quinta-feira, 17 de julho de 2014


MORREU ARMANDO MARQUES, AQUELE QUE TIROU TÍTULO BRASILEIRO DO CRUZEIRO EM 1974


Se eu fosse contar as proezas que se tornaram lendas ou são verdades imortais de Armando Marques daria um livro épico de umas 500 páginas. O lendário Nilton Santos, cavalheiro no gramado e fora dele, pessoa séria e honrada, guardava mágoa tão profunda de Armando que o expulsou tolamente certa vez, apenas pra ser a personagem do jogo, que prometeu dar um sopapo no apitador antes de encerrar sua carreira. Não deu. O corretivo veio depois, com Nilton Santos já fora dos gramados e exercendo a função de supervisor do Botafogo.
Armando aprontava das suas no gramado do Maracanã, num clássico que não me lembro mais qual era, e ao terminar a partida se encaminhou pros vestiários naquela sua corridinha saltitante. Antes de pegar a escadaria do túnel, Nilton Santos lhe surgiu à frente e botou-o rolando escada abaixo com um potente cruzado de direita no pé do ouvido. De imediato, tomou o rumo da saída do Maracanã, e mudou-se do Rio de Janeiro. Foi morar em Brasília. Só retornou à sua casinha na Ilha do Governador já doente e aposentado.
Com Pelé, a história foi diferente. Fui ao Maracanã certa vez, quando passeava no Rio de Janeiro, a convite do meu amigo José Chaves, ex-presidente do Pouso Alegre, e ex-comerciante em Caratinga. O jogo era Botafogo e Santos. Prometia muito. Decisão da Taça Brasil. Garrincha de um lado, Pelé do outro e marcado por Nilton Santos que deixara a lateral esquerda pra jogar de quarto zagueiro.  Com 30m de jogo, Pelé e Armandinho discutiram. O árbitro expulsou o Rei. Pelé disse antes da expulsão "Tá querendo mesmo aparecer em cima de mim, né seu Viadinho". Armando respondeu: "Viado lá fora, aqui dentro sou macho pacas. Fora, Fora ", e de dedo em riste, sua característica, mandou o Rei pro chuveiro.
Já contei aqui que fui expulso, também, pelo Armando Marques. Jogo Cruzeiro e Santos, no Mineirão, decisão da Taça Brasil de 1966. Eu era um jovem repórter, daqueles que ficam atrás do gol, encantado com a arte do futebol. O narrador., saudoso Jota Júnior, o locutor do "Vai buscar lá dentro...." em cima do lance descrevia: "Bola com Natal, Natal pra Tostão,. Tostão a Evaldo, Evaldo pra Dirceu Lopes, meu Deus, este time jogar por música, dó-ré-mi-fá a bola chega a Natal que chuta cruzado..Goool, Goool do Cruzeiro...." A rapaziada, todos meus amigos, veio comemorar perto de mim. Aquela montanha. Não resisti, larguei o fone, microfone e tudo prá trás e pulei no bolo. Aí  me lembrei que seria eu o repórter pra confirmar o lance. Quando voltei e pus o fone, o Jota já gritava.."Vai buscar lá dentro, Gilmar". Fiz a minha fala e ao levantar a cabeça ali estava ele: Armando Marques, de dedo em riste e gritando: "Fora, fora, fora". Ao que respondi: "Fora, quem vai me tirar?". Pronto, parei o jogo. Mineirão cheio. Falei no ar: Jota, estou sendo expulso pelo juiz. Jota narrou: Céus, meu repórter tá sendo expulso. Aí Cármine Furletti me chamou  e sugeriu que eu ficasse ao lado dele, no túnel, de onde assisti o resto da partida.

TIROU TÍTULO DO CRUZEIRO

( Superesportes) Armando Nunes Castanheira da Rosa Marques atuou em 12 finais de Campeonatos Brasileiros (1962, 63, 64, 65, 66, 67, 68, 69, 70, 71, 73 e 74). Ficou conhecido por suas arbitragens polêmicas. Uma de suas atuações mais controversas foi na decisão do Brasileirão de 1974, entre Vasco e Cruzeiro.
Na ocasião, mineiros e cariocas decidiram o Nacional no Maracanã. Aos 14 minutos de jogo, Ademir abriu o placar para o time da casa. O Vasco ainda teve um gol anulado por impedimento. Melhor na segunda etapa, o Cruzeiro empatou com Nelinho, aos 14 minutos. Mas, aos 33, Jorginho Carvoeiro desempatou.
Zé Carlos chegou a marcar de cabeça para o Cruzeiro, mas Armando Marques, por motivo misterioso, que nem o próprio sabia ou queria explicar, anulou o gol. O ex-meio-campo recebeu cruzamento da direita, em posição legal. Na jogada vista em vídeo, não há nenhuma possível irregularidade. Em entrevista ao Superesportes em 2012, disse não se lembrar do lance. “Já apitei mais de mil partidas. Você acha que eu vou lembrar de um jogo em 1974?”, esquivou-se.

LEONARDO FOI MESMO CHUTAÇO PRA FORA. NOVO COORDENADOR DA SELEÇÃO É GILMAR RINALDI










Alexandre Gallo, das divisões de base; José Marin, presidente atual; Gilmar Rinaldi, novo coordenador, e Del Nero, presidente eleito da CBF. Foto Ricardo Stuckert

Sei não, viu meu Bom, mas cada dia mais aumenta minha descrença quanto ao rumo da Seleção Brasileira enquanto essa turma aí estiver no poder. O presidente atual, José Maria Marin, que não saiu ainda não sei porquê, anunciou o empresário de jogador, Gilmar Rinaldi, ex-goleiro de um punhado de times, inclusive do próprio escrete, para o lugar de Carlos Alberto Parreira. Com o devido respeito, mas o Parreira é profissional respeitado no mundo inteiro, por sua competência e decência. Não sei como será Rinaldi, mas duvido que seja tão competente quanto Parreira.
Segundo Marin, a escolha foi feita de acordo com o futuro presidente da entidade, Marco Polo Del Nero. Gilmar Rinaldi, empurrado contra a parede pelos coleguinhas presentes à coletiva, garantiu que não atua mais como empresário de jogadores, o que, certamente, geraria enorme conflito de interesses. - Quero deixar bem claro que a atividade que exerci por 14 anos não exerço mais. Minha atividade agora será apenas a Seleção Brasileira". Tomara!
No quesito novo treinador, Gilmar informou que ele será escolhido entre os dirigentes de comum acordo com ele. E que pretende viajar com o novo técnico em busca de outras informações, além daquelas colhidas na Copa do Mundo no Brasil, porque um novo tempo será implantado na CBF.
Gilmar jogou pelo Internacional, São Paulo, Flamengo e o japonês Cerezo Osaka, além de integrar o elenco tetracampeão mundial em 1994 como terceiro goleiro.




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