domingo, 29 de abril de 2012

CLÁSSICO DAS MULTIDÕES VOLTA A DECIDIR O CAMPEONATO MINEIRO



Como nos velhos tempos quando América e Atlético faziam o maior dos clássicos do campeonato mineiro. Enchiam os 30 mil lugares disponíveis do velho Estádio Independência. Paravam a jovem cidade de Aarão Reis. Falo por ouvir dizer e porque li nas enciclopédias que chegaram ao meu tempo. Peguei parte disso, porém o Cruzeiro já estava morro acima e o Coelho morro abaixo. Inverteu-se agora, ou pelo menos no momento.
Enquanto o Galo tinha lá suas dificuldades pra passar pelo Tupi com o empate em l a l, em Juiz de Fora, e a vitória aqui por l a 0, discutível, o América, terceiro colocado no G-4, eliminava o Cruzeiro com duas vitórias e uma superioridade indiscutível: 3 a 2 e 2 a 1.
O time de Givanildo de Oliveira mostrou maior competência em todos os aspectos. Desde o primeiro jogo, quando vencia por 3 a 0 e permitiu a reação cruzeirense pra 3 a 2, gerando certa margem de dúvida para o segundo jogo, quando os azuis precisariam apenas de uma vitória simples pra ir à final do Campeonato Mineiro contra o Galo.
No confronto decisivo encarou o rival com motivação, e sem medo das tidas provocações de Alessandro que geraram mal estar na turma do Cruzeiro. O gol aos 2m, contra de Victorino, que atravessa uma fase tétrica, mostrou as intenções americanas. O Cruzeiro teve um pênalti bem maroto de Neneca em Diego Renan. Batido com violência por Wellington Paulista, foi defendido com estilo por Neneca – o melhor goleiro da competição – e no rebote WP9, com o gol vazio, chutou pra fora.
Então o América mostrou que os deuses do futebol estavam com ele, premiando o melhor. Levou o gol de empate marcado pelo artilheiro WP9 e não se assustou. Outro gol celeste e a vaga iria pra Toca. Neneca pegou tudo, tomou bola na trave e aos 47m, quando o Cruzeiro tornara-se um time de pelada, desesperado atrás do segundo gol, tomou o golpe definitivo.
Podia ter levado antes. O contra-ataque era do América. Mancini entrou no desespero e mexeu mal, fez uma miscelânea, uma salada de legumes podres, e Fábio Júnior fez 2 a l. Se as mexidas de Mancini não deram certo, as de Givanildo foram na mosca. Gente certa no lugar certo. Este sempre foi o esquema do América em todo campeonato até nas derrotas mais horrorosas e inesperadas.
Agora, Meu bom, caso eu queira fazer análises prévias e precipitadas, diria: a - O título será do Galo, porque foi o melhor durante toda competição. b - Como gosta de dizer afirmar a plebe ignara: o Coelho engrossa com a Raposa e entrega tudo pro Galo; c - O Galo tem mais time que o América.
Ou então evocaria o fato principal do futebol: o time só é melhor que o outro após o apito final do árbitro. Não custa lembrar Real Madrid e Barcelona, considerados os dois maiores times do mundo, eliminados da final da Copa dos Campeões da UEFA.
As duas partidas que América e Atlético farão a partir do próximo domingo – apesar da vantagem do Galo de dois empates, ou uma derrota e uma vitória pelo mesmo saldo de gols – têm a sanha dos mata-matas da Copa do Brasil, onde não falta é surpresa. No caso do clássico mineiro, nem se trata de surpresas ou de alguma zebra caso o América seja campeão. As semifinais o credenciaram ao título. Não é preciso torcer pelo Coelho, nem de nenhum grau de boa vontade pra ver isso.
O Atlético, conforme estabelece o regulamento do campeonato, foi primeiro colocado da fase de classificação, enfrentou o Tupi, quarto colocado. O Cruzeiro, com as vantagens iguais às do Galo, enfrentou o América, terceiro colocado. Teoricamente, o regulamento já estabelecia uma diferença: o melhor do G-4 contra o pior do G-4. O segundo melhor contra o terceiro colocado, ou penúltimo do G-4. Na pratica, o melhor passou por grande aperto contra o pior e o penúltimo eliminou o segundo e suas vantagens com duas vitórias.
