domingo, 16 de junho de 2013

É O QUE DIZEM... MEUS CORRESPONDENTES EM BRASÍLIA

Fábio Paceli Anselmo - (meu irmão) " Flageraldo, tudo bem? Com a filharada, netos e genros fui ver o jogo Brasil e Japão, com expectativa negativa quanto à eficiência de nosso time e positiva quanto à funcionalidade e beleza do novo estádio Mané Garrincha.
Dia bonito, temperatura agradável e eu com uma facilidade adicional: não sei por que, mas a Fifa me deu o privilégio de parar o carro no estacionamento ao lado do estádio. Imaginei ser pelo fator da idade e que haviam sorteado vagas para a categoria dos mais vividos. 
 Colei o adesivo no para-brisa e lá fomos nós, com mais de duas horas e meia de antecedência ao início do jogo, para ver também o show de abertura produzido pelo carnavalesco Paulo Barros, várias vezes ganhador do carnaval carioca, que prometia ser uma beleza.
Até estacionarmos o carro tudo foi numa boa. Trânsito organizado e fluindo bem com o privilégio do passe da Fifa, tanto que meia hora antes do show já estávamos estacionados ao lado do Mané Garrincha.
Aí começaram os problemas. As filas para passar pelo sistema de segurança eram enormes e tumultuadas, misturando-se com os carros que seguiam para os estacionamentos ao lado do estádio.
Para complicar ainda mais a situação, uns dois mil manifestantes protestavam contra a realização da Copa no Brasil, tentando bloquear as vias e impedir as entradas do estádio. Nessa confusão sobrou gás lacrimogênio pra todo mundo. Meu genro Zé, a Fabiana e o Chiquinho, que resolveram ir de ônibus, e mais um monte de gente, caíram no meio da encrenca e sofreram com os gases.
 Foi um sufoco, me disse a Fá.  A confusão nesse lugar foi tanta que a cavalaria fez um cerco e mandou todo mundo para dentro do estádio, mesmo sem passar pelas catracas da segurança que foram abertas.
Sobrou gás até pra nós que estávamos há uns duzentos metros da confusão. Havia uma brisa gostosa, que deixou de ser quando levou bastante gás até onde a gente estava. Foi minha primeira experiência com esse produto que faz arder e chorar.
Quando conseguimos entrar no estádio, nós e a maior parte dos torcedores, o show de abertura já havia terminado. Um amigo do meu genro Gustavo, que assistia a abertura em Campinas, mandou mensagem para ele dizendo que o show estava bonito mas o estádio vazio.
O estádio é lindo, segundo Jerôme Walcker, aquele do “pé na bunda do Brasil”, na opinião dele um dos mais lindos do mundo. E olha que ele conhece estádio. Não tem o estilo de Niemeyer, mas sob o ponto de vista funcional parece obra dele: bom de ver, ruim de usar (em certos setores, claro). Nosso lugar, atrás do gol onde saíram os dois gols do segundo tempo e um pouco pra lateral esquerda, ficava a quatro fileiras da última fila de cadeiras.
Uma escadaria sem fim, que me fez chegar - eu e mais um monte de gente – botando os bofes pra fora. Uma inclinação que me pareceu maior que a do Independência. Espaço meio apertado entre uma fila e outra, obrigando todos a se levantar para alguém passar.
Lá do alto, a visão do estádio era belíssima, não havia ponto cego, mas de tão longe não dava para identificar os jogadores. Só com o potente binóculo que levei.
Dois telões em alta definição repetiam os principais lances e os gols, exceto aqueles lances polêmicos onde o juiz e auxiliares erram, seguindo a orientação da Fifa de esconder os erros.  
