quinta-feira, 3 de julho de 2014

MINHA BOLA DE CRISTAL PISCOU DE MADRUGADA PRA INFORMAR: BRASIL NÃO FICA NA COLÔMBIA E CHEGARÁ AO MARACANÃ (


( DIRETO DA REPÚBLICA INDEPENDENTE DO SÃO JOÃO DO CARATINGA) Desencarrilhou o trem do pessimismo ao passar no quintal da minha casa. Na rua  da Esperança, número 100. Os bocas azedas, os seca-pimenteiras, os azarões e profetas do apocalipse rolaram barranco afora, naquele mutirão de ferros retorcidos. Foi um bom sonho. Não tive nenhum pesadelo. Até me vi trepado num pé de goiabinhas vermelhas, assistindo aquele tumulto todo e ria, ria, ria de me dobrar.  Aí então surgiu a Fada do Bem e avisou ao aflito coração que trepidava antes no meu peito: "nada de sofrer antes da hora, portanto te aviso logo. Apesar do Felipão, o Brasil vence a Colômbia, sem sofrimento e felizes vamos todos às quartas, depois às semi até chegar ao Maracanã".
Minha intuição não falha, eu garanto. Falha quase sempre o meu palpite súbito, sem consultar minha Mãe Dinah, meu Santinho Padre Cícero, meus caboclos do terreiro de Lagoa Santa, minha Santa Maria do Céu, meus Deuses do futebol e caboclinho Tonico de Ibirité.  Triscou minha bola de cristal, estou acobertado, até porque dentro delas os cursos dos rios, as marés, a lua cheia, o sol brilhante das manhãs,  as noites estreladas e a Estrela Dalva,  estão no rumo certo, sempre.  Nenhum faz curva desnecessária, ou brilha ofuscada, ou manda raios fortes demais que queimem e maltratem.  Piscou minha bola de cristal, a felicidade vem larga, fecunda e profunda. Brasil hexa. Seleção mandona. Pelé maior mil vezes que Maradona...
Sabem por que eu decidi acreditar de vez na minha intuição e nos meus inexistentes santos de terreiro? Porque é preferível acreditar neles e na força de suas supostas intervenções  do que acreditar na realidade de Felipão. Ele brinca com a gente da imprensa e automaticamente zoa com a torcida. Faz de conta que ele nem existe e que não ta ali no banco de reservas, cheio de caras e bocas de frente pras câmaras de tevê. Nunca precisamos temer a Colômbia, sempre um bom freguês que manteve seus pagamentos em dia. Por que temer agora? Não estou descrente. Do meu pé de goiabinhas vermelhas, no quintal da minha rua, ex-rua das Flores, no meu sonho Rua da Esperança, na Caratinga, Cidade Esperança, EU ACREDITO...
TOTONHO, MEU ÍDOLO
Totonho era zagueirão do América FC de Caratinga nos meus tempos de criança. Pra mim, torcedor do EC Caratinga, o xerifão estava no time errado. Paciência! Eu gostaria um dia de jogar que nem ele. Pau puro. Centroavante nenhum cantava de galo na sua área. A camisa vermelha do América, que um dia vesti e joguei na mesma posição de Totonho, sem, contudo, com a mesma capacidade e sem botar terror nos olhos dos atacantes adversários, se ensopava de suor, o que dava a ela a aparência de que Totonho transpirava sangue.
Me encontrei com o Totonho após a Missa de Sétimo Dia pela intenção da alma do meu amigo e cunhado Sebastião Bomfim, na porta da Catedral. Tatão, na época de Totonho, era valoroso e guerreiro  zagueiro central do Botafogo de Inhapim. Portanto, ferrenho rival dos dois times de Caratinga. Quando se encontra com alguns deles, saía até fumaça; Tatão de um lado, Totonho do outro. Agora a elegância é a de sempre. Corpo enxuto, roupas sob medidas, Totonho, com se precisasse, pediu ajuda ao jornalista Humberto Luíz, nossa imbatível fera das penas e das máquinas de escrever.  Tinha um pedido humano pra fazer. Em Caratinga, imaginam que eu tenha força suficiente pra mover o País.  O pedido de Totonho é  pra lá de justo.
Ele quer ver uma criança da sua cor entrar de mãos dadas com os craques nesta Copa. E me pergunta: por que desta discriminação? Realmente, isso não é padrão Fifa. Ela manda entrar faixas combatendo a discriminação racial, porém num País como o nosso, com  3,5 milhões de negros e pardos, não escala nenhuma criança de cor pra entrar mão dada com Neymar, ou Messi, ou Etoo, ou qualquer outro craque, seja da Costa Rica, fosse da Argélia, ou de Camarões.  Tá certo isso?

Então, sem poder responder ao Totonho, me penitenciei em nome da crônica brasileira, dos organizadores da Copa, enfim dos responsáveis por tal discriminação na esperança que os grandes nome da Imprensa nacional comprem esta briga. De imediato, prometi que convocaria todos eles a uma reflexão, ou meã culpa, antes do fim da Copa.  O becão Totonho acertou mais uma vez. Limpou a área e fará muita gente chegar ao seu devido espaço.

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