quinta-feira, 23 de agosto de 2012

JUIZ DESCONHECIDO DO RECIFE QUE JÁ PREJUDICOU CRUZEIRO APITA JOGÃO


Devo desculpar-me antes com o zeloso capitão da brigada militar do Pernambuco, Niélson Nogueira Dias (na foto abaixo, de Alexandre Guzanche/EM-DA Press), a quem nunca tive o prazer de conhecer, nem de ver apitar. A informação mais desagradável que tenho dele é que apitou um pênalti fora da área contra o Cruzeiro, num jogo disputado em 2010, no Parque do Sabiá contra o São Paulo.

Os dirigentes celestes preferem não colocar a boca no trombone preventivamente pra não despertar preocupação no rival Atlético. Têm lá suas razões de não chiarem contra este outro sorteio realizado pelo novo chefe da Comissão de Arbitragem, Aristeu Tavares. Afinal, outro dia mesmo foi favorecido com um lance igual, infração fora da área em Everton e o juiz mandou botar na marca penal.

Aí que os dirigentes alvinegros devem saltar nas suas confortáveis poltronas de gabinete. “Epa, pode ter azeitona estragada nesse angu á baiana”. Nada contra o diligente capitão PM pernambucano, mas tudo contra a consciência humana, capaz de provocar alterações de humor e de reações quando chamada a corrigir erros do passado.

Estou achando os dois lados bem calados. A Trincheira não comunga com esse silêncio, nem com qualquer aceitação tácita da situação. O capitão pernambucano pode apitar imbuído de toda sua capacidade de cumprimento das 17 regrinhas, inclusive a imparcialidade exigida.

Porém, a sua presença no comando do clássico, em razão do erro terrível em Uberlândia, provoca alguns questionamentos: a) será mais duro com o Cruzeiro a fim de mostrar que, realmente, apitou com convicção o tal pênalti e que já virou a página desta partida? b) Ou o pior; pressionado por seu inconsciente cobrando-lhe reparação do erro passado tenha arbitragem francamente favorável aos azuis?

De minha parte, teria preferido árbitro sem qualquer envolvimento com Atlético e Cruzeiro em discussões de partidas anteriores. Digamos: fosse possível buscar no passado Aragão ou Wright pra apitar esse clássico como se sentiriam os dois times?  O Cruzeiro se perguntaria: serei o bode expiatório? O Galo iria a campo com uma pulga dentro do nariz? 

No afastamento do árbitro mineiro, precipitadamente “sorteado” para o clássico já fiquei moendo de preocupação. Não dará certo, calculei logo. Então inventaram outro “sorteio” entre dezenas de sopradores de apito e mandam logo um desconhecido – pelo menos pra este velho cronista esportivo – e com alguma culpa no cartório.

Esquecer o árbitro e pensar apenas no clássico? Não, isso não é função minha. O clássico tá na minha cabeça, com todas as alternativas e inclusive com as bobagens de times guardados até momento antes da partida. Roth talvez tenha lá suas razões, por causa das lesões; Cuca arrumou “atletas” com caspa pra esconder seu time, também, até os vestiários.

Já o árbitro está aí, informado e garantido, com a “ficha não muito limpa”. Seus assistentes já “sorteados” na função anterior: Guilherme Dias Camilo e Márcio Eustáquio Santiago, filhos de ex-árbitros com os quais tive boa amizade, poderão ajudá-lo bastante nessa difícil tarefa.

O discurso do pernambucano é cheio de lugares comuns numa entrevista ao repórter Thiago Madureira, do Superesportes; diz que pressão sobre a arbitragem faz parte da cultura do torcedor brasileiro. Sua expectativa no comando do clássico é que as equipes entre em campo apenas pra jogar futebol. A pior pressão, meu Bom, não vem da torcida, que fica de longe, lá nas arquibancadas.

Vem da cartolagem que tem acesso ao vestiário ou à porta dele antes da partida. Vem de parte da Imprensa que veste a camisa do seu time preferido na hora de preparar a matéria do confronto. Quanto à sua expectativa, eu, também, estaria surpreso se as equipes entrassem em campo e em vez de futebol jogassem rúgbi. Cruzes!

É a primeira vez que capitão da PM pernambucana apitará um clássico com torcida única. Cheio de si, afirmou que a medida terá influência positiva na segurança dos torcedores. Errado! Os que ficaram de fora já desafiaram os que estarão dentro do Estádio pra uma briga após a partida nas ruas do Horto, segundo informações da internet. Disse mais: clássico com uma só torcida é irrelevante dentro do gramado – também penso assim.

Então para os menos informados, como era meu caso até ontem, relembremos o acontecido em Uberlândia. No Campeonato Brasileiro de 2010, este apitador dirigia o jogo Cruzeiro e São Paulo, vencido pelos paulistas por 2 a 0. Ele assinalou pênalti numa infração fora da área. Em seguida, foi afastado do quadro da CBF por conta deste grave erro e por pressão política do ZZ Senador.

Perguntado a respeito, respondeu que já se esqueceu do jogo do Sabiá e que tem mais de 200 partidas apitadas, mas a Imprensa só quer saber do erro dele. Se nos outros jogos apitou bem não fez além de sua obrigação e é bem pago pra isso. No jogo em que cometeu o erro e prejudicou um dos times, terá que carregar a cruz para o resto da vida. Nomes como Arnaldo, Armando, Wright, Simon. Márcio carregam tais cruzes por erros cometidos numa única partida. É a vida, meu caro.

Pra ficar bem caracterizado o assunto, a partida foi no dia  3 de novembro de 2010, confronto válido pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro. O pênalti foi marcado pelo então atacante são-paulino Ricardo Oliveira, que estava visivelmente fora da área. Um dos assistentes chegou a avisá-lo, mas, convicto, Nielson marcou a penalidade. Ou seja, errou com total convicção. Isso deixa cheiro de maldade.

Na época, o gerente de futebol
do Cruzeiro, Valdir Barbosa, disse que “escalaram um juiz sem nenhuma categoria para apitar um jogo importante entre Cruzeiro e São Paulo. Ele faz parte dos aspirantes à Fifa, que são uma categoria política. Você não tem como colocar todo mundo na Fifa e pega esses ‘apitos de pau’ e colocam como aspirante”.

O Superesportes informa que a CBF colocou no seu site o seguinte: “A Comissão de Arbitragem da CBF, após análise da partida Cruzeiro x São Paulo, determina que o árbitro Nielson Nogueira Dias seja submetido a atividades de aprimoramento referente à Regra 12 (faltas e infrações) e trabalho em equipe, ficando à disposição após o relatório do trabalho realizado". Pois é, depois da porta quebrada, vêm com a taramela.

Penso que o assunto merece uma análise bem criteriosa agora. Com base naquilo que o presidente da CBF, José Maria Marins, ao desmanchar da Comissão de Arbitragem antiga, chefiada por Sérgio Correa, e instalar da atual sob o comando de Aristeu Tavares: a primeira medida pra valorizar e melhorar a arbitragem nacional. 

Mas a indicação, ou o “sorteio” do árbitro pernambucano Nielson Nogueira Dias é no mínimo inconveniente. Caso seja verdade que já apitou mais de 200 partidas que apite outras 200, sem envolver clássicos mineiros. Pode ser outro jogo do Cruzeiro, ou do Atlético, mas o cruzamento deles não é apropriado. 

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