segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

MENSAGEM DE FÉ PRA MASSA: OLHO NA HISTÓRIA E ACREDITAR SEMPRE


Meu primo Iraq Rodrigues, velho colaborador desta Trincheira, às vezes revisor, me manda mensagem, encaminhada de certa pessoa que o chama de "primo torto". Fiquei na dúvida: dele, Iraq, ou de mim?
Iraq e eu somos primos mesmo, primeiro grau. Sua mãe, tia Mariinha, era irmã de minha mãe, dona Geralda.
O texto é interessante e vem bem a propósito por causa da expectativa que todos vivemos ao lado do Atlético, às vésperas de enfrentar seu maior desafio: o Mundial Inter Clubes, no Marrocos, como representante da América do Sul.
Diz o " primo torto, - meu ou do Iraq, sei lá - que  "na semana passada, se não me engano, lançaram em BH o Audiolivro  "Eu Acreditei", nas vozes da Itatiaia. Conta a jornada épica do Galo na Libertadores.
Não ouvi ainda, mas confesso que talvez tenha sido o único atleticano que não acreditou. Há algum tempo que queria escrever sobre isto. Sobre me sentir um ET nesta avalanche de credulidade.
Então, aos amigos atleticanos, especialmente os que têm mais de 40, segue texto:

PARA AÍ. DÊ UM TEMPO.

"Trincheira:  antes eu gostaria de explicar, meu Bom, que não é do meu feito publicar cartas ou mensagens longas, ou comentário focando apenas um assunto.Gosto de diversificar.
Hoje, por exemplo, teria assunto de sobra, como aquela bagunça e bandidagem que as torcidas organizadas aprontaram fora do Mineirão, avacalhando a programação tão bem elaborada pelo meu amigo Marcone Barbosa, diretor de Marketing do Cruzeiro.
Visto que tenho recebido queixas equivocadas de minhas possíveis preferências na Trincheira pelo Cruzeiro, dedicarei este espaço total ao Galo".

EU NÃO ACREDITEI.
- Sérgio Domenici

"Pois é, ao contrário dos
milhões de atleticanos que jamais deixaram de acreditar, eu não acreditei que este dia chegaria. Havia acreditado em 77, como também tive certeza do título ao ver o Rei marcar pela segunda vez na final de 1980.
Acreditei na Libertadores com aquele time incrível de 1981 e também com a memorável campanha de 1987 quando então deixei de torcer pelo futebol para sempre, no momento em que perdíamos a Copa União por dois a zero.
Meu “para sempre” durou até Sérgio Araújo empatar em dois a dois. O João não fez a falta, sobrou a desolação.
Vi o Brasil em minhas mãos em 99 e em 2001. Vi o Galo se acabar nos anos que se sucederam, vi o Galo ser transformado em um, e não em uma América. Por isso deixei de acreditar".

PAIXÃO SEM MEDIDA

"Paixão não se mede, por mais que alguns queiram mostrar pro mundo que sim. Cada um se comove, se apaixona, vibra, sofre e comemora segundo seus próprios sentimentos. Uns mais, outros menos, cada um do seu jeito.
Muitos dirão que um atleticano não desiste, não se entrega, não se acovarda. Verdade verdadeira, jamais deixamos de torcer, aliás, nos últimos tempos, torcer é só que o que vínhamos fazendo, era só o que nos restava.
 Mineiros? Temos aos montes e isto não tem mais graça como não tem mais graça ganhar do time da Enseada das Garças.
Sofri todas as perdas como se tivessem tirado uma parte de mim, uma coisa desproporcional ao que pode significar futebol, mas é isso.
É o Galo, e por isso torcia, torcia sempre, meu pai torcia e está na minha essência, na essência de todo atleticano, coisa que torcedores do outro lado jamais entenderão.

