domingo, 19 de agosto de 2012

LEVEM RG-49 NOS OMBROS ATÉ A PRAÇA SETE. ELE MERECE!


Encontro de craques: RG-49 e Seedorf: amigos no Milan (Foto Rodrigo Clemente/EM-DA Press)



 Existe na história das conquistas do Atlético uma demonstração de amor ao clube e aos seus ídolos que os mais velhos não se esquecem e talvez tenham participado dela. Não há vi. Não é do meu tempo. Na época eu era menino pequeno nas ruas sem calçamento da minha Caratinga, iluminadas pela limitada energia da Coutinho & Pena, que gerava uma luz tão fraca que as lâmpadas pareciam mais pequenos tomates. Os jovens atleticanos talvez a tenham ouvido nas conversas de rodas com os pais e avós. Nem sei o ano. Sei apenas que o Galo foi campeão com um gol “espírita” (daqueles marcados da linha de fundo, sem nenhum ângulo) pelo famoso Ubaldo Miquica, histórico goleador alvinegro.

A Massa lotava o velho Estádio Independência, sem o conforto de agora, de estrutura razoável pra época, pois fora construído pra Copa do Mundo de 1950. Estava novinho, segundo consta. Sua capacidade não estava reduzida. Umas 30 mil pessoas lotavam suas arquibancadas em forma de ferradura. Se alguém se levantava pra ir ao banheiro, atravessa a multidão por cima, levado às gargalhadas, como uma trouxa qualquer.

O gol de Ubaldo enlouqueceu a inflamada torcida. Fim de jogo, comemoração no estádio e no gramado. Torcedores levantaram Miquica, puseram-no nos ombros, de chuteiras, calção, camisa do Galo e meiões. Que carro de Bombeiros que nada! Não dava pra tal luxo. O cotejo desceu a pé, com Ubaldo nos ombros até a Praça 7, onde o título foi comemorado.

Não me lembro se o gesto foi repetido durante meus 48 anos de imprensa profissional e de Belo Horizonte. Até porque daí a pouco surgiu o Mineirão e os títulos foram comemorados em carros do Corpo de Bombeiros. Uma foi ficou definida: a Praça 7 seria o destino final da passeata das comemorações. Epa, não me entendam mal! Não estou sugerindo nenhuma comemoração antecipada do título brasileiro deste ano. Mesmo porque o Campeonato Brasileiro está no fim do primeiro turno.

Sugiro apenas que, se Ronaldinho Gaúcho fizer outra partida como esta que jogou contra o Botafogo seria uma baita homenagem ao craque que tão bem tem-se comportado na esquentada capital das Geraes, de noites maravilhosas e mulheres belas, que ele mereceria um cotejo nos ombros dos apaixonados torcedores atleticanos até a Praça 7. Ali, a Massa prestaria sua homenagem ao grande herói do time no primeiro turno do Brasileirão.

RG-49 teve expectador ilustre no jogo contra o Botafogo: o ex-companheiro de Milan,o não menos craque Seedorf, holandês casado com carioca. O jogo, por isso mesmo, teve a grandeza devida, ilustrado por um maravilhoso coro de vozes alvinegras que não descansou um momento sequer. Nem quando os cariocas fizeram 1 a 0, num rebote pego por Andrézinho. Os 10% de botafoguenses que estavam no Independência bem que fizeram uma zoeira enorme. Porém, até despertar o talento de RG-49.

Não que ele estivesse em sono profundo. Nada disso. Sofria forte marcação. Livrou-se dela e enfiou linda bola pra Jô, que teve tempo de dominar e na hora do chute fatal foi engolido pela presença do goleiro Jefferson. Houve rebote na marca do pênalti; sobra pra Escudero, de perna esquerda, rolar pro gol vazio. Empate atleticano merecido pela pressão exercida antes do final do primeiro tempo: 1 a 1.(na foto de Rodrigo Clemente/EM-DA Press) Bernard e Escudero comemoram o gol de empate do argentino. 

