segunda-feira, 14 de maio de 2012

GALO CAMPEÃO INVICTO – e dizem que Campeonato Mineiro não vale nada.


O Campeonato Mineiro só é ruim pra quem perde. Já ouvi esta frase em contraponto às falácias de ZZ Senador que rotulou o torneio de campeonato rural. Porém, nunca deixou de comemorar o título. Torcedor não quer nem saber: conquistas são comemoradas com festas, buzinaços, foguetes, carreatas, cervejada e muita, mas bastante mesmo, conversa fiada.
Justiça se faça ao presidente Alexandre Kalil. Sempre disse que o Campeonato Mineiro, para o Atlético, alia ouro, e exigia que seu time conquistasse todos os títulos estaduais.
O Galo sobrou dessa vez: quase foi campeão com 100% de aproveitamento. Foi campeão invicto. A torcida festejou no Novo Independência, nas ruas, com o fervor de quem conquista título nacional.
Aí é que está. Existe algum aparelho que meça o tamanho da alegria?
Ou a dimensão da dor?
Então não há como dimensionar o valor da conquista, seja ela estadual ou nacional. No momento, mede-se o tamanho da alegria que o título invicto proporcionou à torcida pelo barulho que ela fez. Barulho capaz de abafar os gritos de desesperos da eliminação na Copa do Brasil outro dia. É página virada, foi-se mundo afora, na enxurrada de lágrimas e de suor que a Massa despeja a cada jogo nos estádios onde o time joga.
Não se trata de chorar o leite derramado, ou a dor de amor mal curada. Porque nesse caso do Atlético não é possível substituir o amor; ele não passa, ele não morre. Passam o desengano, a frustração e a decepção. A paixão fica doída: ela descansa, enternecida, ali num canto da alma. Basta pequeno flerte, namoro fingido, promessas vãs e lá vêm todos de alma limpa, paixão escorrendo nos poros, gritos de campeão na garganta, o Hino do Galo, declaração eterna de amor cantada em coro uníssono.
Que não se faça da conquista invicta do Campeonato Mineiro o que antes se chamava de mal necessário, pois enganava os torcedores com times campeões de m. Vinha o Campeonato Brasileiro e a verdade desnudava os nossos times, que iam parar no porão. Nem sempre foi assim. Voltem há poucos anos: as conquistas do Mineiro por Atlético ou por Cruzeiro, com facilidade nos estaduais com participações marcantes no Brasileiro.
A imprensa esportiva das Geraes assumiu, em grande parte, a postura de profeta do Apocalipse ao prever desastre total dos nossos times por aquilo que mostram no Mineiro. Ao mesmo tempo, reforçam o pessimismo canhestro ao afirmar que com uns três ou quatro reforços cada time poderá até disputar o título.
O campeonato mineiro não pode servir de base – segundo esses coleguinhas. Mas eles conseguem prever que com apenas três ou quatro reforços nossas equipes se transformarão em máquinas de jogar futebol.
Huuum, imagino. Eles prevêem que o Galo contratará três bons reforços e mais Neymar. O Cruzeiro terá outros três reforços e mais Lionel Messi. Problemas resolvidos.
A questão que tratamos aqui não é esta. A questão é mais profunda e mexe com a alma humana. Desmerecer o campeonato mineiro, dizer que é muito pouco o Galo ser campeão mineiro invicto, é absurdo, porque desrespeita o sentimento de milhões de pessoas em festa com o título conquistado. O tamanho do torneio, sua qualidade, nada se compara à alegria proporcionada. O campeonato brasileiro em seguida é outra história.
E os bobos dizem que no semestre, o Galo disputou a Copa do Brasil e o Mineiro; ficou apenas com o torneio caseiro que não fundamenta nada. Fundamenta a paixão extravasada pelas ruas da cidade.
Melhor então que não houvesse nenhuma competição e que os times ficassem numa pré-temporada cansativa de três meses. Não é o que dizem? O time tal fez péssima pré-temporada e por isso está mal no Brasileiro. Então, o melhor é poupá-los dos milhões que a Globo paga pelo Campeonato Mineiro? E a torcida, como agregá-la em torno de um time que não disputa nada e, portanto, não ganha nada? Entendeu meu Bom?
Alexandre Kalil quando se exacerba feito qualquer torcedor e provoca o Cruzeiro após ganhar invicto o título mineiro comete o mero desabafo de um torcedor comum que ganha este título. Fez o que a torcida quer que ele faça. Grite com o Novo Independência é do Galo e convide o arquirrival pra ser seu inquilino. Mas só pode fazer isso a faixa de campeão no peito, e a torcida feliz cantando “o Independência é nosso”, mais o cantou o Hino do Galo. Porque Kalil, como qualquer atleticano, derrama paixão pelos poros e tem direito de ser inconseqüente nessa hora de loucura total. Perfeito.
