terça-feira, 23 de julho de 2013

O QUE MOVE ESTE TIME NÃO É APENAS O "EU ACREDITO". É, TAMBÉM, A CERTEZA DE QUE TÍTULO, AO CONTRÁRIO DA IDEIA DOS PESSIMISTAS , SERÁ DO MELHOR TIME DA COMPETIÇÃO: O GALO

 Não pretendo falar de mais nada, além da certeza que absorveu, mastigou e tem ruminado o meu senso de imparcialidade e de lógica este ano. Botei uma viseira. Não aquela de burro. Mas de quem não quer olhar pros lados e ser contaminado pelos fluídos negativos dos beócios e babadores de gravata.
Sei que é difícil cruzeirense torcer pelo Atlético; ou vice-versa.Até porque tem conta pra acertar com o torcedor do arquirrival; até hoje tira-lhe sarro por conta da derrota pro Borússia.
Embora seja fato inegável que tal rivalidade dá sobrevida ao esporte mais querido do mundo, neste caso em discussão, da decisão da Copa Libertadores da América entre Atlético x Olímpia de Assunção, nesta quarta-feira à noite, no Mineirão, não se trata de torcer.
Trata-se de enxergar a realidade, ler os números, mergulhar na estatística da competição e, acima de tudo, visualizar com quem os deuses da sorte protegem.

DEUSES ANDARAM POR LÁ TAMBÉM

A semifinal entre Olímpia x Santa Fé, também, foi marcada pela sorte do time paraguaio. Principalmente no jogo da volta, na altitude de Bogotá. Tomou um vareio de bola, com chutes na trave, gols perdidos e no apito final foi derrotado pelo placar suficiente pra garantir sua classificação.
Nada diferente do Atlético! Desde seus jogos com o Tijuana que o Galo tem esta sorte que é a sina dos campeões. Não preciso lembrar nada, nem as defesas em pênaltis de são Victor, visto que elas jamais serão esquecidas. Coisas pra eternidade.
No momento nada funciona contra o time de Alexandre Kalil: nem juiz ruim, encomendado, nem as jogadas da Conmebol pra tirar a decisão do Horto. O Galo vem de galope, atropelando os maldizentes e maliciosos.  Na fase inicial, o Atlético encantou a América e o mundo, no lombo de Ronaldinho Gaúcho, inconteste ídolo, reconhecido por todos os cantos, onde uma bola de futebol rolar.
A única derrota que teve nessa fase, diante do São Paulo, no Morumbi, foi fruto do desinteresse da equipe com o primeiro lugar e a classificação garantidos. Não precisava de provar mais nada. Até a partida decisiva teria o privilégio adquirido no gramado e garantido no regulamento de sempre jogar a última em casa.

CAVALO PARAGUAIO

Botou pressão nos adversários até quando o mais pressionado era ele próprio. Victor foi fantástico na defesa dos pênaltis, mas a torcida foi mística, imbatível nos gritos de "eu acredito", que fizeram tremer os cobradores adversários de pênaltis.
Eu só não acredito mesmo é que, de novo, o Galo será náufrago que esbanja vitalidade nas braçadas e vem morrer na praia. Nessa decisão, o cavalo paraguaio, outra expressão odiosa, usada pelos marmiteiros e chutadores de paralelepípedos, tá do outro lado.
O Olímpia sim, cavalo paraguaio, com perdão do trocadilho, tem todo gabarito pra assumir tal pecha. Correu, correu, pra chegar em segundo lugar. O primeiro é do Galo, tá escrito nas estrelas!
É tão difícil aceitar essa verdade?
Em nosso programa Jogada de Classe, na TV Horizonte - às 13h e às 23h20 - o nosso professor Orlando Augusto, que não abre o coração pra agasalhar nem um pingo de amor pelo Atlético, mas não abdica do direito de torcer favor nesta decisão, como bom mineiro e cronista esportivo prateleira de cima, quis saber dos telespectadores qual seria a expectativa deles.
  
AMOR PLATÕNICO

Céus! Fiquei admirado com o pessimismo de vários internautas atleticanos. Estavam desiludidos com as últimas atuações da equipe de Cuca. Aí decidi questionar um deles. Que forma de amor é esta em que não se acredita no objeto de seu sentimento?
O amor por si só já é sentimento que não se deve submeter à frieza da razão, escreveu, certa vez, o poeta. O amor platônico por um time de futebol então é coisa mais louca ainda. Seu relacionamento com este objeto de seu amor é de ódio e paixão. Você ama a instituição e morre por ela. Você admira os guerreiros que defendem tal instituição. Todavia não os ama, nem morre por eles.
Ao duvidar da possibilidade do seu time de coração ganhar a competição, você não crê na força do amor que lhe sai da alma; que lhe faz tirar de seu salário que nunca chega ao final do mês pra lotar os estádios e ver seu time jogar.
Aquele grito de fé - "eu acredito" - não é da boca pra fora. É algo que o espírito expele e a crença transforma num Hércules de chuteiras, meiões, calções e com o manto sagrado.

ELO PARTIDO

Quem mandou email, ou tuitou pro Jogada de Classe afirmando que, apesar de atleticano, não acredita no título por temer o Olímpia, três vezes campeão da Libertadores e até Campeão do Mundo, tá proibido de ir ao Mineirão. Seu grito junto dos outros será mentiroso. Sua presença poderá ser o elo partido na enorme corrente de fé que circula pelo País, pintada em preto-e-branco.
A mesma fé que motivou milhares de torcedores a acamparem no quarteirão da sede de Lourdes atrás do passaporte que os levará  às arquibancadas do Mineirão, onde soltarão o grito de "eu acredito", livremente.
É preciso dizer, também, que essas mesmas pessoas acampadas foram mais além: apanharam no rosto e no coração com o tratamento recebido pela diretoria do seu clube imortal. Ignorando seu sofrimento de oito dias, ao relento, à fome, à sede. Assim é o amor maior. Nem a falta de carinho e de atenção da instituição amada os desanima e nem os faz deixar de acreditar na alegria da conquista.
Segundo o principal astro do Galo, sobre o qual jogam todas as responsabilidades desta decisão, " o que move a gente é a frase: "Eu acredito"! Então, amigo, que afirmou no twitter do Jogada de Classe que não acredita, você tá na contramão; por isso, repito: não compareça ao Mineirão. Se possível, nem veja pela televisão. Vá ver um filme brasileiro num dos shoppings da cidade. Saí fora, pé-frio!

PEDIDO PRO TONICO

Ô Tonico - me lembrei do samba "Antonico", de Ismael Silva, grande sucesso na voz de Elis Regina - vou pedir-lhe um favor: acenda uma daquelas suas famosas velas aos pés de Santo Expedito. Apesar de toda minha convicção no título, tenho tido alguns arrepios. Minha intuição e meus estudos tirados da bola de cristal, que insisto em manter na despensa têm dados uns tremelicos. Sei lá se os santos deles estão mais fortes!

Sendo assim, por segurança, resolvi convocar outras forças extraterrenas pra difícil empreitada, ao lado da Massa alvinegra. Eu sou estranho no ninho, pois já confessei que não abri meu coração a este desenfreado amor. Sou hoje simpatizante de uma causa mineira, brasileira. Porém, conheço seus sentimentos atleticanos, arraigados e hereditários. Você é um elo forte na corrente. Portanto, bota mais velas aos pés do santo.

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