segunda-feira, 29 de setembro de 2014

MINISTÉRIO PÚBLICO CONTRA-ATACA E SUSPENDE ORGANIZADAS DE ATLETICO E CRUZEIRO POR SEIS MESES (Flávio Anselmo 29-9-14)



PELO MEU GOSTO O BANIMENTO das torcidas organizadas deveria ser uma medida legal, votada no Congresso Nacional e com sanção da Presidência da República. Só que o pessoal lá de cima tem medo de que tais decisões acabem no Supremo Tribunal Federal por ferir algum direito do cidadão previsto na Constituição Federal. Duvido. A nossa carta máxima protege o cidadão contra medidas que privem seus direitos individuais, sem que haja um processo legal, com ampla defesa. No caso das organizadas, não é tirado o direito do cidadão de Bem se reunir. Eles se reúnem, mas quando estas associações transformam-se em quadrilhas de vândalos e assassinos não existe nenhuma cobertura constitucional.
ESSAS ORGANIZADAS há anos, desde quando foram inventadas, não se sabe por quem, mascararam-se de entidades filantrópicas, ou transformaram-se em entidades secretas, sem donos, perigosas e vivendo longe do alcance da lei. Foi preciso que cometessem vários desatinos, mortes, atos de vandalismo praquê a sociedade tomasse providência através de seus órgãos de representação: a mídia, que os denunciou; o Ministério Público que despertou do seu marasmo e a Justiça morosa que resolveu caminhar, lentamente, alguns passos.
SÓ SÓCIOS TORCEDORES - É preciso que a ação da Justiça ande mais depressa.  Que puna os culpados e pregue suas caras na Imprensa, pra mostrá-los à sociedade e pra que ela se livre deles. Os acontecimentos do último Atlético e Cruzeiro criam uma expectativa de punição apenas para os clubes, os menos culpados na história. Já fizeram de tudo, inclusive com grandes perdas financeiras pra se livrarem deste câncer.
A melhor sugestão esta Trincheira tenha dado outro dia: não se vender mais ingressos nas bilheterias nem anonimamente. Torcedor que quiser ingresso pra qualquer jogo terá de apresentar carteirinha de sócio-torcedor, fichado no clube, com setor estabelecido no ingressos, sem poder mudar de lugar. Melhor, ainda, que na entrada apresente sua carteira de identidade que será cadastrada num desses aparelhos que usam nos aeroportos.
MP SUSPENDE ORGANIZADAS - A repercussão dos atos de selvageria cometidos por torcidas organizadas e torcedores bandidos isolados no último clássico Cruzeiro e Atlético azedou as relações que o MP tentava manter com as entidades. O Ministério Público deu o troco nesta segunda-feira, porque alguns problemas voltaram a acontecer no jogo Atlético x Vitória, com rojões explodindo.  As organizadas foram convocadas pra uma audiência na Promotoria de Justiça da Capital e tomaram conhecimento de que a Máfia Azul, Pavilhão Independente - do Cruzeiro - e a Galoucura, do Atlético estão banidas temporariamente dos estádios nacionais e dos seus arredores, num raio de cinco quilômetros nos dias de jogos.  A decisão vale por seis meses e se estende, também, por cinco clássicos futuros entre os dois clubes.  
As medidas punitivas, no meu entendimento, são mínimas pelo tamanho do estrago que as organizadas fizeram. O banimento, por se tratar de atos repetidos diversas vezes, apesar do termo de adequação firmado entre o MP e as organizadas, deveria ser perpétuo.  Elas terão o direito de defesa, claro, num prazo de 30 dias. Essa medida do MP, chamada de Educativa - kkkkkkk- pra gente sem educação, restringe os elementos vinculados às organizadas de usar qualquer vestimenta, boné, faixa, bandeira, ou o diabo-a-quatro alusivos à sua agremiação no período do banimento. Não poderá haver exposição dos nomes das organizadas punidas e nem a cessão de ingressos, conforme a cartolagem gosta de fazer por esse Brasil afora.
COMO EVITAR A PRESENÇA DELES? - Este é o problema. Os caras não tem estrela na testa. Podem ir aos jogos como torcedores comuns, comprarem todos ingressos de um só setor se reunirem num canto e provocarem as mesmas confusões. Quem irá identificá-los? Por isso, eu sugiro que o ingresso seja vendido apenas aos sócios-torcedores. Quem quiser tem que associar e lá o clube faz a triagem. Não aceita o pessoal que tá fichado na Polícia como o currículo de fazer inveja a qualquer Al Capone. Nos dias de clássico entre Atlético e Cruzeiro e até nas datas de partidas do clube rival,  as organizadas punidas estão proibidas de utilizarem suas sedes, sob risco de multa de R$ 50 mil.
GALOURA BEM VISADA -  A torcida Galoucura deixou de cumprir um acordo firmado com o MP e de um pacto com a PM, no deslocamento para o estádio colocando em risco a vida de seus integrantes e de outras pessoas. Isso ficou comprovado quando vários integrantes da Galoucura se encontraram com membros da torcida Pavilhão Independente, trocaram ofensas verbais, ameaças e subiram a temperatura no entorno do Mineirão. Houve, ainda, a agressão de um cruzeirense por membros da Galoucura no trajeto pro Estádio, e a tentativa de saque no comércio local.  Como isso pode ser respeitado como torcida organizada?
O relatório da PM diz, também, que "bombas tipo "garrafão", um soco inglês e rojões foram apreendidos pela PM com membros da Galoucura. Ainda houve briga generalizada entre integrantes da própria torcida e uso da manobra conhecida como "cavalo doido", na qual a tentativa de tumultuar a entrada nas bilheterias é feita para forçar a passagem sem o ingresso".
TIROS CONTRA ATLETICANOS - Pra não ficar apenas na atuação da Galoucura, é bom que se destaque a atuação da Pavilhão Independente fora do Mineirão, que mereceu recriminação na audiência com o Ministério Público. Um de seus membros, resolveu queimar um rojão na pracinha defronte o estádio e ainda afrontou a Polícia quando foi cercado. A Máfia Azul, citada em diversos relatórios, segundo a PM teve também problemas sérios no clássico, numa briga generalizada - incrível - entre seus próprios torcedores. A Polícia prendeu um vândalo da Máfia Azul com quatro artefatos explosivos, unidos por fita adesiva e pregos. Isso mata, cara! Lembram-se daquele caso do garoto boliviano, num jogo do Corinthians, lá nas alturas?
Constou do relatório o arremesso de um rojão em direção à Galoucura, nas arquibancadas, sem citar o nome de qual torcida celeste o atirador está vinculado. Claro, que aquela situação dos disparos contra quatro atleticanos, parados num ponto de ônibus, com o suspeito preso, também foi discutido na audiência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Escolha a melhor forma de se identificar em Comentar como: Depois pitaque à vontade.