terça-feira, 24 de julho de 2012

OUTRO AMIGO SUMIDO QUE SE VAI MAIS CEDO: JORGE VIEIRA


No twitter, o ex-companheiro de Sportv, repórter Rui Guilherme, anuncia sem maiores detalhes: morreu hoje no Rio o técnico Jorge Vieira.
Eu perdi o contato com Jorge há anos, logo após fechar meu escritório de advocacia. 
Jorge que conheci quando treinador do América Mineiro, por volta de 1970.
Estourou no futebol carioca como menino prodígio. Aos 20 anos, levaria o Olaria a disputar o Torneio Rio-São Paulo, reduto apenas dos grandes times das duas maiores cidades do País.
O clube da Rua Bariri, sob o comando do jovem treinador conseguiu a vaga no campo. As previsões sobre possível fracasso na maior competição nacional da época, falharam. O Olaria terminou em quarto lugar, e revelou jogadores importantes como Murilo, lateral; Haroldo, quarto zagueiro; Cané, ponta-direita, Rodarte, atacante, e outros que a memória não me ajuda mais.
Do Olaria pulou para o América do Rio e surpreendeu todo mundo. Os diabos rubros foram campeões cariocas em 1960, numa final sensacional contra o Fluminense de Zezé Moreira. Foi de virada e o último gol marcado por Jorge, lateral direito, pegando rebote do saudoso Carlos Castilho que não segurou a falta cobrada pelo ponta-esquerda Nilo. Vou ver se consigo lembrar alguns nomes deste: Ari ou Pompéia, Jorge, Djalma Dias, Wilson Santos, Amaro, João Carlos, Calazans, Nilo, Antoninho, e outros.
Dei uma chupetada no site do Milton Neves, na coluna Que Fim Levou? E achei a foto abaixo onde Jorge Vieira aparece entre alguns heróis de 1960.
Após passar pelo América Mineiro, Jorge Vieira correu o mundo. Foi treinador no México, na Arábia Saudita – um dos primeiros – voltou pra comandar o Palmeiras, Corinthians, Botafogo, Vasco, Fluminense e outros mais. Voltou a Minas Gerais, nesse período, contratado pelo Atlético, porém fracassou. Esteve de novo no América Mineiro sem o mesmo sucesso.
Minha primeira viagem para uma transmissão externa na Rádio Guarani foi justamente pra cobrir o amistoso do América em Vitória, contra a Desportiva Ferroviária. Luiz Chaves era o narrador e me lançou como o comentarista “iê,iê, iê”, que era o ritmo da mocidade naquela época. Nós tínhamos 23 anos.
As dificuldades eram muitas, principalmente por falta de estradas asfaltadas. Voltei com a delegação, numa longa viagem e fiquei amigo de Jorge. Nas demais passagens, já formado em Direito, tive meus serviços contratados por ele para receber os salários atrasados no Atlético e, depois, no América.
Jorge era de família rica e casou-se com mulher rica. Nos clubes, tinha a mania de bancar os salários em atraso, até que enchia o saco.
Estive com ele no Parque Antártica, convidado pra almoçar e conhecer o estádio. Depois, foi treinador da Ponte Preta, onde descobriu Oscar e o indicou ao Cruzeiro. Eu falava com ele num telefone e com Felício em outro do meu escritório. Brandi não acreditou no potencial de Oscar.
Outro sucesso de Jorge Vieira aconteceu no Botafogo de Ribeiro Preto, com Sócrates no time, e conseguiu o título do primeiro turno do Campeonato Paulista, e uma vaga na final. Houve festa em Ribeirão Preto.
Jorge foi trabalhar de novo no exterior. Aos poucos, eu perdi o contato com ele. Mas as lembranças boas ficaram. Homem educado, simples e que nunca deixou de atender com gentileza o pessoal da Imprensa. Falava bem, era graduado em Direito, e até recebeu o apelido de “Jorge Palavra”. Que Deus o tenha em bom lugar!

Pompéia, Djalma Dias, Wilson Santos, Ivan, Quarentinha e Nilo
E aqui estão, em março de 2006, seis dos 12 heróis do América Futebol Clube, o grande surpreendente campeão carioca de 1960. O Maracanã, vazio na foto, viu o time do técnico-menino Jorge Vieira derrotar o Fluminense de Castilho por 2 a 1, na decisão. Você está vendo no gramado do Maracanã, o volante Amaro, o atacante Antoninho, o ponta-esquerda Nilo, o técnico Jorge Vieira - no centro - (amigo do peito de Saddam Hussein - é sério, viu?), o lateral Jorge e o ponta-direita Calazans. Falta, dos heróis de 1960, o ex-botafoguense João Carlos, meio-campista. Dos titulares campeões cariocas daquele ano já morreram Ari, Pompéia, Djalma Dias, Wilson Santos, Ivan, Quarentinha e Nilo. E agora Jorge Vieira. ( site de Milton Neves – Que Fim Levou?)

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