terça-feira, 10 de abril de 2012

CLÁSSICO SEM VENCEDOR DENTRO E FORA DO GRAMADO


O clássico teve placar justo
(2 a 2), foi bem movimentado, bom de se ver em quase que integralmente, todavia na repercussão e catando os cacos teve mais perdedores do que vencedores dentro e fora do gramado. A começar com a insistente escalação de três atacantes por parte de Wagner Mancini – que pretende repeti-la nesta quarta em Chapecó, contra a Chapecoense, pela Copa do Brasil – e a terminar com a declaração absurda de Cuca considerando o Atlético dono da partida.
Pra ele, o placar foi injusto e o Cruzeiro o conseguiu por pura sorte, visto ter sido dominado os dois tempos.
À lista de perdedores somam-se a incompetência dos atacantes atleticanos que tiveram chances de fazer marcador maior no primeiro tempo e liquidar o jogo; a apatia celeste ao se entregar totalmente ao domínio do adversário, a ponto de levar o primeiro gol, aos 24m, do baixinho Danilinho, ainda mais deitado.
E a ferocidade deste mesmo atacante, que na saída de bola quase quebrou a perna de Montillo e o juiz Renato Conceição só olhou. Os atletas perderam o bom-senso, como Roger que entrou no intervalo, junto com Everton nos lugares de Marcos e Walyson, logo aos 9m do segundo tempo, acertou o meio-campo cruzeirense, porém passou ileso na agressão covarde e pelas costas no Danilinho.
Erro do árbitro que puniu a agressão com apenas cartão amarelo.
A perseguição de Pierre a Montillo, também, não o fez vencedor. Pelo exagero das faltas foi expulso e prejudicou o time. Os goleiros Fábio e Renan Ribeiro também não ficaram fora do rol de perdedores. Fábio, aos 38m do primeiro tempo, saiu mal no gol de André, foi combater Danilinho na linha de fundo, tomou a bola entre as pernas e o artilheiro do Galo completou em cima da linha.
O primeiro gol de Anselmo Ramon, o goleiro atleticano falhou no tempo da bola, quis agarrá-la quando devia apenas desviá-la num tapa. Errou feio, como errou sua zaga em não acompanhar Anselmo Ramon. O artilheiro empatou o jogo aos 34m, da fase final, mas no primeiro tempo perdeu gol incrível. Montillo passou por Renan Ribeiro e rolou a bola pra Anselmo Ramon, na marca do pênalti e ele chutou por cima.
Ainda com o placar em 2 a l, outro erro crasso de Guilherme: aos 31 minutos, num belo chute de Fillipe Soutto, que explodiu na trave. Na sobra, Guilherme, na cara do gol, isolou. Céus, os times erraram demais, pensei comigo ao ver o vídeo gravado em casa.
O jogo foi um barril de pólvora pronto pra explodir. Aos 3m de bola rolando, Renan Ribeiro e Wellington Paulista já estavam amarelados, sem falar naquela entrada brava de Danilinho em Montillo.
Não se pode criticar o árbitro. Se não tivesse o jogo de cintura que mostrou a partida terminaria numa delegacia. Os jogadores queriam se matar, jamais jogar bola.
NO APÓS JOGO, a coisa foi pior ainda. Vagner Mancini tentou convencer que o esquema de três atacantes não prejudicou o time no primeiro tempo. Tudo ocorreu pela apatia geral. A reação veio por meio da sacudida que ele teria dado na moçada durante o intervalo. Que nada, o time melhorou com Roger que engoliu o meio-campo do Galo, deu mais liberdade pra Montillo e fez tremer os atleticanos da criação.
Disse Mancini:
“De forma alguma. Esse esquema vai ser mantido até que eu ache que vale a pena. Nós não devemos atribuir ao sistema de jogo aquela apatia do início de jogo. Se tivéssemos entrado com mais um jogador no meio-campo, poderíamos ter tido isso. Então não vamos atribuir ao esquema, mas à atitude de cada um, que foi diferente no segundo tempo. Se eu tivesse voltado com mais um atacante em vez de mais um meia, talvez a gente tivesse a mesma performance”.
Além das substituições, Vagner Mancini deu outros motivos pra reação do Cruzeiro
“A cobrança que houve no intervalo. Nós sabemos que aquele não era o nosso time. Disse a eles, cobrei mais empenho. Num momento como esse, o cara volta para o segundo tempo renovado, com mais energia. Mas, além de tentar chegar ao empate, nós tínhamos de frear uma equipe que foi muito rápida no começo do jogo, mas que, ao longo do jogo, com a imposição do Cruzeiro, caiu no segundo tempo”.
Até nesse ponto concordo com ele, porque o meio-campo cruzeirense não jogava nada e fazia da defesa uma avenida por onde entravam os atacantes alvinegros em velocidade. Everton, como lateral esquerdo, e Diego Renan indo pra direita, mais Roger no meio, acertaram o setor. Acabaram com o fatídico 4-3-3 que não deu certo contra time grande.
CUCA FECHOU a lista dos absurdos, ao afirmar que o Galo esteve melhor os 90 minutos. Segundo ele, o primeiro tempo foi bem jogado, e o Cruzeiro não deu um chute. Retórica, claro, força de expressão. Apesar de dominado o Cruzeiro chegou a pregar sustos em Renan Ribeiro.
Cuca comete o disparate: “O segundo tempo foi bem melhor jogado pelo Atlético que pelo Cruzeiro, em minha opinião”.
Por que tal justificativa? Motivo: a torcida entusiasmou com a possibilidade da devolução da goleada. A avalanche do primeiro tempo mostrava isso. A frustração do empate puxou a Massa pra baixo e as manifestações aconteceram. Cuca ficou na contramão.
Cuca tentou justificar o injustificável com a participação dos deuses do futebol que sopraram a sorte pro lado azul. Além da incompetência geral pra paralisar o crescimento do adversário, os comandantes do túnel não fizeram uma leitura normal da partida.
Pensamos da mesma forma quanto ao primeiro tempo: Cuca lamenta as chances desperdiçadas e diz que “nós pecamos em não matar o jogo. Tivemos um pênalti, que o Bernard preferiu a vantagem da jogada. O tempo vai ensinar. Num lance fortuito, a bola bate em alguém, encobre o goleiro, erramos o tempo de bola e o Cruzeiro fez 2 a 1. Vira outro jogo. Tivemos bola na trave, perdemos gol”.
Pênalti? Teve mesmo Cuca?
“O Cruzeiro teve sorte do resultado. No futebol, não existe merecimento. Se existisse, deveríamos vencer pelo que jogamos. O empate, para nós, teve gosto de derrota, ainda que a gente continue três pontos na frente”, disse. “O Cruzeiro teve eficácia, competência para fazer o gol, e sorte pelo resultado, com bola na trave deles. Tomamos o segundo gol num contra-ataque nosso.”
Não entendi. O Galo contra-ataca, mas quem faz o gol é o Cruzeiro. Vamos torcer que o Penarol nesta quarta-feira, em Manaus, pela Copa do Brasil não conte com a mesma sorte do Cruzeiro. E que o Atlético esteja com o pé na forma e sem a pressão que sofreu dos seus 17 mil torcedores que lotaram a Arena do Jacaré na esperança de ver sua equipe, 100% no Mineiro, devolver o vexame dos 6 a 1. Com todas as desculpas do Cuca, a torcida deixou a Arena cuspindo marimbondos, como diria o saudoso Sasso.

