quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

KALIL JOGA ÁGUA FRIA NA FERVURA DOS FEROZES CRÍTICOS E DIZ QUE DESCLASSIFICAÇÃO NÃO FOI A MAIOR TRAGÉDIA NA HISTÓRIA DO GALO

Alexandre Kalil ( foto de Alexandre Guzanshe - Superesportes/EM/) deu, exatamente, a declaração que eu esperava do dirigente máximo do Atlético antes que o desastre de Marrocos transforme-se em tragédia histórica. A expectativa da torcida superava os limites da paixão, o que é inteiramente normal.
Onde há paixão, não há razão.
Kalil não escondeu a decepção nem a dor, mas suas palavras foram serenas e sensatas.
Contava-se como certo o atropelamento do Raja Casablanca, ou de que time viesse na semifinal, e depois uma encarada com raça e sangue nos olhos contra o Bayern.
Aconteceu o contrário: o Atlético foi atropelado pelo Raja Casablanca, sem exibir culpados na sua fracassa sina. O outro foi bem melhor, apenas isso.
Se houve decepção foi porque a mídia enalteceu em demasia a força lá de trás do Atlético, da época da Libertadores e se esqueceu de analisar com maiores detalhes, tática e individualmente, o Raja.

PELÉS E GÊNIOS

Se a dor, claro, ainda não passou pela queda precoce no Mundial de Clubes, Alexandre Kalil aceitou os rigores da frustração e prometeu um time mais humilde pra 2014, sem "Pelés e gênios".
Aí a coisa pega pela acusação difusa. Existem mais gênios, mais Pelés, ou algum jogador apenas imagina que esteja nessa lista, além de Ronaldinho Gaúcho?
Revendo o jogo em tape, não me parece que RG10, numa luta por vaga na Seleção de Felipão, tenha jogado apenas pra si.
Dentro dos seus limites atuais, aos 33 anos, foi o RG10, ou quase, do jogo contra o Vitória no Independência. Não fez dois gols, apenas um. Com incrível categoria.
Os demais, exceto Marcos Rocha, que se julga a reencarnação de Nelinho, Djalma Santos, Leandro, todos juntos, mostrou aquela faceta de "gênio" ao ser trocado por Luan. Saiu xingando todo mundo.
Victor não teve culpa nos gols. A zaga Léo Silva e Réver ratificou meu velho pensamento: é boa no alto e frágil, porque lenta, no chão.
Pierre não arma, só marca e dá chutões. Nos dois laterais, esteve o inferno atleticano: Marcos Rocha amarrado lá trás e tomando bola nas costas. Lucas se metendo a volante, na cobertura de Josué, e largando a lateral aos avanços do Raja.
Já no primeiro tempo esse erro foi visível. Josué marcava mal e tinha péssima saída de bola e as laterais do Galo, principalmente o lado esquerdo (Lucas) uma avenida.
Pode ser que Tardelli, após declarar a um jornalista paulista que foi o melhor jogador do Brasileiro e merecia chance na Seleção, quisesse provar isso sozinho.
 Esteve longe de RG10 e longe do seu próprio  futebol. Tardelli foi dispersivo: ensaiou demais e autuou mal.
Jô foi um poste no meio do forte sistema defensivo do Raja e acabou anulado. O trio longe um do outro - RG10, Jô e Tardelli - esqueceu-se de Fernandinho que, praticamente, lutou e morreu sozinho.
As mudanças vieram tarde e foram em momento de desespero. O jogo já tinha o domínio pleno do Raja que liquidou o Galo taticamente.

VITÓRIA VEIO DO BANCO

O treinador argelino do Raja Casablanca, Nabil Maaloul, está em Marrocos há apenas um mês e conseguiu fazer do seu time aquela máquina certa de jogar futebol sem grandes voos.
Perfeito nos contra-ataques puxados pelo número cinco Karrouchy pelo lado direito e o centroavante Iajuor pelo lado esquerdo.
Os dois laterais, El Hachimi e Benlamalen são ótimos, na marcação e na saída de bola.
Pep Guardiola, técnico do Bayern, estava nas cadeiras e viu tudo, como o Raja Casablanca desmantelou o time de Cuca. Sabe como neutralizar tudo e na decisão deste sábado a história, com certeza, será diferente. Mas o Raja Casablanca já escreveu sua história no Mundial de Clubes da Fifa.
ESTACA ZERO

 Na sua entrevista coletiva, o presidente do Atlético afirmou que não “é uma decepção ficar fora de uma final, mas perdemos para um time que jogou melhor do que o nosso. Teve muito choro no vestiário. Mas trazer um time para o Mundial não é a maior decepção. Mundial acontece isso, é um jogo. Aconteceu. Todo mundo agora mais humilde, porque fevereiro começa a Libertadores. Se tinha Pelé, gênio, não temos mais. É todo mundo voltar à estaca zero.”

ZEBRA DO VEXAME

Perder logo na estreia e pra “zebra” do torneio, por 3 a 1, placar que não deixa dúvida - não foi nenhum vexame na visão do presidente do Atlético.
Em Mundial não tem vexame. Estamos disputando um Mundial.”
“Foi o pior jogo do ano do Atlético, na minha opinião. Mas não quero transformar o ano de 2013 em tragédia. Eu normalmente peço desculpas para a torcida do Atlético. Em 2013, não tenho que pedir desculpa nenhuma
.”
Kalil vê o Galo inclusive forte para buscar o bicampeonato da Libertadores.
Sai do Mundial o favorito para conquistar o bi da Libertadores.”
Segundo Kalil, ter enfrentado uma equipe marroquina no Marrocos não estava nos planos:
 “A derrota é muito dura. Ela é proporcional à alegria de quando nos candidatamos a vir para cá. E demos o azar de pegar um time embalado em casa. Não viemos para jogar contra o time da casa, pois não tem jogo de ida e volta.”
Sem a partida de "volta em casa", novamente o time decepcionou longe de Belo Horizonte. Em 2013, o Galo mais uma vez foi "dono do terreiro" como mandante e presa fácil como visitante.( Superesportes)

MEU CORRESPONDENTE

"Flavio, apesar da feia sapatada que o Atlético levou do Raja, fiquei feliz por ter participado de um evento esportivo onde o que importava era o esporte, no caso futebol. Nunca vi antes uma partida de futebol com tanta gentileza entre torcedores adversários, antes e depois jogo. 
Que torcedor amável e gentil estava na entrada e saída do estádio!"
" Paravam a gente a todo momento para fazer fotos juntos, aplaudir os torcedores atleticanos e sempre pediam para trocar faixas, camisas e bandeiras.
Quantas vezes você viu isso nessa sua longa estrada esportiva? Foi uma aula de civilidade e educação esportiva. Mesmo se perdessem não fariam diferente".
A cabeça desse pessoal é diferente, pena não termos esse comportamento entre as torcidas desse Sucupirão. 
Papel feio fizeram os jogadores do Galo que não disseram jogando o que vieram fazer no Marrocos. Ninguém escapou.
Frustraram o grande número de torcedores que viajaram essa distância toda, apoiaram todo tempo e não viram os jogadores jogarem. A diretoria do Galo terá de reforçar muito a equipe para o próximo ano. . Ah! encontrei seu amigo Chico Maia".

A minha equipe de correspondentes que permanece em Marrakech tem Fábio Paceli Anselmo, seu filho Rodrigo e seu neto Pedrinho. 

Um comentário:

  1. A certeza não só puniu como cegou o Atlético, a ponto de se pensar que o óbvio, por si só, poderia fazer a diferença em campo. http://www.euvistoacamisadogalo.com.br/

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