domingo, 30 de junho de 2013

O CAMPEÃO VOLTOU: BRASIL É TETRA DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES


Foi bom demais. Até consegui buscar na memória aquela lembrança encostada num canto da minha infância, quando ouvi meus irmãos mais velhos e seus amigos cantando "eu fui às touradas de Madrid", após a Seleção golear a Espanha por 6 a 1 na Copa de 50. Eu tinha sete anos e não curti mais do que isso. Nem me lembro se entrei no bloco deles rua afora em Caratinga.
A conquista e a vitória deste domingo, com direito à marchinha carnavalesca de Carlos Alberto Ferreira Braga, compositor também conhecido como João de Barro ou  Braguinha, não tiveram o peso de uma Copa do Mundo. Foi apenas o tetracampeonato de um torneio de seleções campeãs promovido pela Fifa.
Porém, os espanhóis, papadores de todos os títulos importantes nos últimos dois anos, não ganharam este torneio nem uma vez sequer. Contavam com isso agora. Acreditaram no ranking da Fifa - e em nós, pessimistas,eternos puxadores de coro das potências estrangeiras - e souberam de um Brasil em 12º lugar.
Ou seja, os descobridores da arte no futebol acabaram. Tanto que seus atletas diziam nas entrevistas: "somos agora, o que o Brasil era no passado".
O povo que tá nas ruas a fim de mudar o Brasil de anteontem encheu, também, os estádios e cantou o Hino Nacional com a Seleção Brasileira. Acreditou nela, enquanto a mídia enchia a bola da Espanha, como grande favorita. Eu estava no meio desta turma descrente e passei a acreditar quando goleamos a Itália (4 a 2) e o povo empurrou das cadeiras no estádio o time à vitória.

HONRA LAVADA

O país acordou de novo pro futebol. A Pátria de Chuteiras, pediam os comerciais governistas, no intuito de desviar o foco das massas nas ruas. De qualquer forma, sinto-me de honra lavada. Já não aguentava mais a posição de inferioridade que vivíamos no futebol.
Não quero afirmar que a conquista da Copa das Confederações, a quebra da longa invencibilidade da Espanha e a goleada por 3 a 0 nos tornaram de novo os melhores do mundo e a Espanha ruiu como castelo de cartas de baralho. Nada disso. Cada qual continua no seu quadrado, mas o Brasil agora está, de novo, respeitado. A camisa canarinho voltou ao topo do pódio.

BASTILHA DA FÚRIA

A marcha de Braguinha poderá servir de hino à tomada da Bastilha espanhola. A Fúria caiu no Maracanã, sem choro nem vela. A Seleção não venceu uma equipe qualquer, e nem venceu por acaso. Jogou muito.
Falava-se que a Espanha dança conforme a música que o jogo exige, mas quem ditou o ritmo fomos nós. Demos aos espanhóis o veneno que aplicam nos adversários: toque de bola, marcação forte e jogo pra frente.,
Então pra quem não sabe a letra da marcha que tanto sucesso fez na Copa de 1950, antes do Maracanazzo contra os uruguaios, a Trincheira informa embaixo:

Touradas de Madri

Eu fui às touradas em Madri
E quase não volto mais aqui
Pra ver Peri beijar Ceci.
Eu conheci uma espanhola
Natural da Catalunha;
Queria que eu tocasse castanhola
E pegasse touro à unha.
Caramba! Caracoles! Sou do samba,
Não me amoles.
Pro Brasil eu vou fugir!
Isto é conversa mole para boi dormir!

GRANDES HERÓIS

Nessa vitória de domingo, você pode escolher os heróis ou o seu herói preferido. Comece pelo gol, onde Júlio César esteve impecável. Os dois laterais Daniel Alves e Marcelo jogaram muito, principalmente o segundo. Os dois zagueiros, Thiago Silva e David Luis, extrapolaram. Juntos com Luiz Gustavo fecharam o meio da área brasileira.Um gigante o Luiz Gustavo! Não perdeu nenhuma disputa e não errou um passe sequer.
Paulinho andou dispersivo por causa do sua mania de artilheiro. Porém, Oscar e Hulk ocuparam bem seu espaço. Hulk quase morreu de tanto correr e evitar o apoio do ótimo lateral esquerdo espanhol, Jordi Alba, que nem viu a cor da bola.
Oscar fez sua melhor partida na seleção e ajudou bastante o ataque que esteve fatal. Neymar e Fred (2) fizeram os gols e perderam outros que poderiam aumentar nossa goleada. A rigor, a Espanha teve aquele lance que David Luis salvou em cima da linha e o pênalti de Piquê bateu pra fora. Tudo no segundo tempo. No primeiro, a Fúria foi engolida pelo Canarinho Brasileiro.


MEDALHA PRA FELIPÃO

O dinossauro brasileiro, Luiz Felipe Scolari, deu verdadeiro nó tático no dinossauro espanhol, Vicente Del Bosque. O time brasileiro esteve imbatível dentro de suas limitações individuais. O próprio Felipão destacou que bom caminho foi andado, mas que falta outro bem maior até a Copa de 2014. Concordo, contudo feliz. (Foto agência Reuters)

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