Um caos no estádio e proximidades foi a comunicação. Os celulares não funcionavam direito, independentemente da operadora. Tentava-se ligar, mandar mensagens, postar fotos no Facebook, e nada. Mensagens que me foram enviadas só foram recebidas uma a duas horas depois. E garantiram que a tecnologia 4G – que uso - estava instalada e funcionaria bem, principalmente para atender imprensa. Devem ter xingado muito.
Coisa estranha foi a questão dos ingressos para o jogo. Quando me candidatei para compra, que seria na base do sorteio, escolhi a categoria 3, cujo preço era meio alto mas dava pra encarar, imaginando que teria uma localização boa, um pouco mais próximo do campo. Vi depois que não houve relação alguma entre preço de ingresso e localização de assentos, exceto talvez nos camarotes. Gente com ingresso bem mais barato ficou em lugar bem melhor, gente com ingresso mais caro ficou em lugar igual ou pior que o nosso. Uma das coisas a resolver para Copa do Mundo.
Sobre o jogo, você viu melhor que eu. Futebol, hoje, vê-se melhor pela televisão. No campo o bom é a festa, a participação da torcida, o calor do ambiente.
Mas aí vão alguns pitacos: a seleção tem um baita espaço no meio de campo, entre a defesa e o ataque; Júlio César não inspira confiança, soltando bolas relativamente fáceis; foram bem Neymar, Paulinho, Marcelo, Thiago; foram mal Daniel, Oscar (exceto pelo passe ao Jô), Fred (no primeiro gol ele não deu um passe, levou bolada que sobrou pro Neymar). Se o Fred não mudar - fica paradão o jogo todo, não desloca, não defende, não troca passes – o Jô, que faz tudo isso e também gols, toma o lugar dele.  
Sobre as vaias ao Blatter, talvez foram menos merecidas um pouco do que as dirigidas à Dilma. Afinal de contas, foi o governo Lula, da qual ela era a eminência parda, que aceitou integralmente o caderno de exigências da Fifa, algumas delas benéficas pra todos nós, que não deveriam depender de Copa alguma para serem executadas – como transporte público e segurança – e que sabíamos não seriam cumpridas, como não estão sendo. Antigamente se dizia que, é bom lembrar, “quem se abaixa demais acaba mostrando a bunda”.
Pior, por estranhos motivos, alguns políticos certamente, enfiaram “goela abaixo” da sociedade e até da Fifa a realização da Copa em 12 estádios localizados em distâncias continentais um dos outros, causando desgastes enormes às seleções com os deslocamentos e aumentando muito os gastos do torneio. Enfiaram-nos também a excrescência de doar um estádio ao Corinthians, a custa do contribuinte brasileiro, principalmente do paulista.
Todas essas coisas produzidas originalmente pelo corintiano Lula, que a Dilma engoliu e calou. Então, vaia nela que ela as mereceu. Eu não vaiei nem aplaudi nenhum dos dois e só vi a Alessandra e a Letícia aplaudir Dilma. O Blatter foi devidamente vaiado por elas.
Pelo dito, o pessoal da baderna em Brasília alguma razão tem na reclamação.  
No mais, foi bonita a festa, pá! E a seleção ganhou. É o que interessa.
Trincheira: é a opinião do mano que respeito bastante, até porque é mais velho do que eu. Além do mais, ele já tem oposição demais em casa. Não falou aí que suas filhas Alessandra (Alê), jornalista, e Letícia, bioquímica, aplaudiram a Dilma?
Leiam abaixo o que opinou seu genro Zé ( diplomata José Gilberto Scandiucci), casado com Fábiana (Fá), sua filha do meio, e funcionária do Banco Central.

