sexta-feira, 27 de junho de 2014


NO MINEIRÃO, EU NÃO VOU. NUM CINEMA, TALVEZ. POR FAVOR, ME DÊEM A BOA NOTÍCIA DEPOIS, DEVAGARINHO.

Minha vontade é de me esconder num cinema e ao sair perguntar: "Quanto foi o jogo, por favor?" E que ninguém me responda de supetão: "Brasil (ou Chile) venceu!". Que faça que nem na história do cara que foi avisar ao amigo a morte da mãe: "sua mãe, sabe, subiu no telhado esta manhã". E por aí vai, já que a piada é mais velha que o rascunho da Bíblia.
Tirante as decisões de 58 e 62 que acompanhei pelo rádio e escolhendo o narrador que fizesse menos barulho, passando pelo vexame de 66, no qual fiz rádio-escuta pro Diário de Minas, as demais copas, até 78 acompanhei pela televisão.
Em 78, eu estava lá e conferi o título moral com tremenda raiva dos peruanos que entregaram o jogo para os argentinos. Em 82, após a derrocada pra Itália no Estádio Sarriá, tomei inqualificável porrete e só fui deixar a ficha cair curada a ressaca. Idêntica medida tomei em 86 no Estádio Jalisco, em Guadalajara, abraçado à uma garrafa de tequila.
Em 90, eu estava em Caratinga, com minha saudosa dona Geralda, na casa da Tia Anita,  quando a Argentina fez o gol que nos tirou da competição. Não tive qualquer reação visto não confiar nada naquela seleção de brucutus.
Em 94, outro fato interessante me passa pela memória. Juntamos uma turma boa de parentes e fomos acompanhar Brasil e Itália na cobertura do Adilson Quintela e sua Isabel. Mesa cheia, bebidas à vontade. Na hora da cobrança dos pênaltis, eu sentado numa cadeira de praia, pra lá de Marrakesch, não fiz a contagem.
Quando a Itália chutou pra fora e todos começaram a pular, eu gritei: "Peraí, gente, falta um ainda". Então um dos meus filhos me alertou: "Acabou pai, somos tetracampeões".  Como todo mundo dançava e vibrava, ainda que meio desconfiado, entrei na onda: "Brasil, Brasil, tetracampeão".
No momento, tenho o gostinho amargo de 1950 na garganta, embora nesta copa eu tivesse apenas 7 anos e futebol, ainda, não era uma das minhas prioridades. Aos 70 anos, com a Copa de novo sendo disputada no Brasil, cercada de maldades, previsões grotescas, politicagem oposicionista suja, e tantas outras coisas, vejo-me num ambiente diferente daquele de 50 quando o País todo torcia pela Seleção e o Maracanã recebeu 200 mil pessoas. A certeza da conquista era tanta que o País entrou numa depressão danada. Só quem a viveu sabe informar.

A diferença agora é que me vejo num ambiente meio dividido entre o Bem e o Mal. O Mal armazenou foguetes e engrossa as fileiras da torcida chilena. Uma parcela talvez pequena mas barulhenta porque se esconde atrás da mídia reacionária, que já satisfeita com o sucesso do evento, no qual, na realidade,  não acreditava e  procurava denegrir, subliminarmente, pelos interesses próprios, cruza os dedos pelo anseio de ver a Seleção fora já nas oitavas de final. Santa Maria do Céu. Tal desastre seria pior que o de 50, pois atrás da pura depressão da derrota inesperada viria o tsunami das acusações indevidas, dos recalques oprimidos, e a baixaria da campanha política residual e virtual do Mal.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Escolha a melhor forma de se identificar em Comentar como: Depois pitaque à vontade.