quinta-feira, 9 de maio de 2013

GIGANTES VÃO EMBALADOS PRA DECISÃO

 Feito galo de briga, espora de aço colocada pelo criador sobre as originais, peito estufado, senhor da rinha, o Atlético não apenas arrasou o São Paulo por 4 a 1, mas ratificou o aviso de que "quem cai no Horto, tá morto" . A goleada espalhou como gás mortal continente afora e qualquer outro adversário na Taça Libertadores agora sabe mesmo que nos confrontos com o melhor time da competição terá que fazer um resultado seguro na partida de ida se quiser continuar vivo pra fazer seguinte.

Acima da goleada, a festa no Independência esteve completa, pois o time só chegou ao placar elástico por causa da atuação coletiva e, especificamente, pela fase notável que atravessa o quarteto de ataque.

Convém não ignorar a pressão assustadora que saiu das arquibancadas e assustou os são-paulinos e encheu o espírito da equipe atleticana. Não ignorem, também, que após fazer sua parte na Libertadores, o quarteto mandou recado tático para o outro lado da Lagoa: na decisão do Mineiro que começa neste domingo, justamente no Horto, o Galo Vingador, de espora de aço, estará mais sanguinário e mortal. Afinal, o São Paulo foi apenas um adversário que caiu morto no Horto, por força da necessidade. O Cruzeiro é o arquirrival. (Foto de Alexandre Guzanshe-DA Press-EM)

 

NOITE DE JÔ

 

Ney Franco e o seu São Paulo deixaram o Independência sofridos. Também senti por meu amigo e conterrâneo Ney. O que se há de fazer? O remendado time dele, sem banco à altura da tradição do clube, não teve como substituir as peças fundamentais ausentes. Quem nem foram tantas. Talvez fique apenas em Osvaldo, vetado no último momento. Também não adiantaria nada. O Atlético entrou em campo com incrível disposição, tanto que logo aos 2m, de falta, RG-10 já colocava uma boa na trave de Rogério Ceni.

Aos 18m, Jô trocou de função, como sempre faz todo quarteto, com Bernard que virou pivô. Recebeu a bola de Tardelli e atrasou pra Jô acertar aquela bomba de fora da área, sem defesa: Galo 1 a 0.

Os locais não deixavam seu goleiro Victor passar qualquer tipo de susto. Uma defesa firme com Rever, Gilberto Silva e Richarlyson, este como terceiro zagueiro, assistidos todos pela segurança de Pierre e Donizete. Daí pra frente era com Marcos Rocha, Tardelli, Bernard, Ronaldinho e Jô. A multiplicação no gramado de Bernard impressionou. Apesar de o problema no ombro correu, marcou e quase fez gol aos 35m do primeiro tempo, mas Tolói salvou em cima da linha.

No intervalo o São Paulo entrou com Silvinho no lugar Paulo Mirando. Nos primeiros minutos, este jogador, pelo lado esquerdo, exigiu muito de Rocha. Aos poucos, contudo, Cuca acertou a marcação daquele lado e o Galo partiu pra goleada com Jô – dono da noite – marcando aos 18m e aos 24m. No meio disso, teve o belo gol de Tardelli, aos 19m, um minuto após Jô marcar o segundo.

Começou lá trás com um chutão de Rever e que Tolói, de cabeça, atrasou mal pra Ceni. Tardelli esperto se intrometeu no lance e aplicou o lençol fatal no goleiro do São Paulo. Aos 30m, Luiz Fabiano diminuiu para os visitantes e fixou o placar final de 4 a l. Atlético passava com louvor pelas oitavas de final. Primeiro clube brasileiro classificado.

       

ENQUANTO ISSO...

 

Sem sete jogadores titulares, o Cruzeiro mantinha sua longa invencibilidade na temporada e devolvia o recado enviado pelo placar do Horto. Vencia o Villa Nova por magro 1 a 0, gol de falta de Egídio, no segundo tempo: aqui o buraco é mais em baixo. As dificuldades aparentes dessa vitória sobre o Leão e que selou, em definitivo, a ida dos azuis às finais do Campeonato Mineiro surgiram da falta de preocupação maior do treinador Marcelo Oliveira. Decidiu poupar titulares importantes e dar ritmo a reservas não menos importantes.

O marcador feito na partida de ida, em Nova Lima (4 a 0) dava-lhe esta tranquilidade, razão pela qual o mistão escalado administrou bem o jogo de volta.

A missão quase impossível do Leão do Bonfim poderia ser compensada caso vencesse por diferença mínima, mesmo sem garantir uma vaga na final. Teria a vaga na Copa do Brasil de 2014 , além do simbólico título de campeão do interior. Com o resultado, o Tombense foi beneficiado.

Diego Souza chegou a marcar aos 33m, mas o auxiliar marcou impedimento. Penso que se equivocou, ao rever o VT da partida pelo Sportv. No lance seguinte, Borges aproveitou o erro de passe na saída de bola e acertou trave.

Terminado o confronto, Marcelo Oliveira, na entrevista coletiva, disse que "o clássico, para mim, ex-atleta, é o melhor jogo de se jogar. Você ataca e sabe que vai ser atacado, pode ser consagrador. A motivação é natural, não precisa falar, é importantíssimo jogar uma final, a repercussão que tem, fortalecimento do trabalho. A partir de agora vamos respirar Atlético, estudar bem o adversário, jogar com inteligência, é necessária entrega total, mas com cabeça no lugar e equilíbrio emocional. A vantagem é pequena, mas é considerável e podemos usá-la de acordo com circunstância e andamento dos jogos.",

 

MINHOCA NA CABEÇA

 

O que se passou pela cabeça do meia Rosinei? Ao terminar a partida, acertou um soco no lateral Carleto, do São Paulo. Será que ele se julgava impune após o apito final do juiz? O uruguaio Roberto Silveira que assistia à saída dos atletas aplicou-lhe o cartão vermelho. Problema para o Atlético que ficará sem um bom reserva para o próximo jogo e, com certeza, outros mais porque será difícil Rosinei escapar de pesada punição por parte do Tribunal da Conmebol. Se a autoridade judicial presente no estádio quisesse poderia, também, detê-lo e abrir contra ele processo por lesões corporais. Que trabalhão daria!

 

SEMPRE FRED

 

O técnico Abel Braga tem razão, Fred não conta apenas pelos gols que faz. Também pela sua importância no time, pela experiência e ascensão sobre os jovens da equipe. O Fluminense garantiu sua classificação às quartas de final por causa de Fred. Fez o primeiro gol, de cabeça, e liderou a equipe no momento mais difícil, quando o Emelec partiu em busca do gol de empate que lhe daria a classificação. Em Guaiaquil, havia vencido o Tricolor por 2 a 1. Cabeça quente, os equatorianos tiveram dois atletas expulsos e isso facilitou a vida do Fluminense. O segundo gol surgiu no finalzinho marcado por Carlinhos, o melhor em campo.

Semana que vem o futebol brasileiro coloca em campo seus outros times – os seis foram classificados – em busca das demais vagas. O Palmeiras recebe o Tijuana, empate em 0 a 0 no primeiro jogo no México; o Grêmio  vai a Santa Fé, na Colômbia, pegar o Independiente local – 2 a 1 Grêmio na ida – e o Corinthians tem a dura missão de virar o placar de 1 a 0 que levou do Boca Juniors em La Bombonera. Esta partida será no Pacaembu.

 

 

 

 

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