quinta-feira, 4 de abril de 2013

ARSENAL APANHOU NA BOLA, NO CASSETETE E FOI DORMIR NO XILINDRÓ

Um dos valentões do Arsenal de Sarandi, com aquele espírito bem argentino de tumultuar o pós jogo que não lhe foi legal, deu um soco na nuca do PM que dava cobertura do trio de arbitragem. Bateu pelas costas e correu do bolo.

Outro mais valente, ao ver aquela mocinha fardada, rosto e jeito de menina, baixinha, fala mansa, decidiu que sua vítima seria ela: aplicou-lhe um tapa na cabeça. Fez voar o quepe dela. Não satisfeito, deu-lhe um chute nos peitos.

Aí, meu Bom, ele conheceu o corporativismo da Polícia Militar de Minas Gerais.

 

BONÉ DO GUARDA

 

Aqui não se aceita que alguém faça voar o boné do guarda, impunemente. Ainda mais, quando a autoridade no caso é a Chefe do Policiamento da Capital, Coronel Cláudia, pessoa singela, atenciosa, educada e inteligente que chegou ao posto por meio de um trabalho corajoso.

Ela é tudo isso, sem ter medo de bandido. Teve paciência o suficiente pra conter seus comandados que após tal incidente queriam chupar o sangue do Hermano bravo. Só não foram em frente, porque a Coronel Cláudia exigiu respeito aos princípios rígidos da Polícia de Tiradentes. Coisa bonita, né?

Se tivesse sido comigo, soltava as feras e mostravam aos Hermanos argentinos que essa história de bravo, guerreiro, temidos, ficou pelo tempo.

A Coronel, no entanto, se minimizou as agressões sofridas, não tirou o pé do acelerador: mandou prender todo time do Arsenal, titulares e reservas, comissão técnica, dirigentes e até o presidente do clube.

O belo jogo proporcionado pelos dois times do Grupo 1 da Taça Libertadores, cheio de lances duros, desleais dos argentinos, contra o futebol arte de Ronaldinho Gaúcho, Tardelli e Jó, como diria o saudoso Jota Júnior, narrador meu companheiro na extinta Rádio Guarani, "terminou na delegacia".

 

ARTE CONTRA VIOLÊNCIA

 

Culpa de quem? Deles. Tá certo que a arbitragem paraguaia errou ao marcar o pênalti sobre Luan, numa falta fora da área, que RG-10 transformou no segundo gol. E dai? Esse lance não alteraria nada o domínio atleticano.

Tão logo fez 1 a 0, aos 11m,  numa jogada de contra-ataque  que se iniciou com o chutão de Rever, passou pela assistência de Jô, de cabeça, e terminou com Tardelli em disparada chutando no canto baixo do goleiro argentino, o Galo demonstrava que seu apetite era de fazer os mesmos 5 a 2 de Sarandi. E fez.

Três minutos depois, veio o lance do pênalti. RG-10 bateu forte, no canto alto, sem defesa. Galo 2 a 0. Reclamação geral e com razão, pois o lance aconteceu fora da área. O árbitro foi traído pelo assistente que correu pra linha de fundo. O único momento do jogo em que o Galo cedeu terreno foi depois dos 24m, quando Tardelli, responsável de ao lado de Jô,  de infernizar a vida dos zagueiros argentinos, saiu machucado.

Cuca mexeu mal: botou Araújo e ficou com dois velocistas na frente. Este e Luan, que não aparecia.  Era pra entrar com Guilherme e não perder a movimentação mantida por Tardelli.

 

 

 

 

 

REAÇÃO DE ARAQUE

 

Então, o Arsenal aproveitou-se e marcou seu primeiro gol. Falha de marcação pelo meio e Braghieri, livre, cabeceou entre as pernas de Victor, desatento. Isso aos 40m, e o primeiro tempo terminou em 2 a 1. Os argentinos começaram a tumultuar nessa hora. Rodearam o árbitro, cobrando o pênalti mau marcado.

A PM interviu e a coisa quase se complicou com a entrada das seguranças do Atlético no gramado pra resguardar os atletas mineiros. Cuca conhecedor das intenções maldosas dos argentinos mandou todos – atletas e seguranças – para o vestiário.

 

ATÉ PUXÃO DE CABELOS

 

Nesta fase, os argentinos fizeram de tudo pra desestabilizar os mineiros. O volante Ortiz, responsável pela marcação de RG-10, não aguentou os seguidos dribles e apelou feio. Puxou o rabo de cavalo de RG-10, fora da disputa de bola. Ronaldinho que não se encolhe, puxou as orelhas do valentão.

A confusão quase se generalizou. Contudo, poucos minutos depois, Ortiz pegou Donizete, deu-lhe um tapa na cabeça, e o pau comeu. Rever pulou no bolo e distribuiu bordoadas. O juiz terminou o primeiro tempo e não expulsou ninguém.

 

ARTE E GOLEADA

 

Eu esperava um time diferente do Atlético no segundo tempo com a entrada de Guilherme e a saída de Luan. Que nada! Cuca apostou no pessoal que estava em campo e acertou. Luan, principalmente, e Araújo voltaram enfoguetados. Aliás, todo o time do Galo voltou aceso.

E foi  uma senhora exibição de futebol moderno com Jô dentro do modelo do centroavante dos novos tempos. Ao seu lado, o fantástico Ronaldinho Gaúcho, outra vez, em estado de graça.

Logo aos 2m, RG-10 deu genial toque pra Jô na ponta-esquerda. Este cruzou forte e rasteiro. A bola passou por todo mundo e sobrou pra Luan marcar 3 a l.  Não havia mais dúvida: o Arsenal estava liquidado e nova goleada viria acontecer de novo.

A obra de arte da partida aconteceu aos 15m. Araújo teve a bola no meio, após receber o passe de Jô e rolou de lado pra Ronaldinho Gaúcho. Seria um gol normal. Porém com ele isso não acontece: RG-10 deu leve toque na bola e a mandou no ângulo direito do goleiro argentino. Dos gols mais bonitos de RG-10 com a camisa do Atlético, com certeza.

Aos 25, Luan saiu e entrou Rosinei. Guilherme continuou no banco. Aos 33m, foi a vez de Alecsandro entrar e Jô, um dos melhores da partida, que havia corrido barbaridade, foi descansar.

O Arsenal surpreendeu ao marcar o segundo gol, muito bonito por sinal, aos 39m, num chutaço de Benedetto, cobrando falta da intermediária. Victor falhou na organização da barreira. A bola entrou no ângulo e antes bateu na trave.

A torcida já festejava o final da partida e a conquista da quinta vitória seguida na Taça Libertadores, do aproveitamento 100%, e dos 15 pontos que deverão dar ao time o primeiro lugar geral ao final da competição, quando Alecsandro marcou seu gol, o quinto do Galo. Um golaço, também. Recebeu de RG-10, driblou um zagueiro e sapecou de perna esquerda, lá da entrada da área. Show de bola e goleada de 5 a 2.

O que os argentinos aprontaram ao apito final, na confusão que vazou pela madrugada adentro, procurem ler todos os detalhes nos noticiários policiais. Novo vexame de um time argentino de machos aqui em Beagá.



Flávio Anselmo
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