terça-feira, 11 de setembro de 2012

O QUE É ISSO, CUCA? JAMAIS SE DEIXOU DE ACREDITAR NO ATLETICO



Nesta quarta-feira ao primeiro apito do árbitro autorizando o início do jogo Atlético x São Paulo, você pode acreditar, Cuca, que nas arquibancadas, camarotes e até nos setores cegos do Estádio Independência estará a brasileira, a crente, a que jamais perde a fé Nação alvinegra, ocupando o que lhe cabe neste minifúndio onde se pratica futebol em Beagá, atualmente. Você sabe que será apenas pequena parte da Massa. A outra grande parte estará espalhada mundo afora, de olho na tevê, na internet ou com o radinho colado ao ouvido. Acreditando sempre.

No entanto, os fluídos da imensa torcida que jamais deixou de acreditar no time, mesmo antes de Victor, Junior César e, principalmente, RG-49, estarão infiltrados no espírito e no coração dos rapazes sob seu comando, Cuca. Não acredito que você se esqueceu do pacto feito da torcida com o time já no campeonato mineiro. A Massa comemorou o título invicto, porém pediu mais: o troféu brasileiro, em troca de apoio total.

Quando a gente assiste aquela massa compacta, uns 5% quem sabe da totalidade alvinegra, ensandecida, aos gritos, comemorando simples jogada de Ronaldinho Gaúcho, já pode afirmar sem medo: não tem como a torcida não acreditar. As matadas de RG-49 ordenando que a bola obedeça a seus instintos de craque são outros avisos: não deixem jamais de acreditar.

Ao ver aquela "Mônica de ébano", dentuço, transformando os seus dribles e passes geniais na boneca suja da criatura de Maurício de Souza, rodada no ar, amedrontando os adversários, somos obedientes. Não há como, Cuca, nós temos que acreditar.

A criançada à espera do time entrar no gramado, corre em direção do ídolo no qual o Brasil deixou de acreditar, menos você, Cuca, e Alexandre Kalil, que a seu pedido foi buscá-lo no inferno do Ninho do Urubu pra colocá-lo de volta no Olimpo. Só se imagina uma coisa: é magia no duro.

Não foi possível diminuir a crença da Massa nem nos resultados negativos. Digamos que houve momento de estresse da Massa. Veio tudo tão de repente que pediu um tempo pra recuperar o fôlego. Ronaldinho Gaúcho não deixou.

O segundo tempo dele contra o Palmeiras ressuscitou a magia que andava indolente. Veja, Cuca, que enquanto alguns mortais apanhavam da bola por causa do gramado gasto do Independência, RG-49 figurava imponente entre eles.

Onde pisava, a grama renascia, abria-lhe um tapete verde como aqueles pelos quais Ronaldinho desfilou seu talento na França, na Espanha e Itália. Ou na Ásia, onde foi destaque na Seleção do Penta. Magia pura.

E como esquecer sua fiel promessa de buscar apenas novos ares entre as montanhas de Minas, deixando a notoriedade de lado e fugir dos maus olhados invejosos, do patrulhamento imbecil e das previsões apressadas de um fim próximo?

Então pergunto: como pode um exemplo de mau profissional, relaxado, baladeiro, tornar-se ídolo e exemplo para os jovens companheiros e líder de grupo tão experiente quanto ele?  Não há como deixar de acreditar, Cuca, porque não houve motivo para isso.

Os meninos com a camisa do Atlético, abraçados aos seus pais, as famílias de retorno ao Independência superando os vários problemas que o estádio ainda tem, não permitem que se deixe de acreditar em nada, Cuca. Até mesmo numa explosão demográfica da Massa provocada pelas sutilezas de RG-49 em campo, pelos gols do garoto Bernard, ou as defesas do gaúcho Victor.

Não há denodo que supere este momento de crença geral. A torcida vara as montanhas, desce nos sertões,  sobe pelos litorais, chega aos diversos continentes, onde haja uma televisão, inclusive em preto-e-branco. É a magia de Ronaldinho Gaúcho que fez despertar tudo isso. Saravá, meu Bom.

Afora os pecados atuais vistos do outro lado da lagoa, onde as coisas não funcionam nem dentro, nem fora do campo, como explicar a mágica (outra vez!) atuação do Jurídico do Atlético pra liberar Bernard no sábado com efeito suspensivo? Por que Leandro Guerreiro – sem qualquer comparação – não mereceu a mesma atenção da turma da Toca? Alguém lá preferiu viajar no feriado, visitar as praias e dormiu no ponto.

A falha do goleiro Michel Alves, do Criciúma, no terceiro gol do América em Floripa, relembrou-me a antiga piada que se contava sobre Costa Pereira famoso goleiro da Seleção Portuguesa e que jogava de boné. Após defender uma penalidade máxima decisiva contra sua equipe, Costa Pereira perdeu o boné que caiu dentro da meta.

Sem a menor cerimônia, o famoso guarda-redes português botou a bola debaixo do braço e foi lá no fundo buscar o boné. Na volta, assustou-se com o árbitro apontando o centro do campo. Numa partida, acidentes acontecem, né?

O preço do erro é enorme, no entanto. Ainda mais com a rapidez da comunicação atualmente. Horas após o lance, o goleiro revelado pelo Brasil-RS e com passagens por Juventude, Ceará e Internacional se tornou manchete até de um jornal inglês que destacou a boa campanha do Criciúma na Série B. O Daily Mirror noticiou a falha na página principal de seu site, descrevendo o gol contra como "calamitoso" e as cenas como "sem preço".

Bem que eu gostaria de guardar a boca pra comer minha farinha. Mas não dá. Pelas declarações de Tinga, de Wellington Paulista, este afirmando que o time precisa jogar dentro de um esquema tático, e as criticas do treinador Celso Roth em cima da atuação da equipe no Recife, não apostem um centavo numa vitória do Cruzeiro, nesta quarta-feira contra o Figueirense, em Floripa.
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