quinta-feira, 26 de setembro de 2013

VAMOS ÀS RUAS: POR CAUSA DO CRUZEIRO JÁ FALAM EM ACABAR COM DISPUTA EM PONTOS CORRIDOS

Não tenho a menor dúvida: é coisa da Rede Globo. Da vez passada, em 2003, com o Cruzeiro ganhando o Brasileiro antecipado, a Globo botou seu porta-voz. Galvão Bueno, numa escancarada campanha contra os pontos corridos.
Galvão chegou a afirmar, sem números concretos, que o torcedor não gostava da fórmula; queria decisões em mata-mata. Ou seja, os times jogariam 38 vezes e depois caíram na esparrela de oito classificados para as finais no sistema de um contra o outro.
O Cruzeiro na 24ª rodada, porque tem melhor time e investiu pra isso; está a oito pontos do segundo colocado, o Botafogo. Atrás deste, estão Internacional e Grêmio. Viram o Flamengo no G-4? Ou o Corinthians? Ou o Vasco, ou o São Paulo, ou o Santos? Do eixo apenas o Botafogo.

IRRITAÇÃO GLOBAL

Isso irrita a Rede Globo um tanto impossível de imaginar! Então ela começou, de novo, a campanha contra os pontos corridos.
A televisão usa como mote o discurso dos atletas contra o calendário. Se tem jogo demais, a fórmula do mata-mata pode resolver. Apenas um turno, como o campeonato mineiro, e oito times classificam-se pras finais.
Jogaram isso no ar, e os alienados jogadores de futebol e seus procuradores e empresários correm atrás.
Algumas vozes conscientes - como esta aqui, da Trincheira - levantam-se pela manutenção do campeonato ganho pela técnica, pelo melhor, por pontos corridos.
Reproduzo, com a devida vênia, a coluna do jornalista Humberto Perón sobre o tema. Muito interessante, leiam e deem seus pitacos:

Mais Cruzeiro e menos regulamento - De São Paulo
Humberto Luiz Perón*
-"Com a boa distância que o Cruzeiro, líder absoluto do atual Campeonato Brasileiro, abriu sobre os demais concorrentes, já estão aparecendo as viúvas do tempo que o campeonato era disputado com fases de "mata-mata".
"Os saudosistas dos jogos eliminatórios ressaltam o absurdo de o torneio praticamente estar decidido já no final de setembro. Acho que as pessoas que questionam o sistema de pontos corridos para o Nacional, no lugar de criticarem a fórmula de disputa do torneio, deveriam prestar mais atenção ao grande desempenho que o Cruzeiro tem  apresentado durante toda a competição".
"Aliás, boa parte dos insatisfeitos com o sistema de pontos corridos que surgem agora é de paulistas e cariocas, pois está claro que os clubes desses dois grandes centros, tirando o Botafogo, têm chances reduzidas de conquistar o torneio."
"Esses parecem se esquecer de que, desde que o atual sistema foi introduzido, apenas uma única vez - o Cruzeiro, em 2003 - não foi um time paulista ou carioca o vencedor do Brasileiro".

AH, SE FOSSE DO EIXO!

"Não tenho dúvidas de que, se fosse um time de São Paulo ou do Rio de Janeiro que estivesse com o aproveitamento de pontos que o Cruzeiro tem no momento, não haveria adjetivos suficientes exaltando o time".
"Todos falariam da força do elenco - elogiariam o critério das contratações e não classificariam alguns jogadores apenas como refugos dos grandes times de Rio e São Paulo -, das opções que o técnico tem para mudar a forma de a equipe jogar durante a partida e o equilíbrio do time, que consegue atuar de maneira ofensiva".
"Sem dizer da pressão que haveria para a convocação para a seleção de alguns jogadores importantes, como o meia Everton Ribeiro - o grande destaque do time até agora na competição -, o goleiro Fábio, o volante Nilton e o zagueiro Dedé".
”Aliás, não custa lembrar que, quando Dedé jogava no Vasco, ele tinha o apelido de "Mito" e era apontado como o melhor zagueiro do país. Só que sua transferência para o Cruzeiro parece que o transformou em um jogador comum e só se fala do defensor quando ele falha em algum gol que o time cruzeirense toma".
"O mesmo acontece com o técnico Marcelo Oliveira. Por mais que ele tenha armado o time que tem um excelente padrão de jogo e variações táticas, mesmo perdendo jogadores como Diego Souza, alguns só se referem ao técnico como o profissional que foi derrotado em duas finais consecutivas de Copas do Brasil com o Coritiba, o que é uma tremenda injustiça".
"Não concordo e acho exagerado o termo "eixo do mal", que é a maneira como as pessoas de outros estados se referem à influência de São Paulo e Rio de Janeiro no nosso futebol, mas não posso deixar de dizer que paulistas e cariocas sempre demoraram a aceitar o sucesso de clubes e jogadores de fora dessas duas cidades".
"Além do atual exemplo do Cruzeiro, e do Atlético-MG, que venceu a Libertadores deste ano, poderia citar outros exemplos. O Cruzeiro da década de 1960 - que deveria ter mais destaque na história de nosso futebol -, assim como o Internacional que conquistou o bicampeonato brasileiro em 1975/76, mas por um bom tempo foi visto como um time viril, que jogava duro e que tinha um estilo de jogo que fugia das características do futebol brasileiro".
" Há também o caso do Grêmio comandado por Luiz Felipe Scolari - que ganhou tudo na metade dos anos 1990 - que era classificado como um time violento, que jogava retrancado e tinha como única jogada ofensiva os cruzamentos para a área".
"Ainda bem que a força do futebol brasileiro não se resume aos times do eixo Rio-São Paulo. E é bom ressaltar que o Cruzeiro não tem culpa nenhuma em ter disparado na tabela de classificação, só méritos".

