segunda-feira, 3 de setembro de 2012

MALDADE COM LUCAS SILVA FAZ PARTE DO CARATER DE ROTH


Infelizmente, até nós, comentaristas esportivos, desobrigados ao trabalho cotidiano de frequentar os centros de treinamentos, não estamos livres da arrogância, petulância e dissimulação de determinados treinadores. Os pobres dos repórteres setoristas é que são obrigados engolir tudo em nome da informação. Aos comentaristas, no entanto, sobram as matérias preparadas pelos repórteres e exibidas na telinha.

É o suficiente pra dar azia em vidro de bicarbonato ver todo dia aquela fisionomia truculenta, antipática e de poucos amigos de Celso Roth, o principal treinador da classe que descrevi acima. Sabe tudo, porém não ganha nada. Exceto o título da Libertadores porque pegou o Internacional já quase lá; mas o atolou no Mundial a ponto de ser odiado pela torcida colorada.

Por que essa obrigação de tolerarmos Celso Roth? Porque apesar de todos os defeitos de personalidade, do caráter extremamente egoísta, tem a qualidade de tirar leite da pedra em determinado período de times ruins. Talvez os times não sejam tão ruins, mas ele os faz assim até o máximo. Por fim, o grupo desagrega, o time se arruína e Celso Roth cai, deixando prá trás cacos sem qualquer aproveitamento.

O Cruzeiro de Celso Roth não mostra nada de interessante, joga alguma coisa parecida com futebol e tem vencido. Está em sexto lugar, atrás uma vitória do São Paulo e quase no G-4. Ao fim desta temporada não sobrará nada do time, feito na base da ação entre amigos e escalado da mesma forma.

O menino Elber (foto de Marcos Michelin/EM-DA Press)  pagou preço alto por não ser da corriola do treinador. Alguma luz acendeu na cabeça do turrão Celso durante o jogo contra o Náutico e ele decidiu pela entrada de Elber. Atirou no que viu e acertou no que não via. Obra do acaso total aquela substituição. Elber infernizou o Náutico em 15m e o Cruzeiro sapecou a goleada de 3 a 0. Foram 15 minutos que os azuis jamais jogaram no campeonato. 

Fora do banco, outro garoto era penalizado pela estupidez do técnico. Levou o segundo drible de RG-49 no clássico. O primeiro e o drible final do gol foram em Marcelo Oliveira que não será punido. Afinal, é da corriola.

Lucas Silva foi titular com Celso Roth e quando se sentia mais seguro deixou de ser chamado até para o banco. Esta é a filosofia estranha do turrão gaúcho. Um tipo de comando que tenta conquistar os comandados na base dos ensinamentos de Maquiavel em “O Príncipe”. Aos aliados dê algo pouco a pouco pra que estejam por perto sempre necessitados e na espera. Aos inimigos, tome tudo de uma vez só.

Estou bem à vontade nas análises que faço de Celso Roth visto que tenho ojeriza da prepotência e da arrogância, que me lembram os poderes discriminatórios das ditaduras inúteis.

Admito que a troca feita de Wagner Mancini por Celso Roth surtiu efeito. Mais em função da incompetência do primeiro do que pelas qualidades do outro. Mancini e Roth, no entanto, são farinha do mesmo saco. O primeiro mais acessível, porém igualmente dissimulado em suas atitudes com a meninada da base. Roth bem mais dissimulado, e como no caso de Mancini, infestou a Toca da Raposa de “velhos” amigos com rendimento ocasional e fugaz.  Pior no caráter de ambos é a falta de respeito com as jovens promessas reveladas em casa.
 
No momento, Roth atinge de verdade a personalidade do garoto Lucas Silva (ambos na foto), melhor volante que o Cruzeiro tem. Nenhum outro atleta da corriola sofreu, sofrerá ou sofreria tal punição imposta ao menino. Da mesma forma que o rancor de Celso Roth, guardado no coração de pedra, só aceita desculpa de quem não tem apoio da torcida, da diretoria ou da mídia. Não foi assim com Diego Ávila, elogiado pelo treinador com um mês de trabalho e depois atirado no ostracismo, sem qualquer direito? Motivo: uma tola discussão entre eles num treinamento há tempos. Um bom comandante pune na hora certa e não deixa que nenhum rancor lhe devore a alma.

Quero ser justo e espero que a torcida azul entenda minhas razões. Não endossei a contratação de Roth além do limite ponderável. A troca seria necessária e Roth tem currículo de arrumador de casa. Disse na época que seu trabalho tem tempo de acabar. Não é agora, serei bem claro, pois mudar seria como trocar pneu de avião em pleno voo. Além do que trocar com o time tendo bons resultados é uma burrice estomacal. Nada, todavia, impede que no fim deste contrato, queira Deus que seja no final do ano, Celso Roth ganhe aquele respeitoso agradecimento da diretoria e retorne ao sul do País.

