segunda-feira, 28 de abril de 2014

LEVIR ACOSTUMOU-SE DEMAIS COM JAPÃO, ONDE TUDO É IGUAL E DIZ QUE RG-10 NÃO É DIFERENTE DE NENHUM OUTRO JOGADOR

                        Levir acostumou com o Japão e vê todo jogador aqui igual. Até o genial RG-10
                         (fotos Vinicius Costa - Ag.Previw/Estadão)


No palco das operações táticas, como gostam de afirmar generais e comandantes militares durante uma guerra, tomando por base o jogo Grêmio 2 x Atlético 1, na Arena de Porto Alegre - lembrando que os adversários gaúchos eram cadetes, enquanto o Galo jogava com a maioria oficiais e praças experientes - o marechal (figura apagada atualmente na hierarquia militar) Levir Culpi estarreceu-se com as atuações de dois dos seus principais coronéis: Ronaldinho Gaúcho e Diego Tardelli.
Não existe novidade alguma nesse aspecto. Paulo Autuori, também, estava estarrecido e, segundo soube este filho de Dona Geralda, numa de suas idas ao Mercado Central pra comprar goiabinhas vermelhas, se dispunha a sacá-los da equipe. A primeira reação teria sido de RG-10, que estrilou via seu irmão Assis. A turma do marketing, também, chiou face aos contratos já assinados, e que exigem RG-10 titular, exceto em caso de contusão.

De Belo Horizonte, logo após a derrota com aquela atuação vergonhosa, o presidente Alexandre Kalil prevendo água no motor do trator atleticano, tratou logo de recomendar ao diretor Eduardo Maluf que dispensasse, por lá mesmo, o técnico. Levir Culpi chegou com o respaldo de Kalil, observou bem o time na derrota pro Grêmio e mandou seu recado: " titular que não fizer dever de casa e tirar nota ruim nos treinos e nos jogos, independentemente da fama, vai pro banco". Recado dirigido diretamente pra RG-10 e Tardelli.

No caso dos dois, Levir contemporizou ao afirmar que ambos estão fora de suas condições físicas, em razão de problemas médicos. As chances de titularidade aumentaram para Guilherme e Marion. Também nada de anormal ou surpreendente nessa possibilidade dos meninos assumirem as posições das estrelas. Nos jogos em que Guilherme e Marion entraram com a bola em jogo, substituindo as feras combalidas, o Atlético cresceu em campo. Não foi assim em Porto Alegre e o time chegou a fazer seu gol e quase marcou o de empate?

Surpreendentes são os acontecimentos. Autuori caiu, segundo as más línguas, porque queria barrar Ronaldinho e Tardelli, apoiando-se num coro dos torcedores. Entretanto, Levir Culpi - e tem enorme cartaz com a torcida e com a cartolagem do Galo, especificamente com Urso Bravo - já anunciou a possibilidade da troca de duplas - RG-10 e Tardelli por Guilherme e Marion - e o rio continuou no seu curso normal, águas cristalinas e mansas.

NÚMEROS NÃO JOGAM

Se o númerologista e treinador Levir Culpi nos permite especular que as estrelas correm risco de virarem bancários, sem consideração ao passado, fama e cartaz que tenham com a Massa, poderá liberar-nos, também, pra não concordar com a bobagem de que o escaute pessoal de cada atleta é que define sua condição de titular.

Disse ele aos meus coleguinhas setoristas: "“Tirar o Ronaldinho para mim é como tirar qualquer jogador. Fiz uma palestra rápida com eles e falei que jogador é número. Quantos chutes, passes, gols, assistências... O melhor jogador está dentro da estatística". Que Levir perdoe a ousadia deste ex-beque de espera do EC Caratinga, Rodoviário e América FC: conversa fiada.

Vivo no futebol há 60 anos, tempo suficiente pra aprender que nenhum jogador é igual ao outro. Estatísticas existem pra turma dos operários da bola. Outros treinadores, em épocas mais difíceis, chegaram, também, a falar essa coisa: tirar Pelé, Tostão, Garrincha, Reinaldo, Dirceu Lopes, Ronaldo Fenômeno, Romário, do time é como tirar qualquer jogador".

O período de Levir Culpi no Japão não foi, então, legal pra ele. Lá sim,  tudo é igual. Não tem aquela máxima: "é tudo japonês..." Aqui não. O que se tem de fazer é dar motivação ao genial Ronaldinho Gaúcho, eleito em outras situações o melhor jogador do mundo; recuperar sua alegria de jogar e sua autoestima, em cima daquela manifestação espetacular do povo de Medellín outra dia mesmo, cercando o craque de carinho e atenção.

RG-10 não é número, p. nenhuma, Sr. Levir. É um cracaço; bem ou mal, é um cracaço. O que acontece na cabeça dos treinadores é que gostam de times marcadores, com o gênio dando carrinho no meio-campo. Quando sugeri aqui, o time do meio-campo pra frente com apenas um volante - que seja o brucutu Pierre - ao lado de Guilherme e Tardelli, mais RG-10 livre, e saindo pelos lados, com Jô na frente, não foram números que me orientam. É a vivência.

Direis: onde está a marcação, com apenas um volante? Numa outra linha de combate, mas que saiba jogar bola - Marcos Rocha pelo lado direito e Dátolo pelo lado esquerdo ( confesso que não gostei do jeitão do Emerson Conceição). Uma linha de três beques: Otamendi, Rever e Léo Silva.

Direis outra vez: tá muito ofensivo. Venha com esse time contra o meu, em 10 partidas, que venço todas elas. Conversa fiada! Esta equipe terá os três beques, mais o volante único e os dois falsos laterais pra cobrirem o meio e a entrada da área, além de fechar os lados do campo. Some-se a isso que será uma equipe veloz (como na boa fase de Cuca), de bom toque de bola, com capacidade de chutes à média distância e sem nenhum "poste" no meio dos beques adversários.

Segundo o professor Levir Culpi, "quem acompanha o basquete americano, por exemplo, sabe que o melhor jogador deles é o que mais cesta, dá mais assistência". Esqueceu-se dos que pegam rebotes, armam contra-ataques e marcam bem. Basquete ao contrário do futebol é marcação. Mentalidade que não coaduna com o futebol de time grande.

Este recado que Levir mandou pro Ronaldinho de que ele  tá sujeito à mesma cobrança que demais jogadores do elenco, faz-me rir. Lógico que do jeito que tem jogado é que não pode ser. Cabe, conforme falei, a Levir recuperá-lo numa função tática que explore o talento dele, e não o obrigue ser igual aos outros. Porque isso ele não é mesmo!


Eis o ridículo recado: “Então é isso: tem que ficar num número alto de aproveitamento. Se não, não fica no time. Não importa se é o Ronaldinho ou menino do júnior. O jogador tem que ter um número considerável de números favoráveis para se manter no time, e isso serve para qualquer um”. Então, meu caro Kalil, ofereça ao RG-10 o que ganha um menino do júnior. 

Um comentário:

  1. Pelo visto não entendeu o Levir?
    Ele disse que as outras funções não são importantes? Apenas disse que quer os melhores que tem nas funções que o time precisa....

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