quinta-feira, 12 de setembro de 2013

ELOGIOS NÃO SÃO BEM DISTRIBUÍDOS NA TOCA DA RAPOSA

            William tá com a bola toda na opinião de Pacote - foto André Costa/Costa Press-Estadão

Dois gols e muita movimentação no ataque, Willian foi personagem dos elogios do treinador Marcelo Pacote Oliveira depois da vitoria por 2 a 1 sobre o Goiás.
Disse que o atacante foi fundamental, que "é jogador moderno, técnico que recompõe, tem noção tática, leitura tática muito boa, ajuda na marcação e está sempre bem colocado para as finalizações."
Não bastou. Quis elogiar mais: "em quase todos os jogos, ele tem boas chances para marcar porque se coloca bem e, além disso, é muito determinado para ajudar na marcação. É um jogador que tem sido fundamental e contra o Goiás mais uma vez nos ajudou muito”.
Não que Pacote esteja de todo errado com relação a William. Apesar da dose de exagero do técnico, ele quase isso tudo, realmente.

DISTRIBUIR MELHOR

Todavia, eu gostaria de tomar conhecimento de duas coisas: a) como William surgiu na vida do Cruzeiro, se estava enterrado no Metalist, da Ucrânia, esquecido e na reserva?
b) Por que Pacote não tem o mesmo tratamento de entusiasmo que dedica a alguns forasteiros com o pessoal da casa?

EXEMPLOS MACHUCAM

Os exemplos que fui buscar nos alfarrábios quanto essa diferenciação de tratamento    machucam .
Exemplos: digamos que Ricardo Goulart, recém surgido no Goiás, seja praticamente um menino da casa. Marcou duas vezes na goleada por 4 a 1 contra o Atlético.
Fez até um de bicicleta, que foi anulado. No entanto, não mereceu elogios nem a titularidade na época.
No Cruzeiro 3 x Náutico 0, o menino Vinicius Araújo fez dois gols e ainda assim foi substituído aos 32m do segundo tempo por Anselmo Ramon, cujo prestígio junto à torcida é zero.
Vejam como a coisa muda: contra o São Paulo, no Morumbi, Luan fez os três gols da goleada cruzeirense por 3 a 0 e saiu louvado. Segundo Pacote, jogador moderno e seu representante no gramado.

MELHOR DE TODOS

Lembram daquele fantástico Cruzeiro 5 x Vasco 3? Pois é, Lucas Silva mandou dois torpedos no ângulo, foi considerado o melhor em campo.
Não ganhou nem 30 segundos de elogios do treinador e nem a titularidade. Esteve perto de perder a posição no jogo seguinte pra Souza, liberado pelos médicos.

FERA WILLIAM

Tomara que William fique no Cruzeiro. Porém pertence ao Metalist, emprestado até julho de 2014, envolvido na venda de Diego Souza.
Vai se valorizar aqui e depois retorna à Ucrânia. Sua performance com a camisa celeste é excelente, sem dúvida: já anotou quatro gols em 12 jogos.
A questão é apenas essa: não dá pra Pacote dividir equanimente essa puxação de saco entre "forasteiros" amigos e amigos dos empresários com a meninada sem padrinhos da Toca da Raposa?  

NÚMEROS BONS OU RUINS?

Legal a gente encontrar site como Superesportes interessado em dissipar dúvidas, em matérias pautadas ou sugeridas, pouco importa. Tenho contestado aqui na Trincheira, cuja finalidade é essa mesma - levantar polêmica - a ausência de entusiasmo de Marcelo Pacote Oliveira com a meninada da base.
Por que chego a essa conclusão? Porque fui um dos poucos defensores da contratação de Marcelo exatamente por sentir que sua fama de revelador e ousado lançador de jovens talentos seria importante pro Cruzeiro naquele momento. Não foi o esperado.
Tudo bem que o Cruzeiro esteja na liderança e que o trabalho de Marcelo não mereça qualquer crítica agora. Mas sou assim: gosto de cobrar, também, quando a coisa funciona. Na época das vacas magras fica fácil cobrar.
 Maike (e) e Vinicius Araújo têm que jogar muito pra provar que merecem a titularidade - foto de Leandro Couri - DA Press/EM 

