sexta-feira, 17 de agosto de 2012

CAMPANHA DO SÃO PAULO COLOCA NEY SOB FOGO CRUZADO



No seu comentário final em Londres, sobre a participação da Seleção Brasileira de futebol masculino, o deputado Romário, na função pára-quedista de jornalista esportivo, desancou Mano Menezes, a quem responsabilizou pela perda da sonhada medalha de ouro.

Segundo o Baixinho, no alto de sua independência como político e no pódio de suas conquistas como atacante, campeão mundial e respeitado pelo mundo afora, o grande erro da CBF foi tirar Ney Franco, competente, atualizado e grande revelação como técnico, e colocar Mano, vaidoso, arrogante e incompetente.

Conheço a carreira vitoriosa de Ney Franco desde seus tempos de divisões de base do Cruzeiro. Tem um talento incrível pra revelar jogadores e maior, ainda, pra lançá-lo. Demonstrou tal capacidade ao assumir o Ipatinga, onde foi campeão mineiro, com jogadores emprestados pelo Cruzeiro, então parceiro do time do Vale do Aço. Fez uma importante Copa Brasil naquele ano e chamou a atenção de Kleber Leite, presidente do Flamengo. Trabalhou na Gávea e no Botafogo.

Teve proposta do exterior, porém preferiu ficar, por enquanto por aqui mesmo. No Coritiba, longe da exigente mídia do eixo Rio/São Paulo conseguiu realizar seu trabalho, transformado em conquistas e talentos revelados. Inclusive a recuperação do garoto Dudu, desprezado pelo Cruzeiro sob alegação de possuir um gênio terrível. Dudu voltou à Toca da Raposa e foi negociado.

Nas categorias de base da CBF foi que Ney Franco se realizou: foi campeão sul-americano, mundial e classificou o Brasil para as Olimpíadas de Londres. Garantiu-me que estaria no evento até o fim. Com a saída de Ricardo Teixeira, a coisa começou a mudar pra este meu conterrâneo de Vargem Alegre – como explico sempre, Vargem Alegre, onde Ney nasceu e que à época era distrito de Caratinga. Não me agradou quando me comunicou seu desligamento da CBF aceitando o convite do São Paulo.

Antes nenhum outro clube conseguira seduzi-lo. Estava firme no propósito de ir a Londres. Tentei fazê-lo me contar o que de fato sucedera, mas sempre  ético Ney negou-se a fazer uma acusação direta. Escorreu pra lá, pra cá, como bom mineiro e apenas me permitiu, nas entrelinhas, saber que havia certo procedimento que não o agradava. Talvez o excesso de vaidade de Mano querendo assumir todos os méritos sozinho.

Claro que eu sabia, por experiência de vários anos de janela, que Ney Franco não assumiria o São Paulo e imediatamente as coisas boas passariam acontecer. Ainda mais num clube que havia passado pelo tsunami chamado Emerson Leão. A irregular campanha do São Paulo, a volta antecipada do goleiro Rogério Perez, a lesão de Luiz Fabiano, tudo contribuiu pra isso. No entanto, alguns críticos entendem que o culpado é o recém chegado  Ney.

Como já afirmei antes, Ney Franco é um moço educado, de fino trato, mas é caratinguense. Não pisem no calo dele que conhecerão sua outra face. O volante Denílson, um dos líderes do elenco são-paulino, após a derrota pro Náutico (3 a 0) no meio da semana, no Recife, classificou a campanha do time como vergonhosa e que todos precisam jogar mais e falar menos.  

Pronto, um pisão no pé do comandante Ney Franco! Sua resposta valeu como recado e até de uma maneira pouco irritadiça, ao ser questionado sobre as declarações de Denílson, afirmou que embora reconheça que o momento não é bom “ninguém está de brincadeira no Morumbi.

E foi curto e grosso na coletiva: “ O momento não é de vergonha, com certeza. A gente não está fazendo nada errado. Não fazemos parte do mensalão. Não estamos roubando ninguém. Estamos todos os dias no CT, tentando fazer ajustes no time, e podemos sair na rua de cabeça erguida. Estamos tentando honrar a camisa do São Paulo, mas o momento é de turbulência.”.