Lucas permaneceu na equipe nos três jogos seguintes, e perdeu espaço após o jogo contra o Galo. A razão,  eu já comentei acima. O garoto de 19 anos, segundo seu padrasto na Toca da Raposa, apresentou queda de rendimento, segundo Roth. Mentira. Avaliação sem critério e discriminatória. Roth tinha de arrumar vaga pra Tinga no time e pra Sandro Silva no banco. A conversa fiada dele se resume no seguinte:

É natural isso, essa queda. Falo de cadeira, com a experiência que tenho ao longo dos anos. Quando a gente dá oportunidade a um menino, ele vai bem na primeira, na segunda, depois dá uma queda. Por mais que o torcedor goste do Lucas, e eu também, afinal de contas fui eu que o botei no time.Temos jogadores também dessa função que tem uma experiência e uma qualidade muito grande”.

A experiência de Roth apanha da minha. Convivo com o futebol há bem mais tempo do que ele. Trabalhei como repórter no ambiente de grandes treinadores. Cito alguns: Fleitas Solich, Elba de Pádua Lima, o Tim, Martin Francisco, Jorge Vieira. Depois, como comentarista, em copas do mundo, com Telê Santana, Enio de Andrade, Zezé Moreira, Vanderlei Luxemburgo, e outros tão arrogantes, porém mais competentes que Roth.

O tratamento que dispensa aos jovens é desigual, segundo me narram alguns repórteres descompromissados com barganhas cruzeirenses. Suas inverdades não têm peso, pois na  primeira vez que não escalou Lucas Silva, Roth tinha problemas:  Leandro Guerreiro, estava suspenso. Nessa  partida (vitória sobre o Atlético-GO, por 2 a 0), Roth escalou Sandro Silva, Charles e Tinga com Montillo. Foi quase uma tragédia. Agora contra o Náutico, preferiu  Sandro Silva no banco de reservas.

O excelente repórter Paulinho Azeredo, do nosso programa Jogado de Classe, da TV Horizonte, perguntou ao carrancudo Roth o motivo do desprezo a Lucas Silva, já quase considerado “uma jóia” pela torcida. Segundo Paulinho, a resposta do treinador foi mais ou menos essa: “ Pra Guerreiro, tem o Sandro Silva: pra Charles, Lucas Silva”. Interessante, contra o Náutico, Sandro Silva entrou no lugar de Borges e na vaga de Charles entrou Wellington Paulista. Esse Celso Roth nunca jogou bola, no entanto é chutador de forte potência.

Denunciado pela procuradoria do STJD, por incidentes no clássico contra o Atlético, o Cruzeiro está ameaçado de  perder o mando de campo em até 20 jogos no Campeonato Brasileiro. O melhor seria punir a torcida que provocou toda confusão e proibir sua entrada nos estádios brasileiros.

O advogado Sérgio Rodrigues informou que a aplicação dessa pena máxima é improvável. No julgamento desta quarta-feira,  ele defenderá também Montillo, indiciado no artigo 254 (praticar jogada violenta) pela falta sobre Guilherme. O indiciamento saiu porque o procurador do STJD viu o lance na tevê, embora o árbitro não tenha dado nem falta. 

Concordo com Cuca: o Galo não estará enfraquecido contra o Bahia nesta quarta-feira em Salvador. Até se não contar com Jô, a última dúvida, o treinador alvinegro poderá escalar uma equipe bem forte, em condições de colocar ponto final na fase de crescimento atual do Bahia, que venceu o Santos fora de casa e o São Paulo, em Salvador, no último domingo. Sem Jô, o substituto natural será Leonardo, que fará sua estréia. Já foi jogador de Cuca e merece toda a sua confiança. A chamada grande ausência, Ronaldinho Gaúcho, pela fase que atravessa terá um peso diferente. Seu substituto será Guilherme.

Muda o quê? Se o time perde a capacidade de criação e de respeito dos adversários que RG-49 tem, ganha com a ofensividade de Guilherme. Também ele não deixa de ser um meia atacante tremendamente habilidoso. Rafael Marques joga na vaga de Réver e Richarlyson na de Júnior César. O resto do time n ao muda. Tenho comigo que o Galo, que não vence há três jogos, provocará enorme decepção àqueles que torcem por sua queda. 
Guilherme, também um craque, assume a vaga de RG-49 nesta quarta-feira contra o Bahia, em Salvador.

3 comentários:

  1. Vocês pegam muito pesado com os técnicos do Cruzeiro.

    Nas coletivas a imprensa sempre chega com dez pedras nas mãos. E depois reclamam das caras fechadas do técnicos.

    E o Felipe Souto do Atlético? O que aconteceu com ele?

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  2. O Felipe Souto do Atlético está na cota dos marginalizados pela visão curta dos treinadores, inclusive Cuca, já falei sobre isso, que prefere os amigos e os amigos dos empresários.

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  3. Gostei da sua explanação sobre o Celso Roth....azia é pouco pra ele...rss

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