2 comentários:

  1. E a entrada forte de Montilo em Richarlyson, hein? Assim como foi forte a entrada de Danilinho em Montilo. A do Roger foi diferente, foi desleal, foi por trás, foi covarde.

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  2. Há uma tentativa de alguns da imprensa – vide Jaeci em sua coluna hoje, Emanuel Carneiro na Itatiaia, Afonso Alberto ontem – de igualarem os atos do Danilinho e do Roger. A do Danilinho foi entrada forte de jogo. A do Roger foi desleal. Na do Danilinho, o agredido teve a chance de se defender, como assim o fez Montillo ao pular assim que o Danilinho o toca – isso ficou claro na imagem. A entrada do Roger foi covarde. Não deu chance do agredido se defender, além de poder ter uma catástrofe e o Danilinho perder o movimento de um ou mais membros ao se atingir a medula. Se for julgar no tribunal uma entrada igual a do Danilinho no Montillo, teríamos que ter de 2 a 3 julgamentos por jogo. Quase todo jogo há entradas daquele jeito. Um exemplo? Montilo também teria de ser levado ao tribunal por causa daquele entrada forte de jogo no Richarlyson. Veremos como o Tribunal vai agir. Estamos atentos e observando a cor do Tribunal, ou se ele não tem cor.

    E podem brigar à vontade, porque o título já tem dono: O Galo. Quem viver, verá.

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