Não pensem os intrépidos comentaristas e repórteres paulistas que correm risco de ouvir respostas ou atitudes grosseiras por parte de Ney Franco como fazem Murici, Luxemburgo, Leão, Mano, Abel e outros. Todavia nenhuma pergunta ficará sem resposta e o seu espaço não será ocupado por ninguém que se meta a querer dirigir o time do São Paulo no seu lugar. Falem à vontade, todas as besteiras que nós comentaristas nos permitimos em nome da liberdade de imprensa. Jamais, no entanto, esperem um telefonema ou uma palavra de Ney contestando suas opiniões, exceto se elas forem dadas a ele, pessoalmente.

Dentre algumas opiniões que se pode levar em consideração na grande mídia e, notadamente, nos programas de rede nacional, estão no programa Redação Sportv. Para Marco Antônio Rodrigues, chefe de qualquer coisa no canal de esportes da Rede Globo, “o problema é mais grave, é na estrutura da direção do clube:

- Desde que o Juvenal Juvêncio desautorizou o Leão naquela questão de escalar o time, a equipe desandou. Nada mais dá certo. Ninguém consegue dar jeito - recordou o comentarista, lembrando do episódio Paulo Miranda, quando a direção do clube tirou o jogador da concentração antes da partida contra a Ponte Preta pela Copa do Brasil.

Outro episódio lembrado no programa foi a substituição de João Filipe com apenas 10 minutos de partida. Para Belleti, convidado do programa, a responsabilidade foi toda do João Felipe: “Irresponsabilidade do atleta. Com 10 minutos de jogo, ele sabe que a falta é um lance para cartão amarelo e mesmo assim ele vai e comete a falta. Isso é atleta que não está concentrado na partida.


Caio Ribeiro isentou Ney Franco. “O Leão já dizia que o João Filipe pensa que é meia.
O Fluminense ganhou o jogo nas costas do João Filipe. O Grêmio ganhou o jogo nas costas do João Filipe. Aí com 9 minutos de jogo, em um lance no meio de campo, sem perigo algum, ele puxa a camisa do jogador. Com 15 minutos ele seria expulso. Então você está evitando um problema (ao sacar o jogador).
São problemas que transformaram o São Paulo num barril de pólvora, com estopim curto e pronto pra explodir. O presidente Juvenal Juvência imaginou que tão-somente um técnico do perfil de Ney Franco – e nisso acertou inteiramente – daria conta de consertar a casa no Morumbi.

Ney Franco terá apenas um treino para juntar os cacos do que sobrou no Recife e montar a equipe que busca da reabilitação no Campeonato Brasileiro neste sábado, contra a Ponte Preta, às nove da noite, no estádio do Morumbi. Não contará com Rhodolfo, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, mas terá Edson Silva, Casemiro e Bruno Uvini como opções. No ataque, Lucas, que de volta da seleção brasileira será o parceiro de Ademilson.

Respeito outros comentaristas do Sportv, empresa que me manteve sob contrato por cinco anos. Maurício Noriega é um deles. Sobre o São Paulo diz que o time não conseguiu se firmar entre os principais concorrentes ao título nacional, e não inspira confiança em seus torcedores. Pensa que, dificilmente, o São Paulo brigará pelo título.

- Não inspira nenhuma confiança este time do São Paulo. Tem muitos problemas defensivos. Acho que precisa de tempo, um pouco de paciência, trocou muito de treinador nos últimos anos. Não tem um grande elenco, mas que pode crescer com o Luis Fabiano voltando, o Rogério recuperando o ritmo. Mas, neste momento, não vejo o São Paulo brigando pelo título.
 Ney Franco não é de abaixar a cabeça como na foto de Antônio Carneiro/Agência Estado

2 comentários:

  1. É, pode até ser aviador, mas o o Baixinho fala , entende e atualmente, entre esses comentaristas paraquedistas, ele é o melhor! Fala sem medo! E bota lenha na fogueira!

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  2. Tá certo, anônimo. O Baixinho sempre foi esquentado e não deixou a língua presa mais presa ainda. O que pensa passa por aquela língua presa. Abs

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