segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

VALEU MARCELO : TORCIDA APROVA NOVO CRUZEIRO


O Cruzeiro que Marcelo Oliveira mostrou à torcida no clássico de domingo agradou pela movimentação, disposição e espírito vencedor. Bem diferente do time do ano passado não teve receio de encarar seu arquirrival, o favorito Atlético.
Exemplo disso foi o segundo tempo que jogou a maior parte do tempo com 10 atletas por causa da expulsão de Leandro Guerreiro, aos 15m. Criou melhores oportunidades, perdeu gols e fez o goleiro Victor trabalhar muito mais do que Fábio.
No primeiro tempo, o jogo teve ligeira vantagem cruzeirense, melhor na tomada da bola e na organização dos ataques. O Galo brigava pela posse com Pierre e Donizete, mas errava passes com RG-10 e não funcionava com o esquema de Araújo pela direita e Bernard pela esquerda.

O primeiro gol do jogo e da reestréia do Mineirão foi bem feito: trabalho de Ricardo Goulart com Everton que achou Guerreiro livre pela direita. O cruzamento veio no primeiro pau e Anselmo Ramon subiu com Marcos Rocha.
 O juiz deu gol de Anselmo Ramon que comemorou bastante o gol histórico, mas se decepcionou depois. Um repórter da TV Globo mostrou, no intervalo, a repetição do lance: o gol fora anotado por Marcos Rocha, contra.
O fraco juiz usou indevidamente o apoio tecnológico, não aprovado pelas leis do futebol, pra mudar uma decisão sua, ainda, que não a tivesse colocado na súmula.

Cinco minutos depois, confusão na área cruzeirense, após cobrança de falta com Ronaldinho Gaúcho e a bola sobrou pra Araújo empatar a partida. O Cruzeiro era melhor nesse período.
Na fase final o Galo dominou parte do jogo exatamente após a expulsão de Guerreiro. Porém, esbarrou no esquema de marcação celeste. A dupla de zaga, Bruno Rodrigo e Paulão, superou seus limites técnicos escassos com disposição incrível.

Outro destaque foi  Nilton que teve duas chances de fazer 3 a 1: na primeira grande defesa de Victor, na segunda mandou a bola na trave. Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, Egídio e Everton cuidavam da marcação.
Cuca, também, havia mexido no time após o intervalo e colocou Gilberto Silva no lugar de Pierre que se lesionou e Serginho no de Donizete amarelado e perto de ser expulso.Foi nesse período que o Galo cresceu na partida.
Mesmo com 10, Marcelo ousou no período em que o Galo mandava na partida, após a expulsão do cruzeirense Guerreiro. Tirou Everton e Ricardo Goulart pra colocar o garoto Alisson e o estreante Dagoberto. Mel na sopa: o Cruzeiro marcou 2 a 1 três minutos depois.

Alisson devolveu a confiança depositada nele pelo técnico. Atuou com uma segurança de veterano. Quase marcou um gol após driblar dois defensores e na frente de Victor tentar enfiar-lhe a bola entre as pernas. Outra grande defesa do atleticano.
Logo depois, Alisson disparou um certeiro chute de perna esquerda, de fora da área e Victor desviou pra escanteio, Já Dagoberto fez valer sua estrela: mal entrou no jogo e marcou o gol da vitória, aos 16m.
Anselmo Ramon escapou pela esquerda, após receber boa bola de Egídio e cruzou forte. No meio da zaga, Dagoberto apareceu como um raio e marcou de cabeça, forte, sem defesa pra Victor. 

