domingo, 14 de abril de 2013

ESTRELA DA MANHÃ: NADA CAPAZ DE BRILHAR FEITO ELA


Flávio Anselmo - (14-4-13)
Uma reprodução do monte Itaúna, cartão postal de Caratinga, feito metade de esverdeada melancia, cortada em horizontal, até então havia ornamentado-a. Graciosamente. Porém, cansativa e pesada. Foi num domingo de manhã, de nuvens brancas toldando o azul do céu que aconteceu.
Manhã de domingo! Nada existe mais bonito quando iluminada pelo sol. Crianças correm nos jardins da cidade; famílias saem das igrejas com as suas melhores roupas; cumprem fielmente um ritual próprio dos domingos. Passeios nos parques, deslocamentos para as casas de campo, carros lotados...
Mas esta manhã foi tão diferente  que jamais se viu algo igual. Na expectativa aguda, que fere a alma, repica as batidas do coração, eu esperava o anúncio vindo do hospital.
Acompanhei passo a passo pelo celular. Mas queria ouvir o anúncio exultante da Vó que acompanhava a filha  com aquele belo desenho da Pedreira do Silva na barriga.
Que andante montanha Itaúna rugiu, rugiu, os gemidos simples da ansiosa espera, e pariu uma estrela.O quê, a bela reprodução do Monte Itaúna pariu uma estrela? Como pode, numa manhã de domingo?
"Repiquem os sinos, chamem os trombeteiros, desçam a Banda Cecília; às 10h STELA NASCEU!"
E não foi às cinco horas da manhã, na carona  do raiar da aurora, nas caudas da Estrela D'Alva?
Não, foi no meio da manhã e as pessoas assustadas olharam o céu:
"o que é aquilo? Uma estrela numa bela manhã de raios brilhantes de sol? Como pode, impossível?"
Nada é impossível no milagre do amor! A redondinha reprodução que a bela Juliana, minha Juliana trazia eloqüente, majestosa, abriu-se nas mãos dos profissionais, e deu espaço pra Stela respirar o ar da vida externa.
Alívio pra pequena estrela, de olhinhos fechados, e pra Mamãe orgulhosa, após vencer o desconforto, a ansiedade e os percalços de nove meses de espera.
Alegria para os que a rodeavam, à espera dessa deslocada estrela, que fugira das noites, dos dias comuns, pra clarear mais ainda as deliciosas manhã de domingo.
Já não sei mais onde coloco tanta alegria!
Vivi emoções iguais seis vezes. Renovadas, mas com intensidades iguais. Stela chegou pedindo espaço entre as luzes da manhã, posto que nada pode brilhar mais que ela.
Homem macho não chora? Chora. Chorei pela sexta vez.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Escolha a melhor forma de se identificar em Comentar como: Depois pitaque à vontade.