No segundo tempo, o Botafogo preferiu recuar e jogar no contra-ataque. Pior pra ele, pois o Galo usou
sua outra força: o toque de bola e a troca de posições. Desnorteado, o alvinegro carioca viu RG-49 usar seu talento pra chegar à linha de fundo e tocar pra Jô marcar 2 a 1. Que loucura! O Independência sentiu a liderança retornar ao merecido dono.

Não passou de simples susto o empate do Botafogo, aos 34 minutos. Ligeiro cochilo e Leonardo Silva fez pênalti em Rafael Marques, após lançamento de Seedorf. Andrézinho cobrou e deixou tudo igual: 2 a 2. Estava escrito que os deuses premiariam um herói que a torcida adora e que estava no estaleiro há vários meses. Neto Berola volta da lesão naquela partida. Saiu do banco e entrou na história.
Já quase no final da partida, outro jogador que saiu do banco de reservas, Carlos César, que não é de muita intimidade com a bola, deu uma de RG-49 e fez lindo passe de costas e de letra pra Berola. Ele entrava livre pela direita, em alta velocidade como é sua categoria e jogou por cima de Jefferson: 3 a 2 pro Galo.

Na liderança de novo isolada, com 42 pontos, três na frente do Fluminense, e com um jogo a menos, contra o Flamengo, o Galo já papou o fictício título de campeão do primeiro turno. Agora prepara-se pra guerra contra o arquirrival no próximo domingo de cristal alta e cheio de moral. Enquanto isso, no outro lado da Lagoa, a Raposa esfolada com a goleada em Curitiba quebra a cabeça pra fazer um time decente que encerre bem e com honra a primeira fase do Brasileirão. Assustada, visto que o Galo não se esquece dos 6 a 1 no final do Campeonato Mineiro.

3 comentários:

  1. Bela vitoria do Galo sobre o meu Botafogo.Apesar de sr atleticano em Minas, não posso negar a vc q meu amor pelo Botafogo é maior, apesar de viver na nossa Caratinga.A gente não escolhe para quem torcer, no meu caso o Botafogo, desde 1972(com 7 anos) no dia 15 de novembro no famoso 6 a 0 contra o flamengo(f minusculo mesmo..rss)me escolheu.A verdade é q o jogos do Galo nesse campeonato, são os mais agradaveis de se ver, pois o Galo é o unico clube q tem jogado algo parecido com futebol nesse fraco campeonato,marcado pela correria, trombadas, pessimas arbitragens e pessimos treinadores, como Roth, essa porcaria do Botafogo( mandou 6 atacantes embora e contratou um só e horroroso)Osvaldo Oliveira, entre outros.Vitoria justa, o Botafogo até equilibrou as coisas no primeiro tempo, mas no segundo tempo até os 12 minutos tomou uma blitz do Galo e o empate no fim, convenhamos, seria uma injustica ao q fez o alvinegro mineiro.Acho q , além das arbitragens e a gang da CBF, o Galo tem o Flu como seu maior rival.O Flu nào joga bem, não encanta ,mas ganha.Talvez algum grande possa dar uma arracanda nesse segundo turno, mas não vejo forca em santos e Corintians para isso, ou o Inter, irregular como sempre, apesar do elenco.De qualquer forma, torco para q o Galo conquiste esse titulo q não consegue a 41 anos.Está fazendo por merecer.

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  2. Uai, meu conterrâneo? Isso aí é terra de flamenguista como Jorginho Mixidinho e não de Botafoguenses como Milon do Val. Brincadeira. Seja feliz e torça pelo Fluminense da rua do Sal. Abs

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  3. Para vc ver, sou botafoguense na terra de rubro negros, começei a torcer pelo Bota no famoso 6 a 0 de 72, quando tinhamos Osmar e Brito na zaga(Ao contrario de hj, com Antonio Carlos e esse rapaz q me recuso a dizer o nome com esses cabelos horrorosos, como seu futebol), Fischer,Jairzinho, Dirceu, Ney Conceição, Marinho Chagas , Ferreti, Zequinha, Cao...e vou parar por ai, senão choro.E depois desse esquadrão, paguei os pecados todos assistindo em minha juventude o show da geração Zico e o troco dos 6 a 0.E continuo pagando os pecados.E por falar no Milon, tem muto tempo q não o vejo......será por que?...rsss

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