O jogo tecnicamente não foi bom. Muito pegado, cheio de faltas, com uma arbitragem confusão, atrapalhando-se com os dois bandeiras. Cleisson Veloso Pereira teve a sorte de não trombar com nenhum lance duvidoso nas áreas, porém parou em excesso a partida com receio de deixar o jogo correr mais livre.
Fábio teve menos trabalho que Victor, mas os dois estiveram à altura do prestígio que têm junto às suas torcidas. Gostei de da raça do Cruzeiro. Os dois zagueiros são limpa-trilhos, chutam pra onde seus narizes apontam. Ceará e Egídio foram bem. Gostei de Nilson, o melhor em campo, e dos meias Everton Ribeiro e Ricardo Goulart.
O outro Everton andou mais sumido, talvez por trabalhar como assistente de Egídio, este mais apoiador e o outro mais marcador. Anselmo Ramon tapou minha boa e mostrou o acerto de sua escolha como centroavante. Irritou ao extremo as torres gêmeas Rever e Léo Silva.
Ronaldinho Gaúcho, bem marcado, pouco fez e Bernard nem pela esquerda em cima de Ceará e nem pela direita, nas costas de Egídio, chegou a brilhar. Teve alguns momentos especiais apenas. Marcos Rocha uma tragédia, o mesmo pra Júnior César. Na verdade, o Cruzeiro não deixou o Galo jogar.
Pelo final da partida e dos lances criados pelo Cruzeiro com Nilton e Alisson, ficou de bom tamanho pro Atlético perder por apenas 2 a 1.

Esse foi o jogo. A história da reinauguração do Mineirão é uma peça à parte que iremos explorar durante a semana. Quem entende que eu fui pessimista com relação aos problemas que previ naquele clima de festa não sabe de nada o que aconteceu lá dentro.
Uma confusão desastrada que só a TV Globo não viu. Seus narradores acharam tudo uma beleza funcionando às mil maravilhas. Até o tropeirão foi visto nas mãos de torcedor pelo narrador global. Só que o famoso prato não foi nem oferecido por falta de nota fiscal dos bares que o fornecem.

Vou resumir com uma frase do meu irmão Fábio Paceli, que veio de Brasília pra ver a reinauguração do Mineirão e o seu Atlético jogar. Quando voltou pra casa me disse: "Flávio, penso que só daqui a 50 anos nós vamos ver um grande jogo no Mineirão como os europeus assistem aos seus jogos".
Ratifico as palavras e a previsão do mano.
O Mineirão bonito, colorido com cadeiras confortáveis e os torcedores insistem em ficar de pé. Ninguém os faz assentar nas cadeiras numeradas que compraram. Cultura? Nada, falta de educação. Proíbam e botem segurança pra mandar a turma de assentar ou sair do estádio.

Espero que tenha faltado água, também, no camarote do governador Anast-azia e das demais autoridades convidadas como faltou em todos os lugares. Sobrou apenas nos banheiros do setor leste inundados por
 goteiras das poças acumuladas nas chuvas de sábado.
Faltou comida. O pessoal que chegou mais cedo pra ser melhor tratado, quase morreu de fome. Os bares foram fechados, proibidos de atender aos torcedores. O engarrafamento monstro, após a lotação dos estacionamentos do estádio, mostrou que ninguém deve comprar ingressos antecipadamente ou pela internet. Passará mais raiva ainda.
O ex-presidente e Senador ZZ Perrela chegou a pé no Mineirão, porque como qualquer mortal comum teve que deixar seu carro no Shopping Del Rey e ir à pé pro estádio. Fez mal pra ZZ não. Ele precisava mesmo de boa caminhada pra diminuir o peso e a glicose.

Tem mais, muito mais. Se a imprensa livre e descompromissada com as verbas públicas resolver mostrar como foi, de verdade, a saga de um torcedor qualquer desde quando ele compra seu ingresso na internet até chegar ao estádio e achar seu bendito lugar marcado, poderemos partir pra resolver todos os problemas, mesmo sob o comando da tal Minas Arena.

A Copa das Nações bate à porta e o Mineirão receberá jogos de qualidade duvidosa. No entanto, receberá, também, visitas estrangeiras desacostumadas a ser tratadas como rês numa boiada. Nem pensem que na Copa de 14 teremos metrô ou um serviço público de transporte de qualidade.
Continuará tudo como agora, porque falta competência. Fizeram este jogo de estreia do Mineirão sem um dia de treinamento específico para os usuários. Todo mundo estava lá com cara de bobo, feito cachorro que cai de caminhão de mudança. Totalmente perdido.

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