domingo, 27 de abril de 2014

AMÉRICA GOLEIA CEARÁ EM HOMENAGEM AO GENIAL AFO, OUTRO DE SEUS IMORTAIS TORCEDORES


Não cheguei a trabalhar com Afo nos Diários Associados. Quando ele chegou, em 84, eu já tinha ido pra Rádio Capital em 82. Convivi,entretanto, nas nossas correrias, momentos raros e deliciosos com ele e suas tiras, que eu me informara eram criadas numa rapidez incrível. Tornei-me tiete de Afo e me sosseguei apenas quando o conheci pessoalmente no Mineirão. Gente fina demais!

No entanto, a minha homenagem a este grande jornalista, que, como tantos outros dos meus saudosos tempos, mudaram pra andar de cima prematuramente, peço permissão pra fazer meu o texto do obituário dele, publicado no Superesportes e assinado por Renan Damasceno, do Estado de Minas:

"Se viver é desenhar sem borracha, como definiu Millôr Fernandes, o mineiro Afonso Celso Duarte, o Afo, soube como poucos traduzir a vida e os pormenores do cotidiano em traços precisos. Chargista diário do caderno Superesportes do Estado de Minas há 30 anos, conhecido pelo humor inteligente e ácido – mas sempre respeitoso e cordial –, ele faleceu ontem, aos 72 anos, de síndrome hepatorrenal, em decorrência de hepatite C. O sepultamento ocorreu no cemitério Parque da Colina, na Região Oeste da capital. Afo deixou dois filhos: Guilherme, de 34 anos, e Leonardo, de 38".

"Nascido em Araguari, no Triângulo Mineiro, em 3 de agosto de 1942, Afo se dedicava diariamente ao ofício. Acordava cedo e lia todo o jornal em busca de inspiração para a próxima tirinha, em seu home-office, no Bairro Cidade Nova, Região Nordeste da capital. "Era uma dedicação religiosa", lembra o filho Guilherme, que define o pai como uma pessoa espirituosa, inteligente e de conversa agradável". 
     
"Talentoso e perspicaz, Afo não completou o ensino médio e especializou-se como publicitário e designer pela experiência em gráficas e redações de jornais. O primeiro emprego em periódicos foi em O Diário, no fim da década de 1960, e, em seguida, foi para o Diário de Minas. Nos anos 1970, ao lado de chargistas como Lor e Aroeira, foi colaborador do Humordaz, que começou nas páginas do Estado de Minas e se tornou um dos almanaques de humor de maior sucesso da época".

"A primeira charge em Esportes foi publicada em 25/7/1984, às vésperas de um Cruzeiro e Atlético. Nas três décadas seguintes publicou, diária e religiosamente, a tirinha que tratava do esporte mineiro, sobretudo do dia a dia de Atlético, Cruzeiro e América – seu time do coração. Atletas e até alguns dirigentes – como o ex-presidente do Atlético Ziza Valadares – eram colecionadores da obra do cartunista. Não faltavam também homenagens e lembranças aos repórteres e amigos. Ao chegar à redação, sempre saudava todos com a tradicional pergunta: "E como está o vestiário da alegria?".

"Por volta de 2000, em exame de rotina, descobriu que portava hepatite C, contraída em transfusão de sangue, quando tratava de pneumonia no pulmão direito. A última década foi de cuidados médicos e, nos últimos anos, rarearam-se as visitas à redação. Há três semanas, deixou de se dedicar às tirinhas para cuidar da saúde. Faleceu, às vésperas de completar 30 anos na função e de sua oitava Copa do Mundo como chargista do Superesportes".

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