LUTA MAIS DURA

E me lembro, também, quais foram as lutas e críticas pra Pacote acordar e ver a necessidade de aproveitar Maike na lateral e Lucas Silva no meio.
O quanto se falou por Élber e até Álisson antes que este fosse pro Vasco. E o Vinicius Araújo? Fora do esquema, enquanto Anselmo Ramon era privilegiado.
No meio-campo, Pacote tentou outros amigos como Guerreiro e Russo. Qualquer um ali não tem o futebol de Lucas Silva. O rapaz teve que convencer ,com muita luta,  ao treinador que vaga era dele.
Maike também convenceu, em princípio. Mas bastou Ceará voltar da lesão e o menino estourar um músculo pro critério de escolha ser mudado. Maike voltou e Ceará ficou na lateral-direita.
Mais uma vez contra o Goiás, Maike mostrou que o lugar ali é dele.

GOLEADOR ESQUECIDO

Já Vinícius tem feito gols, mas não agrada o treinador. Deve ser seu jeito de pentear o cabelo, ou de cuspir, ou de comer, ou de andar, sei lá.
Marcelo inventou tanto que nem levou Vinicius pro banco em Goiás e colocou Alisson no lugar de Borges, outro perpetuado no coração do técnico.
Mas vamos lá, o que nos informa a matéria do jornalista Gilmar Laignier? Diz ele no Superesportes:
"o Cruzeiro de 2013 aposta nas categorias de base como há muitos anos não fazia. Mais do que isso, os jovens atletas têm dado retorno positivo dentro de campo e, muitas vezes, são aproveitados como titulares em partidas importantes.
Foi o caso do meia Alisson que, nessa quarta-feira, substituiu Borges contra o Goiás e deu o passe para Willian marcar o primeiro gol celeste. Mayke deu a outra assistência.
Ao todo, sete jogadores da base já foram utilizados nesta temporada. Os mais acionados foram Mayke (24 jogos, 16 deles como titular), Vinicius Araújo (22 jogos, 13 como titular), Lucas Silva (16 jogos, nove como titular) e Elber (17 jogos, todos como suplente).

HORA E VEZ DE ALISSON

O meia Alisson (cinco jogos, um como titular), o zagueiro Wallace (um jogo como suplente) e o goleiro Rafael (três jogos, dois como titular) foram menos aproveitados.
O bom desempenho dos atletas da base é traduzido em números dentro de campo. Ao todo, eles já marcaram 14 gols nesta temporada e deram 13 passes diretos para gol. Foram somente oito cartões amarelos recebidos e nenhum vermelho.
Apenas em quatro jogos nesta temporada nenhuma prata da casa foi utilizada: contra o Guarani em Nova Serrana (0 a 0), contra o CSA em Alagoas (3 a 0), contra o Atlético no primeiro jogo da final do Mineiro (0 a 3) e contra o Atlético-PR (2 a 2).
O maior artilheiro é Vinicius Araújo, com oito tentos anotados. O maior assistente é Mayke, com seis passes diretos para gol.
  
OPINIÃO DA TRINCHEIRA

Excelente matéria, com ótimos números. Mas o que se discute é a persistência, o apoio que recebem os "forasteiros" enquanto a meninada não pode errar, não tem esse direito. Por exemplo: se o zagueiro Wallace estivesse no lugar de Dedé, após tantas falhas iria parar aonde?
Vinicius Araújo tem oito gols anotados e qual é sua recompensa? Nem no banco ficou. Maike deu seis passes diretos para gol e onde estava nesta quarta-feira, em Goiás? No banco. Entrou pra mudar a cara do Cruzeiro.

E o Lucas Silva, e o Élber, e o Vinícius, quantas vezes entraram, fora das geladas, claro, e resolveram? Pacote não lhes dá o mesmo tratamento.

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