ACREDITAR DÓI

"Um sentimento forjado no sofrimento, indissociável como a alma. Torcia, mas não acreditava mais, o acreditar dói, dói muito.
Mas aí veio a Libertadores, terreno inóspito e desconhecido. Somos pós graduados em ir bem no começo, de forma a encher de esperanças o coração do torcedor para, em seguida, cairmos de forma implacável nas mãos de um qualquer, como que rindo das nossas esperanças.
Se perdemos, esquecemos, ano que vem estaremos aí de novo, ou pelo menos na Copa do Brasil, para sermos retirados por qualquer Clube de segunda linha".

CHEIOS DE ORGULHO

"E lá fomos nós, melhor campanha na fase de classificação. Orgulho à parte e cenário completo, a peça está encenada e pronta para mais uma desilusão.
Ato contínuo, receberemos nosso time depois de um jogo épico, como guerreiros combalidos pela derrota e requintes de crueldade de um árbitro mal intencionado.
Receberemos o time ao som do hino, às 4 da manhã e a 40km do centro, lá nos Confins do Judas onde, ano após ano, voltamos para a mesma penitência.
O réquiem começou a entoar com a maior defesa de todos os tempos de um goleiro atleticano. São Vítor, super Vítor, deus Vítor. Um verdadeiro milagre atleticano.
Não comemorei, sorri com a ironia de Deus ao colocar aquele pé esquerdo no caminho da bola. Pé esquerdo tamanho 98. Foi lá São Vítor com visão celestial pular para o canto direito para enganar seu batedor.
Pobre Zé, achou que o caminho estava livre e chutou com raiva no meio do gol, chutou o seu próprio azar de ter perdido todo o jogo, chutou a taça. Não contava com aquele pé tinhoso, dissimulado, traiçoeiro, zombeteiro.
Pé que nasceu errado, nasceu esquerdo, não teve piedade do incrédulo batedor e mandou a bola pela lateral. Galo avança, avança para aumentar o sofrimento de todos. Não o meu, vacinado que estou.

E VEIO A FINAL

"Outros jogos, novas epopeias
e veio a final. De férias, não via televisão há mais de 10 dias, não via nada. Resolvi ligar a TV para saber se estava tudo certo para a hora da peleja. Jornal mostra BH e a festa atleticana antes do jogo.
Bastou para não pensar em mais nada. No jantar, piano ao fundo, o maestro tocava sem que eu pedisse, mas só pra mim, My Way.
Não, não seria naquele dia. Iria dormir e pensar: tá bom, chegamos até aqui. Família toda dormindo, sozinho não queria compartilhar nenhuma emoção, momento só meu. Lá vem São Vítor, segue gol do Jô, do Leonardo Silva e, com eles, a maldita esperança. Elias Kalil derruba Ferreyra.
De novo, não tem mais jeito, seremos campeões. Escalação do Galo para os pênaltis, na ordem: Cerezo, Ziza, Alves, Joãozinho Paulista e Márcio Paulada. João Leite no gol, no mesmo gol à direita das cabines.
Só os com mais de 40 entenderão isso.
Primeiro pênalti e, de novo, o pé esquerdo do João de Deus, protegido pelo São Vítor de Deus, chuta a bola para além das esperanças dos paraguaios. Tudo se repetindo. Momentos intermináveis, minutos que viraram 36 anos. Desta vez porém, Cerezo marca, seguido de Ziza e Alves. Joãozinho Paulista e Márcio, com a absolvição divina completam a catarse".
"Mesmo cego vi, naquele momento, um Sr. nas arquibancadas comemorando mais de 30 títulos roubados do Galo, vi o Rei, vi todas as gerações de jogadores do Galo alijados desta emoção. Vi torcedores, poucos talvez, que como eu não acreditavam mais, comemorarem o imponderável.
Vi os Cerezos, os Éder, Guilhermes e Marques, os Luizinhos, vi a Massa silenciando o mundo, vi o impossível, vi que podia acreditar. Todos estavam certos, menos eu. Ainda bem".



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