terça-feira, 3 de abril de 2012

CLÁSSICO EUROPEU SEM TEMPERO: Messi só apareceu por causa da arbitragem amiga

Não sou provinciano ao extremo de afirmar que no nosso “derby” – a velha corrida de cavalos que os paulistas levaram pro futebol – tenha craques refinados e consagrados como os que a gente viu na vitória do Barcelona por 3 a l sobre o Milan. Lá, também, alguns enganadores, como os daqui mesmos; outros, verdadeiras sumidades que esfumaram feito marés bravias nas más administrações de certos nossos cartolas.
Ah!!! Entretanto as emoções que o público de 95 mil pessoas no Camp Nou não sentiu sobrarão na acanhada Arena do Jacaré e seus 18 mil lugares ocupados só pela Massa alvinegra. Jogo de uma torcida só? Não levanto mais essa questão, porque é matéria decidida.
Não me agrada; parece que nossas forças de segurança, vencidas pelas forças das torcidas organizadas, morrem de medo de dividir o aconchegante estadinho de Sete Lagoas pela metade.
Dizia eu, após desligar minha Philco 17 polegadas, valvulada como pede a situação financeira aqui pelos lados do barraco no alto do Santo Antônio, que o clássico da Copa dos Campeões Europeus não teve tempero; não teve nem sal; nem o futebol de Messi.
Fez dois gols de pênaltis, no meu entendimento ambos mal marcados, - no primeiro Messi estava impedido ao retomar a bola, saía da figura A pra figura B (sic) e no segundo tive a impressão que a bola não havia entrado em jogo.
O Barça teve 61% de posse de bola, ou seja, usou seu expediente usual de neutralizar o adversário. O Milan, líder do Campeonato Italiano, esse ano é arremedo de time. Não contratou ninguém, em razão da grave crise financeira porque que passa o futebol da Bota – a nós aí, Sílvio Lancelotti!. Sem falar na burrice de seu treinador Alegri, ao lançar Pato vindo de séria contusão e tirá-lo de campo 10m depois. Céus!
Normalmente, nos nossos clássicos a disparidade não é de 60% de posse de bola contra 40%. No máximo, um time joga melhor no primeiro tempo e o outro no segundo. Ou então um deles é melhor, cria as melhores chances, aí leva um gol no final e perde a partida. Os catedráticos da bola dirão: “os clássicos são decididos nos detalhes”.
Muito bem, dito isso, ficamos acertados que, em paz, com espírito desarmados, cada qual com o seu cada qual, torcerá pelo sucesso da sua equipe. Quem puder ir à Arena que vá. Seja feliz na ida e na volta; e que este seja, também, o último grande jogo da Arena de Sete Lagoas. Nada contra...
O GRÊMIO DE FOOT-BALL PORTOALEGRENSE formava no elenco de grandes clubes no meu disputado campeonato de times de botões que eu patrocinava na varanda de minha casa, na ex-Rua das Flores, 241, em Caratinga. Ali por volta do início dos anos 60, quando vim tentar a sorte na imprensa esportiva da Capital, os gaúchos tinham um time de encher os olhos. Aliás, um não: dois. O Internacional também tinha um timaço.
Porém, o adolescente filho de dona Geralda já inscrevera o Grêmio de Lupicínio Rodrigues, o Flamengo de Dida e o Santos de Pelé, ao lado do EC Caratinga de Caturé, Biguá, Galofante, Nico, e mais tarde de Moacir, Benejam, João Batista, Acyr e outros, na lista de seus times preferidos.
O time do Grêmio veio jogar em Beagá, salvo melhor juízo, pela Taça do Brasil contra o Atlético no Independência. Lá fui eu, atrás do impetuoso microfone da Rádio Inconfidência. Os gremistas liquidaram o campeão mineiro por 4 a 0. Fantástico time com nomes que não me esqueço: Ortunho, Milton, Vi, Gessi, Joãozinho e o melhor de todos, o zagueiro Airton. Um gigante forte, perfeito nas bolas aéreas e de técnica apurada nas bolas rasteiras.
Dizem até que foi o único beque que driblou Pelé dentro da área.
Airton morreu esta semana no anonimato pro resto do País. Não devia. Com certeza idolatrado pela torcida gremista que o tratava carinhosamente por Airton Pavilhão. Aos 77 anos, Airton Pavilhão estava internado no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre. Sofria com uma infecção generalizada. O corpo foi velado no Salão Nobre do Estádio Olímpico.

Segundo pesquisei em sites, Airton Ferreira da Silva começou a carreira no Grêmio depois de uma negociação curiosa. Foi comprado do Força e Luz por 50 mil cruzeiros mais um pavilhão de arquibancadas, fato que lhe deu origem ao apelido.
Ficou famoso por ser defensor de alta técnica, e poucas faltas. Airton permaneceu no Grêmio de 1954 até 1960, quando se transferiu para o Peixe e atuou ao lado de Pelé. Mas foi jogando contra o Rei do Futebol que teve seu momento histórico, num de seus lances mais emblemáticos. No Olímpico, Airton aplicou um lindo “chapéu” no camisa 10 do Santos e ficou marcado por ser “o único zagueiro a driblar Pelé”.
Airton permaneceu apenas um ano no Santos e depois retornou para o Grêmio, em 1961. Ficou no Olímpico por mais seis anos.
Ainda teve passagens por Cruzeiro de Porto Alegre, Cruz Alta e pela Seleção Brasileira, em 1962, antes da Copa do Mundo.
No Grêmio, o zagueiro conquistou seis títulos do Campeonato Gaúcho e o Torneio Sul-brasileiro e ainda foi campeão Pan-Americano pela Seleção Brasileira, junto como saudoso Ênio Andrade, do Internacional e ex-treinador do Cruzeiro. Atualmente era conselheiro do clube gaúcho.

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