quinta-feira, 5 de junho de 2014

QUE O SOBRENATURAL DE ALMEIDA ESTEJA DO NOSSO LADO...

 Sem contar com o amistoso desta sexta-feira contra a Sérvia, no Morumbi, a análise que qualquer um fizer em cima de fatos atuais, após a goleada e a apresentação da Seleção de Felipão contra o Panamá, será conclusiva em favor dos otimistas de plantão. O próprio companheiro Chico Maia, veterano - apesar de jovem - nas coberturas de Copas do Mundo caiu no perigoso exercício da adivinhação ao escrever na sua intrépida coluna que "apenas o Sobrenatural de Almeida tira o título do Brasil". Perigosa, bem perigosa, tal afirmação.
Trago dentro de mim a decepção de três Copas Mundiais e um Mundialito no Uruguai, quando assisti o Brasil perder títulos ganhos por antecipação, com um escrete absolutamente capaz, e de treinador imortalizado apesar das derrotas, Telê Santana. A primeira, fomos campeões morais, justo porque o Sobrenatural de Almeida agiu contra a gente e em favor da Argentina, nos subterrâneos da sujeiras políticas. Confesso que a ação da Ditadura Militar Argentina, em conluio com a sua parceira Chilena,  não me afetou em nada. porque em 1962, sem ditaduras por aqui e alhures, ganhamos de presente a Copa do Mundo no Chile. Nossa Seleção era velha, malandra e cheia de craques. Mas vencemos graças á malandragem dos cartolas.
No jogo contra os espanhóis, era pra gente ser despachado de volta, não fossem os dois passos de Nilton Santos pra frente, no momento em que fez um pênalti e perdíamos por 1 a 0. Seus passos não o tiraram de cima da linha, no entanto o árbitro peruano deu fora da área. Na cobrança da falta, bola na área, e Puskas, naturalizado espanhol, marcou um belo tento de bicicleta. Anulado. Por que? Jogo perigoso? Não havia nenhum brasileiro por perto. Impedimento? Também não, dois zagueiros mais Gilmar davam-lhe condições. Perigo de gol? Ah! esse sim. O Brasil acabou virando e despachando a Espanha.
Na semifinal, outro escândalo. Garrincha foi expulso. Injustamente, é verdade. Mas foi expulso e estaria fora da final. Os cartolas arrumaram um jeito da Seleção ter em campo o extraordinário ponta até ali o melhor jogador da Copa. Sumiram com o árbitro do jogo, que foi visto depois em Paris, passeando com a família - e há quem diga com as despesas por conta da CBD (na época era CBD) - e Garrincha foi julgado às pressas e absolvido por falta de súmula e de provas. Jogou a final e fomos bicampeões.
Vale dizer que o Sobrenatural de Almeida aparece sim, conforme afirmou o Chico Maia. Apareceu em 1938, na Itália, quando Mussolini exigiu que sua Seleção fosse campeã - e o Brasil se lascou por isso, com uma boa Seleção - e a Áustria, então a melhor equipe do mundo, também danou-se. Como a Hungria em 54, diante da Alemanha, a quem vencera por 8 a 0 na primeira fase e perdeu por 4 a 2 nas finais. Só não houve Sobrenatural de Almeida a nosso favor no Maracanazzo. Funcionou, como deve funcionar, em favor dos uruguaios: com pura lisura.

Assisti quase todos os amistosos desta semana e o Brasil foi o melhor. Porém, não tiro conclusões apressadas, apesar dos problemas que outros times favoritos - exceto a Argentina - tiveram. Na hora do vamos ver é que a coisa conta. Estou já com receio de nossa partida de estreia contra a Croácia, em São Paulo. O time deles é bom, tem bons jogadores e um estilo bem parecido com o nosso. O México, também, dá um friozinho na barriga, mesmo numa fase ruim. Tem sido uma espinha em nossa garganta. Camarões, ah Camarões! Prefiro tê-lo como grande surpresa da Copa, segundo na nossa chave. 

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