
P – Escale a sua Seleção Mineira?
R – Fábio, Marcos Rocha, Rever, Victorino, Richarlyson, Pierre, Filipe Soutto, Montillo e Bernard; André e WP9. Técnico: Moacir Júnior, do Tupi de Juiz de Fora.
P – E a Seleção Brasileira ideal para a Copa do Mundo?
R – Fábio, Dani Alves, Davi Luis, Thiago Silva e Marcelo; Cassimiro, Sandro, Ganso e Neymar; Fred e Hulk. Técnico: Nei Franco.
P – O senhor acha que Mano Meneses é o melhor treinador para a Seleção?
R - Respondi na pergunta anterior. O melhor é Nei Franco, disparado.
P – Quem ganhará o Campeonato Mineiro deste ano? Atlético ou Cruzeiro?
R – Você se esqueceu do América, menina.
P – Caso coubesse ao senhor a indicação de um ex-jogador para a CBF qual desses seria: Zico, Ronaldo Fenômeno, Romário, Bebeto ou Pelé?
R – Nenhum deles. Não existe indicação. Existem candidatos e a escolha é feita por um colegiado formado pelos presidentes de federações de futebol e pelos clubes que disputam as divisões A e B.
P – Cite cinco jogadores do futebol mineiro que atuariam em qualquer time do mundo?
R – Parada difícil diante da pobreza atual. Mas vamos lá: Fábio, Victorino, Rever, Bernard, Montillo e...não tenho outro.
P – Sinceramente, para qual time o senhor torce em Minas? Meu pai garante que é o Cruzeiro.
R – Seu pai viu o lobo uivar e não sabe onde. Nos meus 50 anos de jornalismo esportivo aprendi o seguinte: na casa que você habita todos estão sob suas asas.

Um comentário:

  1. Parece que as finanças do atlético não estão em ordem como vc disse. Há rumores de atraso de salários e de mais um empréstimo ao BMG, que vai acabar hipotecando o time, a continuar assim. E semi-falido é o Cruzeiro? Imprensa mineira, calada sobre o atraso no cais seco, e quebrando o Maior de Minas! risível.

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