terça-feira, 1 de maio de 2012

CRAQUE, TAMBÉM, TEM SUA FASE RUIM E DE CABEÇA-DE-BAGRE

Não me recordo de quantas vezes li, desesperado, que Pelé estava acabado para o futebol. Lembro-me da primeira. Após a Copa do Mundo/62. Ele sofreu uma distensão séria no nervo adutor, no primeiro jogo da competição, contra o México e não jogou mais. Os boatos diziam que jamais voltaria a ser o mesmo. Naquela época, a ciência e a medicina esportiva caminhavam a passos lentos.
A segunda vez, após a Copa do Mundo/66. O Brasil voltou mais cedo, eliminado na primeira fase; os velhos bicampeões mundiais foram dados como acabados; surgia nova geração com aproveitamento de alguns craques entre os fracassados de Londres. Pelé era a dúvida. Voltara machucado de tanto apanhar.
Nas eliminatórias da Copa de 70, João Saldanha acreditou nele e na dupla Tostão e Pelé, que a maioria dos entendidos dizia que não poderem jogar juntos. Tostão seria reserva de Pelé. O Brasil ganhou as eliminatórias com um pé nas costas e sobre a Copa de 70 todos sabem. Pelé voltou mais Rei do que nunca.
Assim foram outros craques. Sem paciência a torcida entra na conversa fiada de parte da imprensa e execra o atleta em fase ruim. Mil xingamentos: vendido, pipoqueiro, mercenário, etc. Alguns torcedores assumem logo o papel que analistas de imprensa fazem tão bem: o de profetas do acontecido.
“Eu disse que este cara não joga nada; que é mercenário como qualquer outro, um pipoqueiro de marca maior; nos clássicos e nas decisões se omitem”
A bola de vez é Walter Montillo. Memória curta do torcedor decepcionado que não se recorda da Libertadores anteriores nas quais Montillo carregou seus times nas costas e virou craque continental.
Claro que não é nenhum Neymar (pro Cruzeiro é como se fosse, afinal é o seu craque mais caro); também, a Jóia santista não carrega o time do Peixe sozinho. Tem a ajuda de Ganso e de outros bons jogadores. No entanto, tem sido mais decisivo do que qualquer atacante no Brasil. Marca gols, dá assistência e tira brucutus de campo, expulsos de campo de tanto lhe dar porrada.
Aliás, o número de expulsões é bem menor do que o exigido.
Montillo é o primeiro nome na lista de caça às bruxas na Toca da Raposa, após a eliminação no Campeonato Mineiro. Sua presença é exigida no crematório público das fogueiras. E pensar que outro dia mesmo, milhares e milhares de torcedores pediam a renovação de seu contrato, e aplaudiram a decisão do presidente Gilvan Tavares de não aceitar nenhuma proposta inferior a 10 milhões de euros pelo craque.
Será que este mesmo pessoal teria o descaramento de dizer agora que o Cruzeiro fez mal negócio e podia vender o craque Montillo agora até por uns 10 milhões de reais?
Passei pela porta da sede atleticana de Lourdes e constatei o entusiasmo da torcida. Filas enormes atrás de ingressos para o jogo Galo x Goiás, pela Copa do Brasil, nesta quinta-feira.. É muita emoção pra se sentir. A volta do time à Capital, jogando no novo Estádio Independência que a maior parte da torcida não conhece. E o principal: levar apoio à equipe pra superar os goianos e manter-se na Copa do Brasil, competição que o Galo jamais venceu. E não é um jogo qualquer, meu bom!
O diabo deste time verde de Goiânia, no momento comandado por Enderson Moreira, mineiro, ex-treinador de base no Cruzeiro, dono de uma campanha excelente no Goiás, nunca fez graça para o Galo. É um carrasco duro de enfrentar e dobrar. No primeiro jogo, no Serra Dourada, venceu por 2 a 0. Colocou o Galo na encruzilhada: tem que fazer três gols sem levar nenhum. Ou então marca dois e vai pro martírio dos pênaltis. O jogo será nesta quinta-feira, naquele horário global após o último amasso da novela.
Interessantes são as manifestações populares. Torcedor do Galo me segurou pelo braço na porta da farmácia e perguntou abruptamente: “Tinha que ser agora? Tinha mesmo que ser agora, Flávio?” Até sem saber do que se tratava se era futebol ou política, abri os braços interrogativos. Aí o moço se explicou: “Tinha que ser agora essa volta do Galo ao Independência, numa competição tão difícil?”
Respondi que a volta do Galo à Capital se justificaria em qualquer circunstância. A torcida, apesar das péssimas atuações contra o Tupi, anda saudosa de gritar pelo time no seu terreiro. O rapaz me interrompeu e passou os números: “Lá na Arena do Jacaré foram 51 jogos, 30 vitórias, ll derrotas e 10 empates. São 66% de aproveitamento, Flávio! Agora vamos começar tudo de novo!” É, existe gente que nada agrada.
O Goiás pensa só em eliminar o Galo, manter o tabu e conquistar a sua sétima vitória consecutiva. No Goianão, domingo passado, o Goiás jogou seu clássico contra o Vila Nova e venceu por 3 a 0, classificou-se para a final do Goiano. Não se leva em conta a fase atual do Vila Nova, na qual o urubu de baixo cospe no dia cima. Na decisão do campeonato deles, o Goiás enfrenta o Atlético Goianiense, dirigido por Adílson Batista. O regulamento deles é que nem o nosso: o Goiás jogará por dois empates ou vitória e derrota pela mesma diferença de gols.
Cabeça baixa, sapos engolidos por quem falou de mais antes do jogo decisivo contra o América, o Cruzeiro tem outra parada indigesta nesta quarta-feira: pega o Furacão de Curitiba, lá na Arena deles, pela Copa do Brasil.
Parada mais indigesta ainda para o técnico Vagner Mancini que teve sua cabeça colocada a prêmio, após a eliminação no Mineiro. A diretoria, como sempre acontece nesses casos, diz que não pensa em trocar de treinador no momento. Mancini estaria prestigiado, ao menos na disputa do atual torneio.
Falou isso na segunda-feira, porém marcou reunião dos pares pra terça-feira. Não creio que os cartolas azuis sejam tão estúpidos a ponto de dispensar o treinador ás vésperas de jogo tão importante como este em Curitiba.
Novidades acontecerão. Aquela sangueira toda que Victorino botou pelo nariz e o tirou do clássico, antes do final, vai tirá-lo, também, da partida em Curitiba. O becão Alex Silva faz sua estréia. Ótimo, porque será numa partida complicada e a gente poderá avaliar seu estado físico atual. A conversa de Victorino ficar fora por causa da pancada no nariz é pra enganar trouxa. O uruguaio anda, na realidade, mal das pernas. Falhando demais.
Souza, também, poderá ter sua chance no banco. Ou quem sabe até entrar no jogo, ao lado de Roger, dependendo das condições de Montillo.
Como o Departamento Médico do Cruzeiro nega-se a informar qualquer tipo de contusão dos atletas, pode-se especular à vontade. Montillo está de caspa; Montillo simula cansaço muscular pra não encontrar outro Dudu ou Vanderson que o coloque no bolso durante as partidas. O que o departamento médico do clube é incompetente a tal ponto que não consegue detectar qual é o problema dos contundidos. Principalmente do argentino. E quando dispensaram o Dr. Octacílio da Mata Lopes alegaram que o departamento passaria por uma reformulação. Ou seja, passou. Piorou. É omisso.Céus!

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