Por que o brasileiro não gosta do brasileiro?
De: "José Gilberto Scandiucci" - Brasília - meu "sobrinho emprestado"
           
 Flávio Geraldo, Flávio Geraldo... Fui ver a abertura da Copa das Confederações no novíssimo estádio Mané Garricha e preciso te alertar: há um aspecto da classe média brasileira que precisa ser estudado com maior atenção. É o nosso pessimismo conosco. Temos medo enorme do sucesso. De onde vem isso? É assunto da maior gravidade e profundidade.
Olha, a abertura da Copa das Confederações foi uma beleza. Uma festa só. Nem estou falando dos 3 X 0, não falarei de futebol. Refiro-me à organização do evento. Claro, ainda há uns pequenos pontos a serem corrigidos, mas, afinal, a Copa das Confederações é pra isso mesmo, um teste para a Copa do Mundo.
Como dizia, foi uma beleza. Fui de ônibus, sem nenhum problema. Transporte coletivo funcionando bem, fomos sentados. O estádio está lindo, fácil de entrar, sair e circular. Filas muito pequenas; alguns disseram que, na entrada, demoraram no raio-X, é que não notaram que outras entradas estavam bem mais liberadas. Talvez valha a pena distribuir melhor as pessoas nas próximas ocasiões.
Mas nada que não se resolvesse em alguns minutos. Muito, mas muito mais eficiente, que o aeroporto de Heathrow, em Londres, onde, outro dia, fiquei meia hora esperando no esquema britânico de segurança. Um desrespeito ao passageiro: imagine na Olimpíada? Mas, sabe como é, lá é a Inglaterra, se eles te colocam esperando na fila, deve ter algum motivo. Aqui no Brasil, não: fila é desorganização, é falta de planejamento.
E o aeroporto de Berlim, onde estive na semana passada? Puxadinho brabo, pois o novo aeroporto já está atrasado há anos, não conseguem inaugurar. Péssimas instalações. Como fizeram na Copa do Mundo de 2006? Será que o alemão esbravejou contra o espírito germânico? O brasileiro de classe média deve pensar: ah!, mas na Alemanha, se está assim, é porque deve haver, de fato, um problema real. Não sei qual é, mas deve haver. O Governo alemão não trataria assim seus cidadãos.
A festa amarela no estádio Mané Garrincha, ontem, emocionou a todos. Nada de confusão, tudo no respeito. Os funcionários e voluntários muito educados, aquela polidez característica do brasileiro. Podíamos comprar até cerveja. Mas as filas das bebidas realmente estavam lentas, está aí um aspecto que precisa ser melhorado. Brasileiro bebe mesmo, devemos dobrar o número de funcionários nessa área. E os preços das bebidas, exorbitantes. Tem que baixar.
Em resumo: a Copa do Mundo do ano que vem vai ser um sucesso. Mas vai ser um fracasso. Não adianta que funcione bem, vai ser um fracasso. Não adianta tudo dar certo, vai ser um fracasso. A classe média já cravou essa verdade. Vamos nos ater a qualquer pequeno incidente – uma fila num aeroporto qualquer, uma criança perdida, um assalto a turista – para vaticinar: não te disse? A Copa não seria uma vergonha? Por que insistem em fazer Copas na América do Sul e na África? Por que não as restringem à Europa?
E, claro, se tudo der certo, haverá outras explicações. Dirão: também, com a dinheirama gasta, até eu... E o dinheiro que sumiu? As negociatas dos empreiteiros? E as obras de infraestrutura, que não saíram do papel? Sei lá, encontrarão outros argumentos.
É isso que precisa ser aprofundado, esse derrotismo com nosso potencial. Proporei esse tema em institutos de Sociologia, pode ser objeto de teses acadêmicas. Mas no Primeiro Mundo, é claro, pois sabe como são as universidades no Brasil, uma vergonha.
Enquanto isso, o Francisco, meu filho de sete anos, curtia todo o espetáculo verde e amarelo, festejou, comemorou. Para ele, essas críticas soam como sandice. Mas é uma criança, o que sabem as crianças?

Trincheira: Bem diplomático, o meu "sobrinho emprestado", Zé. Da melhor qualidade, por sinal. Merece todo sucesso que tem tido na carreira. Ele, a querida Fá e os filhos maravilhosos que têm. Beijos pra todos. 

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