Existiu o pênalti em favor do América ali pelos 12m de jogo e Leandro Pedro Vuadem comeu mosca. Não marcou enganado pelo vôo desnecessário de China. Ao ser seguro por Bernard, se China tivesse permanecido em pé, Vuadem com certeza daria o pênalti. Não mudaria nada na história da decisão pelo que jogava – e jogou o Atlético. No máximo, o placar seria 3 a l. Não é adivinhação: é leitura dos acontecimentos. Tanto que após o jogo, o América aceitou normalmente a decisão e educadamente foi buscar seu troféu e suas medalhas. Como soprou Flávio Júnior ao final: se a decisão fosse entre Cruzeiro x Atlético, duvido que o vice ficaria no gramado pra receber suas medalhas.
Bernard pelos dois gols e pela atuação coletiva; Richarlyson, por superar as vaias do jogo anterior e ser impecável na partida decisiva; Serginho porque funcionou bem como a surpresa de Cuca e Geovani, abandonado no gol, solitário na falta de confiança geral, porém seguro nas saídas das bolas vindas nos cruzamentos sobre sua área e nas defesas em lances decisivos, foram os grandes nomes da decisão.
Não consigo, contudo, engolir as papagaiadas de Mancini durante o jogo e depois. Parecem forçadas. Beijos no escudo, declarações de amor ao clube que abandonou um dia, bocas e caretas, uma vontade de liderar o grupo que não lhe ouve, nem segue. Líder não se faz assim. Mire no exemplo de Réver.
Vou esperar as mensagens dos que estiveram no estádio do Horto, ou Arena do Independência como querem os homens do governo, ou Estádio do Galo como quer Alexandre Kalil pra tomar conhecimento dos problemas. Se é que eles aconteceram. Afinal, em dia de festa, de alegria, o que se menos ouve são os gemidos dos inocentes e os gritos de dor dos pés pisoteados.
Não tenho dúvida de que o Santos entrou em campo mais preocupado com a partida que fará nesta semana contra o Velez Sarsfield pela Libertadores. A vantagem que levava pra decisão dificilmente seria tirada. Ainda mais após fazer l a 0. Tanto que suas feras permaneciam omissas, apenas olhando. O Guarani empatou e o Peixe fez 2 a l. O Bugre empatou de novo. Então, Neymar e Ganso resolveram colocar um fim no sofrimento do time de Campinas, ansioso atrás de um milagre. Fizeram 4 a 2, passaram a régua, pagaram a conta e o tricampeonato paulista do Santos virou festa no Morumbi e na Baixada. Ô, ninguém tem um Neymar de sobra aí, não?
Nada diferente sucedeu no Engenhão. O Botafogo, pelas tabelas, pra tirar uma vantagem enorme do Fluminense só com a ajuda de Santo Expedito. Tomou l a 0, ficou feliz e o tricolor fez a festa do campeonato carioca. Com prudência, claro, porque tem o Boca Juniors nas quartas de final da Libertadores esta semana.
Enquanto isso, a torcida do Atlético Goianiense faz coro com parte da torcida cruzeirense por Adilson Batista. O seu time fez l a 0 no Goiás, resultado que lhe dava o título goiano. Com aquele jeitão de buscar esquema que garanta o placar, Adilson pôs o time na retranca e levou o empate. Goiás de Enderson Moreira campeão estadual. Adilson Batista ouviu: “Fora, Fora, Fora”. Aqui, os cruzeirenses (2) dizem: “Vem que te quero bem”. Ê Jesus Amado!
Paulo Roberto Falcão, bem no estilo baiano, mandou a compostura pra m. e desandou a xingar o juiz como fizera na primeira partida contra o Vitória. Resultado: foi expulso pela segunda vez consecutiva em Salvador. Elegante, arrumou o paletó e tomou rumo dos vestiários. Porém, com o título de campeão baiano nas mãos, após l2 anos de espera do maior clube da Boa Terra. O Bavi sensacional terminou em 3 a 3 e o Bahia tinha a vantagem dos dois empates. No primeiro jogo, foi 0 a 0.
Não falem que uma derrota ou eliminação não abate quando seu time é bom e tem de imediato outra decisão pela frente. O Inter dançou na Libertadores e quase perdeu o título gaúcho contra o Caxias. Tomou l a 0 e só virou quando Dorival Júnior enxergou o óbvio: colocou em campo, no segundo tempo, D’Alessandro que estava sentadinho no banco de reservas. Virou pra 2 a l e ganhou outro título estadual.
Em Curitiba, por causa do regulamento, o meu amigo Marcelo Oliveira teve que suportar três decisões. Empate no primeiro jogo, empate no segundo e a decisão dos penais. Sua sorte é que Guerron não estava naqueles dias e perdeu sua cobrança. O Coritiba venceu o Furacão por 5 a 4, nos pênaltis e é o novo campeão paranaense. Viva o Pacote!
Tá na praça: o presidente Gilvan Tavares rejeitou nova proposta por Montillo. Veio do Al Garafa do Catar. O valor: 6 milhões de euros, quase 17 milhões. E mais o volante Edmilson, ex-Palmeiras. O Cruzeiro disse não apesar de correr atrás de grana pra contratar Lorenzheti.

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