sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

MUNDO AFORA CONDENA RACISMO PERUANO COM TINGA E TIME TÁ AMEAÇADO DE ELIMINAÇAO


CARATINGA –  Estive fora do circuito durante os dois últimos dias. Cuidava da minha viagem pra Caratinga, onde estou curtindo minha filha Juliana, o genro Gustavo e as netinhas Luana, Sophia – aniversariante do dia – e a sapeca Stelinha de 10 meses. Me despertei  pro mundo presente e repercussão do caso Tinga, durante o jogo em Huancayo, no Peru, depois do telefonema de Orlando Augusto.

Orlando me ligou pra falar sobre o programa Jogada de Classe daquele dia. Orlando é daqueles profissionais zelosos, repórter que assume a notícia e não larga do pé dela. O caso de racismo envolvendo Tinga mexeu com ele, como mexeu com o mundo inteiro.  Só espero que exista punição devida aos intolerantes e racistas torcedores peruanos, ou do Real Garcilaso.

PERUANOS RACISTAS

Descobriu-se inclusive que os peruanos são contumazes agressores racistas dos equatorianos, por exemplo. Vivem com eles uma rivalidade histórica, mais ou menos parecida com a nossa com los Hermanos. 

O árbitro da partida, jovem de 33 anos, o venezuelano José Argote, considerado bom na visão de corporativista Márcio Resende, analista da Globo, não relatou na súmula os ataques racistas a Tinga.

O Tribunal Disciplinar da CONMEBOL, cujo presidente é o brasileiro Caio César Rocha, condenou a falha do árbitro, que inclusive é negro, e mandou abrir inquérito pra apurar o fato através das imagens da televisão. O regulamento da competição prevê até eliminação do time responsável pelos atos de sua torcida.

Este malcheiroso evento de Huancayo teve repercussão internacional. Joseph Blatter, presidente da FIFA, lamentou as manifestações racistas em países vizinhos e, praticamente, da mesma origem.

O presidente do Peru,  Ollanta Humala,  aproveitou a mídia internacional, esquecendo-se dos casos anteriores com o Equador, cujos jogadores são chamados frequentemente de "macacos" pelos peruanos, e jogou pro mundo antirracista.

Disse  que " um país tão diverso quanto o nosso e que fortalece sua identidade, com todas suas culturas, não deve admitir reações racistas de nenhum tipo. Expressões como as de ontem em uma partida de futebol devem originar indignação e impulsionar nossa luta contra todo tipo de discriminação". Da boca pra fora.

Aqui no Brasil o manifestante seria imediatamente preso em flagrante, sem direito a fiança, iria responder pesado processo na Justiça.

A presidenta Dilma, como milhões de outros indignados, usou o Twitter pra se solidarizar com Tinga e condenar as manifestações racistas. Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Rever, Alex Talento,  D'Alessandro,  e outros milhares de nomes famosos de todas as partes do mundo foram à imprensa condenar os peruanos.

 Os rivais de Minas também não ficaram distantes do acontecimento. O presidente Alexandre Kalil foi o primeiro a falar pelo Atlético, enquanto o América divulgava nota oficial solidarizando-se com Tinga. 

Ou seja, aquela torcida que foi apoiar Garcilaso, cuja maioria, talvez, nem seja do próprio time, campeão peruano, que atuou fora de Cuzco, sua cidade de origem, nem sabe o mal que causou ao próprio futebol local. As entidades têm jogado pesado contra as manifestações de racismo mundo afora.

TINGA NÃO MERECE

Por causa da idade, 36 anos, Tinga não é unanimidade na torcida cruzeirense. Contudo é no elenco do Cruzeiro e na Comissão Técnica. Sua liderança positiva, sua experiência, segundo Marcelo Pacote Oliveira contribuem decisivamente no andamento do time.  Tinga ficou abalado emocionalmente com  as agressões racistas dos peruanos.

Tinga já havia comentado na saída de campo, pela Rádio Itatiaia, que os atos de racismo o deixaram bem chateado.  "A gente  tenta esquecer ali dentro, tenta competir, mas  fica muito chateado de acontecer isso em pleno 2014, acontecer uma coisa dessa em um país tão perto da gente. Infelizmente aconteceu".

Aos 36 anos, o volante do Cruzeiro ressaltou que a atitude da torcida em Huancayo, no Peru, foi algo inédito em suas participações na Copa Libertadores. "Confesso que fiquei surpreso. Já é minha oitava Libertadores e nunca tinha acontecido isso. Fico bem chateado".

Se o presidente Alexandre Kalil já havia se manifestado, ontem os demais jogadores do Atlético deixaram a rivalidade de lado e se posicionaram. Para o capitão Réver, essas cenas dificilmente vão ter um fim com o passar dos anos. "Os torcedores têm de ir ao estádio para apoiar seu time, para festejar e não xingar jogador. É lamentável que isso aconteça. Mas infelizmente não vai acabar. Fico muito chateado por isso. Só posso lamentar esse gesto hostil que fizeram com o Tinga."

DESCULPA DO GARCILASO

 Goleiro do Real Garcilaso, Juan Pretel, também no Twitter,  reconheceu o erro dos torcedores e pediu desculpas em nome dos companheiros. "O racismo deve ser repudiado em todos os sentidos. Espero que não volte a acontecer em um estádio e muito menos no Peru. Perdoem amigos brasileiros",

Depois de toda manifestação de carinho e solidariedade que tem recebido, é importante que Tinga levante sua bandeira contra o racismo e não deixe de exibi-la aonde for jogar. O caso é inédito, creio,- apesar da informação de que os peruanos abusam dos equatorianos e, com certeza, recebem o troco em Quito, de repercussão no mundo inteiro.

As histórias semelhantes viam sempre da Europa pra cá, o que é normal diante das diferentes etnias que predominam nos países do Velho Mundo. Também existem os partidos neonazistas na Inglaterra, França, Holanda e Alemanha que não dão trégua à FIFA e as policiais nacionais.

Se a moda pega na América do Sul é uma cópia forjada da Europa, visto que os hispano-americanos e os afro americanos habitam todas as nossas regiões. Olham pro rabo alheio e se esquecem dos seus...

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