Qualquer coisa nesse sentido ocorreu no Paulistão: o Corinthians ficou em primeiro lugar na fase de classificação e enfrentaria o oitavo, ou último colocado no G-8 (na competição deles classificam-se oito), a Ponte Preta. O time de Campinas teria ainda que jogar no Pacaembu, terreiro do Timão. Numa partida só, sem volta. Ao contrário daqui. Resultado: a Macaca tirou o poderoso Timão do título.
Não vou discutir que o Atlético tem melhor time, porque há controvérsias. O grande time começa pelo grande goleiro. O melhor é Neneca, do América. São dois treinadores perspicazes: Cuca já tomou água na cumbuca de Givanildo, como seu jogador. A decisão terá campo especial, gramado novo, porque, sem dúvida, será disputada no novo Independência. Como nos velhos tempos.
Pode-se levar em conta a questão do desgaste? Pode. O Galo está em duas frentes: decisão do Mineiro e busca de vaga na fase seguinte da Copa do Brasil. Perdeu a primeira em Goiânia por um placar difícil: 2 a 0. Difícil porque entra em campo com tal derrota no lombo e tem que usar a questão do cobertor curto. Marcar gol, sem levar nenhum. “Se tapa a cabeça, descobre os pés. Se cobre os pés, destapa a cabeça”, com se diz lá no São Domingos do Anta. O fato de não marcar gol no campo do adversário traz a desvantagem ao Galo. Tem de fazer 3 a 0 pra seguir em frente, ou 2 a 0, pra levar a decisão pros pênaltis. Se permitir gol do Goiás, a bruxa voa sem vassoura.
O desgaste emocional, portanto, será enorme. Cuca terá de enfrentar essa onça com todos os seus principais caçadores. E o jogo é quinta-feira, pelo menos é o que marca a tabela da CBF. No domingo, o Galo terá de enfrentar a correria, a disposição, a vontade e a determinação do América.
Duas grandes vitórias e um presente maior ainda, para o simpático Coelho de tantos bons amigos, na festa de seus 100 anos. Mais uma final no Campeonato Mineiro, como nos velhos e bons tempos do clássico dos milhões.
Fluminense e Botafogo decidirão o Campeonato Carioca, o que não ocorre desde 1970. O famoso clássico Vovô. Confesso que o Botafogo me surpreendeu nessa arrancada da Taça Rio, com Osvaldo de Oliveira. Impressionante como Maicosuel e Loco Abreu voltaram pra dar uma cara nova – de campeão – ao Fogão. A atropelada dada no Vasco não deixa nenhuma margem de dúvida. Ah, contra o tricolor, a história será outra. Ou não, Mário Sérgio Carraro?
Meu bom, como diria Pedro Archanjo, herói da Bahia e de Jorge Amado, “quem tem santo bom não morre debaixo de cachoeira”. Baixou no Neymar o Santo Protetor dos grandes craques santistas – Axé, Rei Pelé! – e o menino virou caboclo danado em cima dos adversários. Toma porrada, cai e levanta. Joga beijinho pros seus carrascos e parte para o gol. Marcou 3 e arregaçou com o São Paulo de Emerson Leão. Será que alguém duvida que o Peixe será tricampeão paulista?
Assisti, também, o dérbi campineiro ( coisa horrível e os amiguinhos de lá gostam). Consegui localizar os meus sobrinhos emprestados Zé e Gustavo, casados com a futura mamãezinha Tuca e com Fabiana, minhas sobrinhas, no Brinco de Ouro da Princesa (Céus!). Vi pela TV que foram embora mais cedo quando o Guarani liquidou a Ponte Preta deles. Corrijo: Zé é pontepretano, Gustavo é palmeirense. No fundo, a dor de cotovelo é a mesma. Quem aposta: Santos x Guarani, em dois jogos?

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