segunda-feira, 3 de março de 2014

ESTÁDIO CHEIO DE CLARÕES PRA VER AS ESTRELAS DE FELIPÃO JOGAREM.


O Soccer City, em Johannesburgo, África do Sul, nesta quarta-feira só encheria, de novo, seus 90 mil lugares, se Nelson Mandela estivesse vivo e comparecesse ao jogo, alquebrado pela idade e torturas nos 25 anos encarcerado na luta vitoriosa contra o apartheid.
Lotação total aconteceu em seu recente velório: lotação completa.
Calculam-se vários clarões nas arquibancadas nesta quarta-feira, dia do amistoso África do Sul e Brasil, o antepenúltimo dos tupiniquins até a lista definitiva de Luiz Scolari.
Também pudera: o soccer só foi o esporte a competir com o rúgbi, no qual os africanos têm título mundial,na Copa do Mundo de 2010, ganha pelos espanhóis.
Como fizera no Mundial de Rúgbi - lembram do filme "Invictus"? - Mandela convocou os compatriotas a darem uma nova visão ao mundo da África do Sul, longe da dominação europeia.
E olha que os preços são camaradas - 50 a 200 rands, ou R$ 11 a R$ 44 a pedido do governo. Esses preços, assustem-se, serão cobrados nos espaços Vips.
Ainda assim, até sábado, somente 40 mil ingressos foram vendidos. Os marqueteiros garantem que dependendo do ângulo em que se olhe.
Porém, será excelente público pro futebol num país que só registra casa quase cheia quando os rivais Orlando Pirates e Kaisers Chiefs se enfrentam no campeonato nacional.
Fora disso, a média não chega a 8 mil pessoas por jogo - o Soccer City pode receber até 90 mil torcedores.

OBJETIVOS DIFERENTES

Pro técnico de nosso escrete - Luiz Felipe Scolari -  o amistoso desta quarta-feira, em Johannesburgo, serve mais como oportunidade, pra ele reunir rapazes no processo de definição do grupo que disputará a Copa do Mundo.
Já pros sul-africanos, o jogo faz parte da comemoração dos 20 anos do fim do apartheid, o regime de segregação racial que assombrou o país por mais de quatro décadas.
Todavia pra uma pessoa em especial, o amistoso é prova de prestígio - e também aposta em dias mais tranquilos: Danny Jordaan, atual presidente da Federação Sul-Africana de Futebol (Safa, na sigla em inglês).
Jordaan ganhou espaço na cartolagem mundial após comandar o Comitê Organizador da Copa de 2010. É, inclusive, conselheiro na preparação do Mundial do Brasil.
Dentro de casa, porém, tá com o moral baixo. Assumiu a presidência da Safa prometendo fazer o futebol sul-africano crescer, mas parece perder a batalha.
O país tem grande afinidade com o rúgbi e o futebol não decola. Internamente, os campeonatos são fracos tecnicamente e atraem pouco público.
Vários estádios construídos ou reformados para a Copa tornaram-se elefantes brancos. Entre eles os imponentes Moses Mabhida, em Durban, o Green Point, na Cidade do Cabo. Por que não o próprio Soccer City,  que vive às moscas.
Passa a maior parte do tempo fechado e já recebeu até festas de casamento, em uma tentativa de gerar renda. Mas o estádio que fica na porta do bairro pobre de Soweto só costuma encher quando há um show musical - de artistas estrangeiros, bem entendido.
Se isso acontecer no Brasil, após a Copa, pobres Lula e Dilma! Enfrentariam CPIs convocadas por Aécio Never e suas crias. No entanto, ninguém se lembraria que foram Aécio e suas crias que construíram estádios monumentais, superfaturados, como caixa de campanha presidencial. Céus!

CLARÕES ENGANOSOS

O Soccer City deve registrar vários clarões nesta quarta, apesar de o preço dos ingressos ser bem camarada: de 50 a 200 rands, ou de R$ 11 a R$ 44, valor cobrado nos espaços Vips. Até sábado apenas 40 mil bilhetes haviam sido vendidos.
Dependendo do ângulo que se olhe, porém, será um excelente público para o futebol em um país que só registra casa cheia quando os rivais Orlando Pirates e Kaisers Chiefs se enfrentam. Fora disso, a média não chega a 8 mil pessoas por jogo - o Soccer City pode receber até 90 mil torcedores.
A falta de dinheiro reflete na seleção sul-africana, dentro e fora de campo. A imprensa local tem noticiado que o atual técnico dos Bafanas, Gordon Igesund, só é mantido no cargo porque não há recursos pra pagar a rescisão de seu contrato.

CAPITALIZAR PRESTÍGIO

Danny Jordaan, porém
, só se interessa em capitalizar com a presença da seleção brasileira.
"Vamos receber a seleção que vai sediar a Copa do Mundo com uma série de estrelas, que estão trabalhando na Europa em times como Barcelona, Real Madrid, Chelsea e Paris Saint-Germain, só para citar alguns", disse ao site da Safa na tentativa de promover o amistoso.
"Você nunca vai ter outra oportunidade como esta se não comprar o seu bilhete a tempo".
O jogo entre Brasil e África do Sul também servirá pra que se rendam homenagens a Nelson Mandela, justamente quem assumiu a presidência em 1994, concretizando o fim do apartheid, e que morreu em 5 de dezembro passado, aos 95 anos.
"Esta é uma ocasião especial, que deve ser comemorada por todos os sul-africanos. Devemos também aproveitar esta ocasião para celebrar o nosso pai da nação, o legado que Nelson Mandela nos deixou".
Foi o discurso de Nomvula Mokonyane, governador da província de Gauteng, onde fica Johannesburgo.
Da seleção dos Bafanas ninguém fala. Após disputar a Copa de 2010 por ter sido anfitriã, a África do Sul não passou nem perto da classificação pro Mundial do Brasil. O time é fraco e, pra piorar, alguns jogadores convocados estão sem clube. (Agência Estado)



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