Humberto Luiz Peron é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve às terças-feiras no site da Folha.

TRINCHEIRA; Aplauso o texto de Humberto Perón e assino em baixo. É o que tenho dito aqui há anos, até mesmo quando trabalhei cinco anos como comentarista do Sportv.

VIVA O MARACA

Outro assunto pelo qual me debato, aborreço e xingo à vontade é a porcaria que ficou a administração do Mineirão entregue à uma empresa paulista, a fim de dar o tombo nos clubes mineiros e recuperar o dinheiro que investiram na reforma do estádio.
E somos obrigados a ler que a grana saiu, no seu montante, do governo do Anast-azia. ÓÓÓ, me poupa doutor!!!
Meu primo Iraq Rodrigues, grande colaborador desta Trincheira, também jornalista, me mandou, além do texto acima do Humberto, outro dele, falando de sua ida ao Maracanã. Leiam, também, com atenção:
"Fui ao Maracanã (não o conhecia após a reforma) e comento duas coisas. Ao ver aquele estádio reformado, fiquei com vergonha do Mineirão... e do Independência...apesar de o Maraca não ter aquele espaço gigantesco que o Mineirão tem em seu entorno, a organização é nota 10".
"O metrô facilita a chegada da torcida, a quantidade de orientadores, jovens rapazes e moças, com imensa boa vontade e sorriso nos lábios (Posso ajudar em alguma coisa, sr fulano?) é impressionante. A cortesia começa do lado de fora, onde até megafone é acionado quando necessário".
" P.E. Atenção torcedores do Botafogo, a bilheteria X está mais vazia e tranquila para a compra do seu ingresso".... e outras orientações que se fizerem necessárias. Aqui, menores de 12 anos e maiores de 65 não pagam ingresso. Basta apresentar o documento que comprove suas situação para entrar, sem nenhum idiota para atrapalhar".  

 PM SEMPRE ATENTA

A polícia se mantém por perto, sempre atenta e vigilante. Eu e meu genro estávamos com uma lata de cerveja na mão, um orientador nos parou, gentilmente, e disse,"Desculpem, mas desse ponto em diante não pode passar com lata de cerveja".
Eu só disse para ele que sabia e que só estava procurando um lixeira para jogar a lata. Ele apontou uma lixeira perto e disse "ali tem uma". E pronto. Jogamos a lata no lixo e entramos, sem confusão, sem contratempo, sem ninguém enchendo o saco."
"O andar do público fluía tranquilo sem pressa nem agitação. Nem um Galoucura nem Máfia Azul exaltado para perturbar os torcedores. Foi sensacional. Uma vez lá dentro, sempre mais jovens orientadores a nos indicar o caminho a seguir, quando alguém tinha dúvida...."
"Quando entrei, levei um susto imenso com a beleza do Maraca. As cadeiras multicoloridas, predominantemente amarelas e azuis, desciam desde a parte mais alta até embaixo, sem um fosso como entre arquibancadas e gerais de antigamente". 
"Mencionei a polícia, a polícia militar tem até equipe de choque, mas se mantém em locais estratégicos (isto, na entrada do estádio) e a Guarda Municipal cuida de maneira mais próxima dos torcedores. Existem nas ruas do entorno, muitas pessoas vendendo cerveja escondido, é ilegal".
" Mas a Polícia Militar não se incomoda, seu papel é vigiar a torcida, zelar por sua segurança. A Guarda Municipal é que cuida desses "cervejeiros ilegais". As torcidas estão o tempo todo juntas na entrada e não acontecem tumultos. Cada um respeitando o direito do outro de ter simpatia por um time diferente do seu". 
Agora, é a vez do interior do Maracanã. que vista maravilhosa... Eu, propositadamente optei por assistir ao jogo atrás do gol, coisa que não faço nem no Independência e nem no Mineirão. Acredite, de qualquer lugar do Maracanã você tem um vista total do gramado em qualquer "cantinho" que a bola esteja rolando".

DESESPERO COM FLA

"O ponto negativo foi o jogo: uma pelada sem tamanho. E verifiquei que a CBF e a Globo estão desesperadas pela situação do Flamengo, não ganhou nada este ano e ameaçado de rebaixamento".
"Sua majestade, o juiz, tentou de todas as maneira dar uma vitória para o Flamengo, para ver se passa para as semifinais da Copa do Brasil...mas o Botafogo ajudou: não jogou nada".
"E o tal Hyuri, novo dodói da torcida botafoguense, era o reforço do Flamengo. Eram 12 contra 11 do Bota. O cara é horroroso. Não joga nada e nada fez durante toda a partida. Seedorf dormia em campo.  O único ligado no jogo era o Edilson, lateral direito do Foguinho, inclusive ele foi o autor do gol de empate do Botafogo".
"Ah!, é mesmo, o jogo terminou 1 a 1, só não foi pior que Flamengo e Náutico porque teve um gol para cada lado".
"Enfim voltei satisfeito de ter (re)conhecido o Maracanã e ver que a administração cuida muito bem dele...e a prefeitura faz sua parte, oferecendo transporte coletivo à vontade. Só lamentei o empate do Galo contra o Criciúma...

Trincheira: completo e interessante relatório, Iraq. Obrigado.

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